Educação com inclusão social

17 de maio de 2024
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Crianças participam de atividades no Projeto CREAI na Rocinha
Crianças participam de atividades no Projeto CREAI na Rocinha

Uma das principais peculiaridades dos tempos atuais é a multiplicidade de escolhas permitidas (ou impostas) por uma sociedade crescentemente alimentada por informações de toda natureza. Em poucos anos, os bytes já eram megabytes, gigabytes e hoje já não se deixa por menos do que os terabytes, equivalendo a nada menos do que um trilhão de bytes, segundo o Sistema Internacional de Unidades. Entretanto, excesso de informações está bem longe de significar aptidão para as melhores decisões, ou capacidade de seguir os melhores caminhos. Ao contrário. 

A presença do professor nunca foi tão importante como nos dias atuais. Outrora dono do monopólio do conhecimento, o magistério se converteu no titular na missão de filtrar informações e trabalhar questões inerentes ao mundo real. E quando se trata de crianças, o esforço é ainda maior, em uma tarefa que consiste em estabelecer o necessário contraponto em um universo totalmente digital e gradativamente menos humano. E é exatamente nesta linha que destaco o Projeto CREAI, desenvolvido aqui no Rio, sob o comando da Profª. Simone Menezes. 

Trata-se do Centro de Reforço Escolar e Alfabetização com Inlcusão, sediado na Comunidade da Rocinha, Rio de Janeiro. Muito mais do que uma prestação de serviços, o centro educacional abriga crianças das mais variadas idades, atendendo à demanda dos pais que trabalham o dia todo e precisam de auxílio com os pequenos. Com forte viés social, o projeto oferece também aulas de judô e Língua Inglesa, abrindo os caminhos dos infantes para um futuro próspero e cheio de oportunidades. 

Para que os leitores do Diário Carioca tenham maior dimensão do que falo, conversei com Simone e compartilho abaixo os principais pontos dessa entrevista. 

M: Simone, seja bem-vida! E parabéns pelo seu trabalho, primeiramente. Quantas crianças o Projeto CREAI atende hoje e quais os períodos oferecidos?

S: Um projeto que atende a cerca de 86 famílias na comunidade da Rocinha onde as crianças entram às 6h da manhã e saem às 00h. Cada família ajuda como pode, sendo que muitas não podem fazer nenhum tipo de contribuição. Os pais que ajudam financeiramente nos possibilitam a ajudar aos que não podem, ou seja, avós de crianças que sofrem abandono pelos pais, mulheres que precisam recomeçar suas vidas e não tem com quem deixar seus filhos pois não tem como pagar um cuidador.

M: E os trabalhos se limitam à Educação?

S: Não. Dentro do projeto acolhemos mulheres que sofrem violência doméstica e precisam conseguir um emprego, às vezes um lugar para dormir até tudo se estabilizar.

Após essas famílias se erguerem passam a nos ajudar financeiramente ou com cestas básicas para garantir uma boa alimentação para os pequenos. Aqui as crianças estudam o dia inteiro com professores capacitados não só a dar reforço quanto outras atividades. Hoje temos ótimos resultados com crianças, e também incentivamos ao esporte, hoje as crianças fazem atividades esportivas na academia de jiu-jitsu Rjj, capoeira, educação física e yoga Rocinha.

M: Simone, é visível sua preocupação com inclusão social, haja vista até o próprio nome do projeto que você desenvolve. Como são atendidas as crianças com necessidades especiais? 

S: Em relação ao nosso trabalho com as crianças especiais, chegam aqui muitas vezes sem sequer se mexer, e uns já escrevem redação!

Finda a entrevista e, notadamente, após os meus cumprimentos por um trabalho tão belo e abnegado, impossível não refletir sobre a importância da Educação no Brasil de 2024. Sem dúvidas, o grande caminho para sermos uma grande e inclusiva nação, com oportunidades a todos e possibilidades de crescimento àqueles que fizerem as melhores escolhas. E é nas escolhas que entendo repousar a grande importância do binômio “professor-aluno”, o eixo maior da Educação. 

Por isso, é inegável que não está mais na mão dos professores o monopólio das informações. Entretanto, é nosso (de nós professores) o dever, a meta e a missão de educar ensinando os melhores caminhos e apontando os direcionamentos dos alunos rumo a um futuro melhor e mais inclusivo.

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