EUA: Por um antirracismo popular e revolucionário

3 de novembro de 2024
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“Todo o poder para o povo” (All Power to the People), 1969, por Emory Douglas | Fonte: Arts, artists, artwork
“Todo o poder para o povo” (All Power to the People), 1969, por Emory Douglas | Fonte: Arts, artists, artwork
Atualizado em 29/11/2025 17:25

por Raíssa Araújo Pacheco – A luta pela liberdade e pela dignidade é uma herança que transcende gerações. Desde o período da escravizadão colonial até os dias de hoje, muitas batalhas foram travadas contra o racismo e a desigualdade. O que se aprende com essa história é que apenas uma organização coletiva e combativa conquista mudanças, sejam elas pequenas ou grandes.

O livro Raça, Classe e Revolução – A Luta pelo Poder Popular nos Estados Unidos, resgata o legado de movimentos revolucionários como o Partido dos Panteras Negras, os Jovens Senhores, as Boinas Marrons e outros grupos que, ao longo das décadas, desafiaram a opressão racial e as estruturas de classe nos EUA.

Raça, Classe e Revolução – A Luta pelo Poder Popular nos Estados Unidos,
Raça, Classe e Revolução – A Luta pelo Poder Popular nos Estados Unidos

A obra, organizada por Jones Manoel e Gabriel Landi, e publicada pela Autonomia Literária, é uma contribuição significativa para reverberação dessa história.

Os textos presentes na coletânea, inéditos em português, revelam a profundidade da luta antirracista, que vai além das manifestações de mercado que frequentemente dominam o discurso contemporâneo.

Com uma crítica incisiva ao antirracismo liberal, o livro apresenta um antirracismo socialista que resgata o legado radical da Coalizão Arco-Íris, uma aliança entre diversos movimentos que buscavam solidariedade e resistência em um contexto de brutalidade policial e opressão.

Os escritos dos Panteras Negras, de H.P. Newton e Fred Hampton, por exemplo, oferecem um olhar contundente sobre as injustiças sociais e raciais e sua íntima ligação com o capitalismo.

Os textos além de documentar a luta pela igualdade, exploram como a intersecção entre raça e classe molda a experiência da população negra nos EUA.

Além disso, as contribuições de outros grupos, como os Jovens Patriotas e o movimento chicano, ampliam o escopo da discussão, evidenciando outras camadas de complexidade.

O prefácio da obra apresenta uma análise poderosa sobre a democracia liberal burguesa e suas falhas. Nele, os organizadores abordam o racismo estrutural, a brutalidade policial e a história de violências contra as minorias, destacando as semelhanças com práticas de regimes totalitários.

A reflexão é essencial para entender como as narrativas sobre liberdade e democracia muitas vezes se omitem em relação às realidades vividas por aqueles que historicamente foram marginalizados.

Além de sua relevância acadêmica, o livro serve como um recurso prático para militantes e educadores, trazendo uma riqueza de informações contextualizadas por notas de rodapé que ajudam a situar os leitores em um período histórico complexo.

O material se torna uma ferramenta para entender o passado e alimentar o espírito da luta presente e futura por uma sociedade consciente e emancipada.

Publicado Originalmente em Outras Palavras

Raíssa Araújo Pacheco

Redatora do Outros Quinhentos. Formada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Assessorou movimentos sociais e entidades envolvidas na pauta de moradia e direito à cidade.

JR Vital

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações.

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