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Em menos de uma semana, o presidente da República Popular da China e secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh) proferiu dois importantes discursos que devem ser de estudo obrigatório aos interessados em decifrar não somente a visão chinesa de mundo. Mas também qual os contornos da presente estratégia nacional do país.

O discurso do dia 1º de julho alusivo ao centenário do PCCh ocorrido na praça Tiananmen é um verdadeiro documento marxista tão claro quanto profundo.

O segundo discurso, feito no dia 06 de julho, em ocasião do Encontro Mundial entre o PCCh e Partidos Políticos do Mundo, teve um tom mais de profusão da estratégia internacional chinesa, a responsabilidade do PCCh e o papel dos partidos políticos de diferenças tendências no sentido de um mundo mais estável e pacífico.

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Na praça Tiananmen o líder comunista chinês mostrou-se no melhor de sua forma. Talvez nenhum líder no mundo contemporâneo reúna em si os atributos políticos e intelectuais de Xi Jinping. Seu pronunciamento em alusão aos 100 anos de fundação do PCCh foi marcado pela totalidade que envolveu desde os principais feitos do PCCh desde 1921, demarcou sobre a “aspiração original” que combina a realização desde o rejuvenescimento da nação chinesa até a consecução dos ideais originais de Marx e Engels.

Como força política no comando da mais importante nação em desenvolvimento do mundo, deixou clara a inabalável unidade do povo chinês em torno de sua força política dirigente.

Com a serenidade de um grande líder marxista pontuou a história como forma de apontar aos inimigos do progresso chinês e da humanidade características claras do povo chinês: reverência à justiça, orgulho nacional e autoconfiança. Marcante foi sua alusão ao fato de:

“O povo chinês nunca atropelou, oprimiu ou escravizou o povo dos outros países do mundo. Não fazíamos isso antes, nem fazemos agora, nem faremos no futuro. (…) não permitimos que nenhuma força externa nos atropele, oprima ou nos escravize. Se alguém tentar, eles baterão com a cabeça ensanguentada na grande muralha de ferro feita da carne e sangue dos mais de um bilhão e quatrocentos milhões de chineses”.

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Trata-se de um pronunciamento que deve ser motivo de reflexão não somente aos comunistas chineses, mas também aos marxistas do mundo todo. O discurso alusivo ao centenário do PCCh talvez seja o documento marxista mais importante produzido por um líder comunista desde o final da União Soviética (1991).

Xi Jinping transpira confiança, força e firmeza ideológica. Atributos fundamentais a um líder de sua estatura e diante dos desafios impostos pelo imperialismo ao progresso chinês e da humanidade.

O líder chinês voltou a pontuar sobre a estratégia internacional do país em um importante evento onde o PCCh recebeu delegados de cerca de 500 partidos políticos do mundo todo. Observando à distância fica evidente, com este grande evento, a busca por parte do PCCh de se buscar consenso em torno de alguns temas-chave que deveriam unir forças políticas de diferentes tendências.

A noção do mundo como uma “vila global” foi um importante ponto de partida para o dirigente chinês deixar claro tanto as responsabilidades do PCCh perante a China e o mundo quanto dos próprios partidos políticos do resto do mundo.

Segundo Xi Jinping: “As dificuldades e desafios que a humanidade enfrenta só podem ser resolvidos com solidariedade e cooperação. Os partidos políticos, como a fonte das políticas nacionais e defensores dos interesses dos povos, desempenham um papel importante na vida política dos países”.

O pano de fundo para esta observação é a máxima chinesa da construção de “um mundo de futuro compartilhado”. O PCCh propõe alguns pontos de partida para esta finalidade: “Propomos que os partidos políticos de todos os países se comprometam a construir consenso sobre valores. Os esforços devem ser dedicados à promoção de valores compartilhados por toda a humanidade, ou seja, paz, desenvolvimento, equidade, justiça, democracia e liberdade”.

Observando em conjunto, o que concluir destes dois momentos de Xi Jinping? Afora as qualidades inatas do líder chinês, percebe-se um grande esforço político, intelectual e estratégico de unificar o futuro da nação chinesa como parte intrínseca do futuro da humanidade. É o oposto do “nacionalismo de um único país” praticado pelos Estados Unidos. De um lado a hipocrisia reacionária que caracteriza a política interna e externa dos EUA. De outro, o internacionalismo chinês que combina e condiciona o seu futuro com o bem-estar de toda a humanidade.

* Elias Jabbour, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UERJ). Artigo produzido em colaboração com o Grupo de Mídia da China.

** Esse é um artigo de opinião e não reflete necessariamente a visão do Brasil de Fato

Edição: Vinícius Segalla


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