O Carnaval de 2026 revela não apenas o talento das escolas de samba, mas a nudez ética de uma oposição que opera sob a lógica da conveniência. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o partido Novo mobilizam o Judiciário contra o desfile da Acadêmicos de Niterói — alegando “propaganda eleitoral antecipada” e “abuso de poder” —, o ex-ministro Gilson Machado foi flagrado nas redes sociais distribuindo adesivos explicitamente eleitorais com os dizeres “Flávio 2026”. O episódio é a síntese do falso moralismo: condena-se a estética cultural da esquerda enquanto se pratica o proselitismo direto no asfalto.
A ofensiva jurídica como cortina de fumaça
A articulação do PL, liderada por figuras como Nikolas Ferreira, tenta transformar a liberdade de expressão artística em crime eleitoral. Ao acusar a Acadêmicos de Niterói de usar dinheiro público para exaltar Lula e “atacar” o ex-presidente Jair Bolsonaro, a oposição ignora que o Carnaval é, historicamente, um espaço de crônica social e política. A tentativa de protocolar representações por improbidade administrativa contra uma agremiação e o presidente da República é uma manobra para asfixiar narrativas populares, ao mesmo tempo em que seus correligionários distribuem material de campanha em plena folia, sem qualquer pudor regulamentar.
A tática da “formiguinha” e a lei eleitoral
Gilson Machado, autodenominado “trabalhador de formiguinha”, publicou o vídeo da distribuição de adesivos em um tom desafiador. A contradição é pedagógica: para o bolsonarismo, o apoio popular a Lula na Sapucaí é “ilícito eleitoral”, mas a promoção direta de um pré-candidato à Presidência com nome e número em adesivos é “trabalho”. A lei eleitoral brasileira é clara sobre a antecipação de campanha, e a conduta de Machado fornece munição jurídica para que o Ministério Público Eleitoral avalie se a verdadeira irregularidade não reside justamente naqueles que hoje gritam “censura”.
Análise & Contexto
A narrativa do “Bem x Mal” invertida
O PL acusa a escola de Niterói de criar uma narrativa maniqueísta, mas é a própria oposição que se coloca no papel de juíza moral do Carnaval. Ao atacar segmentos da sociedade vinculados à cultura popular, a cúpula liberal reforça o abismo entre seu projeto político e as manifestações de massa. O uso de jingles ou símbolos partidários em alas é uma expressão da identidade de uma comunidade; já a distribuição de adesivos por um ex-ministro é uma operação política deliberada. O Brasil de 2026 assiste, em tempo real, à tentativa de criminalizar a alegria alheia enquanto se tenta vender, no meio da multidão, um projeto que o país já conhece.
Takeaways:
- A contradição entre a denúncia contra a Niterói e a conduta de Gilson Machado expõe um duplo padrão ético.
- A oposição tenta judicializar o Carnaval como estratégia de desgaste do governo Lula.
- A distribuição de adesivos “Flávio 2026” pode configurar propaganda antecipada, segundo especialistas.
- A liberdade artística das escolas de samba está sob ataque institucional de setores conservadores.
Fatos-chave:
- 15 de fevereiro: data em que Gilson Machado publicou o vídeo distribuindo adesivos.
- “Flávio 2026”: frase estampada no material de campanha distribuído no Carnaval.
- Acadêmicos de Niterói: escola de samba alvo de ações judiciais do PL e do partido Novo.
- Nikolas Ferreira: deputado que prometeu representação no MP por improbidade administrativa.
- PL alega que o desfile teve “inequívoca conotação eleitoral” e uso de jingles de campanha.





