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ROBOCOP (2014): UM TRABALHO DE COMPETÊNCIA

Quando descobri que José Padilha iria dirigir essa refilmagem, já comecei a contar os dias para Robocop chegar aos cinemas
Jornal DC -DIário Carioca - ùltimas Notícias do Rio de Janeiro - Brasil e Mundo (1)

Cine-Visto

Quando descobri que José Padilha iria dirigir essa refilmagem, já comecei a contar os dias para Robocop chegar aos cinemas. E não me decepcionei. Temos um trabalho bastante interessante, bem dosado na ação e com a marca do diretor: a crítica.

Em um futuro não muito distante, no ano de 2028, drones não tripulados e robôs são usados para garantir a segurança mundo afora, mas o combate ao crime nos Estados Unidos não pode ser realizado por eles e a empresa OmniCorp, criadora das máquinas, quer reverter esse cenário. Uma das razões para a proibição seria uma lei apoiada pela maioria dos americanos. Querendo conquistar a população, o dono da companhia Raymond Sellars (Michael Keaton) decide criar um robô que tenha consciência humana e a oportunidade aparece quando o policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado, deixando-o entre a vida e a morte.

Robocop

 

Todos sabem que não concordo com refilmagens de produções já consagradas, mas confesso que essa me deixou curioso e otimista, é claro que muito por causa da escolha de Padilha como diretor. Confio tanto no diretor e sou tão otimista com seus trabalhos que não acharia que iriam destruir a memória do clássico filme.

E não estava errado. A história é conduzida de maneira muito simples e direta, sem, contudo, deixar de apresentar uma certa originalidade. Se o filme de 1987 se prendia na importância de apresentar um policial do futuro quase que invencível, além de explorar a importância das surreais novas tecnologias (que rendia bastante bilheteria nos anos 80 e 90), o novo filme explora muito mais o lado humano de Alex Murph antes de se tornar o Robocop. Nós temos contato com a personalidade de Murph de maneira muito próxima.

Robocop 2

O que não dá para deixar de mencionar é o deboche que Padilha faz dos programas de extrema direita do canal FOX ao utilizar Samuel L. Jackson como apresentador de um programa sensacionalista (nos moldes da emissora americana) em contraponto aos apresentadores loiros e cativantes do canal. É sempre bom ver um brasileiro dando uma alfinetada nos americanos!

Robocop 3

O elenco consegue segurar bem a trama e mantém o nível de tensão do início ao fim. Afinal, além de Joel Kinnaman e Jackson, temos Machael Keaton e Gary Oldman, o que facilita muito a vida do diretor.

O mais louvável no filme é a clareza das cenas, algo muito raro nos filmes com ações intensas, onde se tornou hábito tremer a câmera e escurecer o ambiente, a fim de esconder as possíveis falhas nos efeitos visuais. Em Robocop, cada ação é rica em detalhes. Vemos cada movimento da cada uma das cenas de ação, seja troca de tiro, seja perseguição a veículo, seja explosão, seja briga, enfim, temos tudo muito claro. Um salve a José Padilha!

Robocop 4

A única coisa que me incomodou foi a edição. Se existe um início com bom ritmo e com bastantes detalhes, sem se arrastar, a segunda metade do filme passa de forma muito corrida e os conflitos resolvem-se de maneira muito rápida, o que deixa uma má impressão, mas nada grave.

Vale a pena se aventurar nesse competente trabalho no nosso brazuca que consegue a proeza de não transformar essa refilmagem em apenas mais um enlatado americano.

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