A Polícia Federal deflagrou uma investigação que promete abalar as estruturas do marketing político e do mercado financeiro brasileiro. Um inquérito formal apura a existência de uma sofisticada teia de “influenciadores de aluguel” e sites de fofoca — a chamada “esgotosfera” — operada pelas agências Qualimedia e Eleven.
O esquema, semelhantes aos do Gabinete do ódio que nos últimos tempos tem voltado suas baterias contra o Jornal Diário Carioca em suas redes sociais, por expor as mazelas da extrema direita brasileira, teria sido utilizado para uma finalidade dupla: blindar o empresário Daniel Vorcaro (ex-Banco Master) com ataques coordenados ao Banco Central e ao STF, enquanto simultaneamente promovia as figuras de Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
O “Projeto DV” e a ofensiva contra o Banco Central
No centro da investigação está o chamado “Projeto DV” (Daniel Vorcaro). Segundo a PF, perfis de alto alcance como @alfinetei, @futrikei e @otariano, que somam mais de 70 milhões de seguidores, foram acionados entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 para disseminar críticas à liquidação do Banco Master. A estratégia consistia em atacar o diretor de normas do BC, Renato Gomes, e o ministro Alexandre de Moraes, tentando rotular a ação técnica da autoridade monetária como um “plano arquitetado” pelo banqueiro André Esteves (BTG). No Diário Carioca, compreendemos que essa tentativa de manipular a opinião pública sobre a higidez do sistema financeiro é um atentado direto à segurança jurídica do país, podendo levar Vorcaro de volta à prisão por obstrução de justiça.
Análise & Contexto
Marketing político e a “firmeza” de Tarcísio
Enquanto atacavam as instituições republicanas, a mesma rede de influenciadores era irrigada com recursos para construir uma imagem de eficiência para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Postagens sobre a redução do IPVA e a suposta “firmeza” contra a Enel foram detectadas pelos investigadores. O elo financeiro passaria pela agência Banca Digital, de Felipe Filipelli, informação contestada por seus advogados (leia a integra do direito de resposta abaixo, na qual informam que Felipe Filippelli não é dono, nem sócio da empresa, atuando exclusivamente na área comercial, sendo a Banca fundada por Murilo Henare.), e pela empresa Lorena Magazine, que teria custeado publicações elogiosas sobre obras no Rodoanel. A PF investiga se verbas de publicidade pública foram desviadas ou se houve caixa dois para sustentar esse ecossistema de adulação digital.
As “Bets” como trens-pagadores do esquema
O capítulo mais explosivo do inquérito envolve o financiamento por meio de casas de apostas online. A PF identificou que a VaiDeBet (controlada pelo cantor Gusttavo Lima) e a 7GamesBet (ligada a operadores próximos ao senador Ciro Nogueira) teriam viabilizado recursos para o pagamento das postagens. Esse fluxo financeiro uniria o mundo do entretenimento, o jogo de azar e a política partidária em um “zoológico virtual” de fake news. Além disso, a rede foi utilizada para inflar a “caminhada da insensatez” de Nikolas Ferreira e pavimentar a imagem de Flávio Bolsonaro como sucessor natural do espólio político do pai, atualmente preso por tentativa de golpe.
Impacto institucional e o cerco à Mynd8 e Qualimedia
Agências de peso como a Mynd8 e a Qualimedia — esta última responsável por auditar audiências para governos — estão sob a lupa da PF. A investigação aponta que a Qualimedia servia como “chanceladora” de portais tóxicos para que recebessem verbas publicitárias oficiais. Caso a conexão financeira entre o fundo Duke (de Vorcaro) e o pagamento de ataques a autoridades seja confirmada, o cenário jurídico para os envolvidos será de insolvência moral e criminal. A democracia brasileira enfrenta, em 2026, seu maior desafio técnico: desmantelar um modelo de negócio que transformou o engajamento digital em mercadoria de destruição institucional.
(*) Na manhã da quinta-feira, 05/02, a defesa jurídica da Banca Digital solicitou o registro do direito de resposta, prontamente, acatado pelo Diário Carioca, com a segunda nota:
| Sobre a reportagem “PF investiga ‘Esgotosfera’: Mesma rede de influência serviu a Vorcaro, Nikolas, Tarcísio e Bolsonaros”, publicada em 31 de janeiro de 2026 no portal eletrônico Diário Carioca, a Banca Digital, agência brasileira independente de marketing digital, esclarece que Felipe Filippelli não é dono nem sócio da empresa, atuando exclusivamente na área comercial, sendo a Banca fundada por Murilo Henare. A Banca Digital informa ainda que não foi contratada para divulgar conteúdos relacionados ao caso Banco Master ou ao governador Tarcísio de Freitas. A empresa foi procurada para possíveis ações sobre esses temas, mas recusou imediatamente qualquer participação, posicionamento já manifestado publicamente anteriormente. Também esclarece não ter ligação com as empresas mencionadas. A reportagem também incorre em equívoco ao mencionar a empresa Lorena Magazine, agenciada pela Banca Digital, como suposta parte desse esquema de publicações elogiosas sobre ações do governo de São Paulo no Rodoanel. Trata-se de um perfil de entretenimento e site de notícias sobre temas em alta, que não realizou publicações sobre o projeto citado. As menções ao governador nos últimos meses tiveram caráter estritamente informativo. Vale esclarecer também que a Banca Digital não tem conhecimento do relatório preliminar da Polícia Federal mencionado na reportagem, muito menos de ter sido eventualmente mencionada nesse documento. Desde abril de 2024, a Banca Digital mantém um protocolo formal de brand safety, com monitoramento diário de conteúdos publicitários e editoriais por meio de inteligência artificial e curadoria humana especializada. Desde sua implementação, mais de 60 conteúdos identificados como sensíveis foram removidos e cerca de 200 publicações passaram por retificações. Com uma rede que alcança aproximadamente 136 milhões de seguidores e cerca de 71 milhões de usuários únicos no Instagram, a Banca Digital reforça seu compromisso com a ética, a profissionalização do setor de marketing digital e a saúde da conversa pública. Banca Digital |
Com informações de Luís Costa Pinto, do ICL Notícias





