A abertura do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 ficará marcada como o momento em que a Marquês de Sapucaí se transformou em um tribunal popular de justiça social. A Acadêmicos de Niterói não apenas desfilou; ela ocupou o território da elite para celebrar a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, o retirante que se tornou o maior líder da história do país. Sob o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação narrou a epopeia de dona Lindu e seus filhos em 13 dias de resistência, culminando na ascensão do movimento sindical e na chegada ao poder.
O desfile foi um manifesto explícito da esquerda brasileira. O ator Paulo Vieira, com sua verve popular, interpretou Lula na avenida, enquanto o próprio presidente, em um gesto de quebra de protocolo, desceu do camarote para sentir o calor do povo no asfalto. O samba-enredo, em tom de hino, não fugiu da identidade política: entoou o clássico “Olê, olê, olê, olá” e exaltou o número 13, reafirmando que o Carnaval é, por excelência, o espaço da soberania das massas e da afirmação partidária de quem defende os trabalhadores.
O “Palhaço Preso” e a Justiça Histórica
A estética da escola serviu como ferramenta de denúncia contra o autoritarismo. Uma das alegorias mais comentadas trouxe uma representação inequívoca de Jair Bolsonaro como um “palhaço na prisão”. Vestido com trajes listrados e ostentando uma tornozeleira eletrônica violada — em referência à sua prisão em novembro de 2025 —, a figura simbolizou a derrocada da extrema-direita e o triunfo da democracia. Para os foliões de esquerda, foi o ápice da justiça simbólica, expondo o ridículo de quem tentou destruir o pacto social brasileiro.
Análise & Contexto
A Blindagem de Janja e a Reação da Direita
Embora a primeira-dama Janja tenha decidido não desfilar para neutralizar a perseguição jurídica da oposição — que já se movimenta com acusações vazias de “propaganda antecipada” —, sua influência foi sentida em cada ala. A substituição pela voz democrática de Fafá de Belém manteve o tom de resistência. A gritaria da direita sobre os R$ 12 milhões destinados ao Carnaval ignora que investir na maior festa popular do mundo é investir na economia criativa e na soberania cultural, algo que o campo progressista compreende como pilar de desenvolvimento humano e não como simples gasto.
Takeaways:
- Acadêmicos de Niterói abriu o Grupo Especial com uma homenagem histórica a Lula.
- Paulo Vieira interpretou o presidente na avenida; Lula desceu para saudar os foliões.
- Alegoria representou Bolsonaro como presidiário, com tornozeleira eletrônica violada.
- O samba incluiu referências diretas ao PT, ao número 13 e ao clássico “Olê, olê, olá”.
- A oposição tentou judicializar o desfile, mas a escola manteve o foco na resistência popular.
Fatos-chave:
- Data: 15 para 16 de fevereiro de 2026.
- Enredo: “Lula, o operário do Brasil”.
- Local: Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro.
- Valor investido: R$ 12 milhões do Governo Federal para as escolas do Rio.
- Referências Culturais: Menções a Janja e ao filme “Ainda Estou Aqui”.





