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sábado, novembro 28, 2020
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Bolsonaro age como “cão adestrado do Trump” em disputa com a China, diz Sérgio Amadeu

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A visita do conselho de segurança nacional dos Estados Unidos, Robert O’Brien, que veio ao Brasil essa semana para encontros oficiais, aumentou o cerco do governo de Donald Trump na guerra tecnológica travada pelos norte-americanos com a China.

Em uma videoconferência com empresários paulistas ligados à Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), em segunda-feira (16), o embaixador O’Brien foi explícito ao dizer que o Brasil deve excluir a participação chinesa no desenvolvimento da tecnologia 5G no Brasil.

“Especialmente se vocês ocorrem a Huawei na sua rede 5G, haverá ‘backdoors’ e a capacidade de decifrar quase todos os dados que são gerados em qualquer lugar do Brasil, seja pelo governo, na frente de segurança nacional, seja por empresas privadas em suas habilidades de inovar e desenvolver novos produtos, técnicas e práticas. (…) Estamos recomendando fortemente que nossos parceiros, incluindo o Brasil, usem ap enas fornecedores nomeados em sua rede de 5G ”, afirmou o norte-americano.

O termo backdoor , utilizado pelo embaixador, se refere a uma porta de acesso ao sistema, criado a partir de um programa avançado instalado, e que permite o acesso por pessoas não autorizadas.

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Para o professor Sergio Amadeu, da Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Paulo “a guerra geopolítica mundial passa, cada vez mais, pela tecnologia” e o posicionamento subserviente do governo de Jair Bolsonaro aos EUA, mostra que o Brasil não possui uma estratégia de desenvolvimento tecnológico.

“Se a gente possui uma estratégia, a gente poderia se beneficiar dessa guerra entre os gigantes para poder avançar, mas nós não estamos fazendo isso. O Bolsonaro é um cão adestrado do Trump. O Trump acena e ele vai atrás balançando o rabo “, afirma Amadeu, um dos principais especialistas em tecnologias de informação e comunicação no país.

Segundo ele, o que está por trás dessa gestão norte-americana sobre o governo brasileiro é justamente uma corrida tecnológica. “Eles não têm mais a supremacia que tem nas tecnologias de informação e usa a sua liderança geopolítica no ocidente neoliberal para poder se consolidar, para tentar manter o seu poder e retardar, retaliar e bloquear como empresas chinesas “, afirma. )

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A tecnologia 5G, em sua máxima potência, deve oferecer altíssimas relacionadas de internet no Brasil, até 20 vezes maior do que o 4G, além de maior confiabilidade e disponibilidade. A tecnologia também terá uma capacidade para conectar massivamente um número significativo de aparelhos ao mesmo tempo.

Para Sergio Amadeu, falta ao Brasil, historicamente, uma estratégia própria de desenvolvimento tecnológico. Mesmo na era em que os dados são o grande ativo financeiro mundial, o Brasil se insere de forma totalmente depende ente nesse mercado.

“A gente não consegue nem manter os dados no nosso país. A gente usa a estrutura de datacenters e infraestrutura de inteligência artificial que, muitas vezes, não estão nem no Brasil. No mundo onde os dados valem muito, somos uma colônia, agora uma colônia de dados “, ironiza.

EUA usam tecnologia para vigilância

Entre as empresas do setor, é a chinesa Huawei que desponta como a principal fornecedora de equipamentos para as operadoras de telecomunicações que devem disputar o leilão brasileiro do 5G, que está previsto para o ano que vem.

O grupo chinês está na liderança do mercado internacional desse tipo tecnologia, à frente dos Estados Unidos. Por causa disso, chegou a ter suas operações restringidas em solo norte-americano, no ano passado, após uma ordem do presidente Donald Trump, que alegou ameaça à segurança nacional.

O sistema de vigilância que os EUA acusa a China de usar os equipamentos de 5G usados ​​há décadas pelos norte-americanos, alerta Sergio Amadeu.

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A Lei de Auxílio das Comunicações para a Aplicação do Direito (em inglês, Assessoria às Comunicações para Ato Policial), abreviada como Calea, é uma lei de grampos dos Estados Unidos em vigor desde 21, e que obriga empresas de telecomunicações a fabricarem aparelhos que incluam porta de entrada para as agências norte-americanas de inteligência poderem executar grampos e escutas no sentido de defender os interesses norte-americanos.

“Quando essa autoridade americana fala que ‘não podemos usar os equipamentos da China porque a China inclui backdoors neles’, em primeiro lugar, ele faz essa declaração supondo que a China pratique a ação mesma que eles, os Estados Unidos da América, prática “.

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Em julho, o Reino Unido decidiu que como operadoras que atuam no país não podem adquirir mais equipamentos 5G da Huawei. As empresas britânicas conhecidas proibidas de comprar novos produtos de infraestrutura móvel da quinta geração da fabricante no final do ano e devem remover o que já foi instalado até 2027.

“Eles combinam uma série de ações, como o lawfare . Eles prenderam, há dois anos atrás, a vice-presidente da Huawei no Canadá, alegando que ela contribui com equipamentos para o Irã. É, de fato, uma aberração jurídica. Então, eles combinam perseguição política e jurídica com ações de atraso na implementação de uma tecnologia que, até o momento, é superior às outras tecnologias, no caso do 5G “, aponta.

Edição: Leandro Melito

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