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Milei abana o rabo para Trump e ataca Lula após agressão dos EUA à Venezuela

Milei abana o rabo para Trump e ataca Lula após agressão dos EUA à Venezuela - Rio de Janeiro, Brasil
JR Vital jan. 3, 2026 | Atualizado jan. 28, 2026

Em meio às explosões ainda recentes em Caracas, Javier Milei escolheu as redes sociais como trincheira. O presidente argentino não apenas celebrou a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa por forças dos Estados Unidos como aproveitou o momento para atacar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A frase-slogan — “Viva la libertad, carajo!” — serviu menos como comentário e mais como provocação calculada.

A política transformada em espetáculo

O vídeo divulgado por Milei resgata trechos de seu discurso na última cúpula do Mercosul, em dezembro, quando classificou o governo venezuelano como “ditadura atroz” e saudou a pressão de Donald Trump sobre Caracas. A edição destaca reações de Lula, numa montagem que busca colar o presidente brasileiro à imagem de Maduro, como se divergência diplomática fosse cumplicidade ideológica.

Não há surpresa na estratégia. Milei governa sob a lógica do choque permanente, em que a política externa vira extensão da guerra cultural doméstica. O ataque à Venezuela forneceu o cenário perfeito para reafirmar alinhamento automático com Washington e, ao mesmo tempo, tensionar a relação com Brasília.

“Quando a diplomacia vira meme, a soberania vira figurante.”

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Presidente argentino transforma ataque dos EUA à Venezuela em palco retórico contra o Brasil e aprofunda fissura política no Mercosul.

Lula, Malvinas e a memória incômoda

Do lado brasileiro, a resposta anterior de Lula seguia outro registro. O presidente havia classificado uma intervenção militar na Venezuela como “catástrofe humanitária” e lembrado que a presença militar de potências extrarregionais remete aos piores fantasmas do continente. Ao citar a Guerra das Malvinas, Lula acionou um trauma argentino ainda sensível — detalhe que ajuda a explicar a virulência da reação de Milei.

A diferença entre os dois discursos é menos sobre Maduro e mais sobre o papel da América do Sul no mundo. Para Lula, a região deve preservar-se como zona de paz e resolver crises pela via diplomática. Para Milei, a intervenção estrangeira é aceitável quando serve à sua narrativa de “libertação”.

De Bolívar a Orwell

Há um eco histórico difícil de ignorar. Desde Simón Bolívar, a América Latina oscila entre projetos de autonomia e momentos de submissão explícita a potências externas. Milei, ao aplaudir o sequestro de um chefe de Estado estrangeiro, reencena uma inversão orwelliana: a soberania vira obstáculo, e a força externa passa a ser celebrada como virtude moral.

A imagem final do vídeo — Lula e Maduro abraçados, acompanhados do grito libertário — sintetiza a operação simbólica. Não se trata de informar, mas de marcar inimigos. Em um continente acostumado a pagar caro por intervenções e alinhamentos acríticos, o espetáculo retórico pode render aplausos imediatos. A conta, como sempre, chega depois.

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