Brasília – O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou uma representação criminal no Ministério Público Federal (MPF) contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A solicitação visa investigar denúncias sobre um suposto caixa paralelo utilizado para custear despesas pessoais de Michelle com recursos da União durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
O parlamentar argumenta que valores desviados do cartão corporativo da Presidência teriam sido movimentados em espécie, sem rastreamento oficial, dificultando a identificação da origem do dinheiro. Além disso, há indícios de que esses recursos possam ter sido usados para pagar faturas do cartão de crédito de uma amiga de Michelle.
Lindbergh cobra investigação detalhada
O deputado pede que o MPF identifique e responsabilize todos os envolvidos no suposto esquema, incluindo agentes públicos e privados. Caso a irregularidade seja confirmada, ele solicita que os valores sejam devolvidos aos cofres públicos.
“Protocolei hoje no MP, CGU, PF e Casa Civil requerimentos de informação sobre o uso de recursos públicos em gastos pessoais da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Temos denúncias robustas sobre um caixa paralelo e uso irregular do cartão corporativo da Presidência”, declarou Lindbergh nas redes sociais.
CGU, Polícia Federal e Casa Civil entram no caso
Além do MPF, Lindbergh acionou a Controladoria-Geral da União (CGU), a Polícia Federal (PF) e a Casa Civil para aprofundar as investigações. Na CGU, ele solicitou esclarecimentos sobre uma possível apuração envolvendo a empresa Cedro do Líbano Comércio de Madeiras para Construção Ltda, suspeita de repassar dinheiro a um ajudante de ordens de Bolsonaro.
Segundo documentos apresentados pelo deputado, a empresa teria transferido R$ 25,3 mil para o sargento do Exército Luís Marcos dos Reis, que sacou os valores ou os utilizou para pagar despesas atribuídas a Michelle Bolsonaro. A PF foi questionada sobre o andamento das investigações e se já há indiciamentos no caso.
Viagens e gastos de Michelle sob análise
Lindbergh também solicitou que a Casa Civil forneça informações detalhadas sobre viagens da ex-primeira-dama entre 2019 e 2022. Ele quer a identificação de familiares e assessores que a acompanharam, além dos custos, justificativas e relatórios de cada deslocamento em aeronaves oficiais e privadas.
Outro ponto levantado pelo deputado envolve a gestão do Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado (Pátria Voluntária), coordenado por Michelle. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou irregularidades e suspeitas de mau uso de verbas públicas. Com isso, Lindbergh cobra providências da Casa Civil para investigar possíveis falhas e responsabilizar eventuais envolvidos.