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Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, diferente do que este dá a entender, não são a favor de um golpe militar. A constatação é da pesquisa “Bolsonarismo no Brasil”, realizada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (Iree).

Segundo a pesquisa qualitativa, foi expressivamente minoritário o grupo de participantes que demonstraram apoio ao retorno da ditadura militar, mesmo entre aqueles mais fiéis ao capitão reformado. Os apoiadores que são a favor de um regime autoritário militar se restringiram basicamente a homens mais velhos e com perfil mais radical em todos os outros temas tratados pelos institutos. 

“Eu não tenho autoridade para falar sobre esse assunto porque eu não vivi na ditadura. Eu só ouvi histórias, só estudei sobre. Eu espero que a gente mantenha a democracia. Sobre apoiar o Exército nas discussões políticas, eu apoio”, afirmou um participante não identificado da pesquisa, de 25 anos, residente em Goiânia (GO), que não se arrepende de ter votado em Bolsonaro.

Por outro lado, a maioria dos participantes veem com bons olhos a presença de militares no governo federal. Atualmente, são mais de 6.000 as pessoas que vestem farda e ocupam um cargo na administração civil federal. Na análise dos institutos, “o grosso dos apoiadores de Bolsonaro tem uma visão bastante idealizada dos militares, como pessoas de valores firmes, disciplinados e obedientes à hierarquia”. Ainda assim, uma parte criticou o despreparo técnico dos militares no Ministério da Saúde, inclusive citando a “incompetência” do ex-ministro Eduardo Pazuello.

Nos últimos três meses, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid tem apontado para a presença de militares para supostos esquemas de corrupção no Ministério da Saúde envolvendo a aquisição de vacinas contra a covid-19, como Eduardo Pazuello e o ex-secretário-executivo da pasta, o coronel Elcio Franco.

A pesquisa também tocou em outros assuntos, como corrupção, eleição presidencial de 2022, segurança, família e pandemia. Neste último ponto, entre os apoiadores mais fiéis, a maioria defendeu que a demora na compra de imunizantes se deu por “cautela” de Bolsonaro. Já entre os arrependidos do voto, houve forte demonstração de indignação pelo atraso.

A pesquisa foi realizada entre 15 e 30 de maio deste ano, com 24 grupos focais, cada um com uma média de oito participantes. 

Edição: Vivian Virissimo


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