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sábado, novembro 21, 2020
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Minas Gerais: falta de água agrava em quilombos e população clama por ajuda

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A escassez de água se intensificou neste ano no Vale do Jequitinhonha (região norte de Minas Gerais), em especial por causa da pandemia. Os moradores, a maioria negros e quilombolas, apelam às autoridades por medidas para mitigar a situação, que não é novidade, porém, piora.

A N’Golo, Federação das Comunidades Quilombolas de Minas, visitou no último final de semana como áreas quilombolas no Vale do Jequitinhonha para averiguar o cenário e providências imediatas articulares. No estado, existem aproximadamente 2 milhões de pessoas moradoras de quilombos, urbanos ou rural

“Com a água que tenho aqui em casa não seria suficiente nem para você tomar banho. O que me fornece muito foi o auxílio emergencial. Foi com esse dinheiro que consegui comprar galões de água ”, conta a Maria Aparecida Machado Silva, moradora há 44 anos, desde seu nascimento , do Quilombo do Rocha, que abriga 54 famílias. Ele se localiza em Chapada do Norte. Ela é presidente da Associação Comunitária União Quilombola do Córrego do Rocha.

Semiárido

De acordo com Maria, a falta de água é decorrente do fato de praticamente ter secado o poço artesiano. Ao contrário das regiões urbanas do estado, abastecidas por meio de grandes rios e represas, o Jequitinhonha se encontra na região do semiárido, que abrange o nordeste brasileiro e parte da região norte de Minas Gerais.

) Todo esse território é naturalmente seco em razão das lições chuvas. Assim, uma das alternativas de acesso à água são os poços artesianos, além de tecnologias de convivência com o semiárido, como a captação de água de chuva e diversas formas de conservação da água no solo.

A principal cacimba dos moradores do Quilombo Córrego da Rocha foi instalada no início dos anos 2000 e atendeu totalmente uma população comi 2018. Maria Aparecida relata que após esse ano, paulatinamente, o poço reduziu seu potencial de fornecimento hídrico. É por esse emotivo que hoje boa parte da comunidade está praticamente sem água.

Pandemia

O problema se intensificou ainda mais na pandemia, em razão da demanda por água ter aumentado, com mais pessoas em casa na maior parte do tempo. O único meio de abastecimento são os caminhões pipas, mas “a qualidade da água deles não é boa”, afirma Maria.

) “De imediato, o que necessitamos é da canalização de um outro poço. Já mapearam o quilombo e verificaram que existe a possibilidade de criação de mais um poço. O que nós precisamos, e muito, é de recursos para conseguirmos fazer. Nessa pandemia , com os nossos filhos em casa, estamos gastando muito com água. Além disso, a gente tem que escolher qual das nossas plantações a gente vai aguar ”, contou Maria Aparecida.

Além das ações emergentes, existem também aquelas de médio e longo prazo. Por exemplo, Maria cobra a instalação de pequenas barragens para uma reserva de água da chuva bem como a preservação das matas ciliares dos rios.

Comunidades implementação de tecnologias alternativas

Uma construção de pequenas barragens, para estoque de água, foi e ainda é algo muito demandado pelos moradores do Jeq uitinhonha nos últimos anos. Outra defesa é a preservação de nascentes e a proteção das matas ciliares. Elas ficam no entorno das minas e como protegido de danos naturais ou humanos.

Porém, atualmente no país está em curso uma devastação cruel dessas matas, cujo impacto seca os córregos. Esse fator acelera o processo de desertificação do semiárido brasileiro. Pesquisadores já avaliam que a chance de em 50 anos essa região do país se igualar ao deserto do Saara, no norte africano.

“As pessoas mais velhas daqui do Quilombo contam que antes tinham muitas nascentes. Mas depois das construções de estradas elas denominam a secar. Eu ia mesma lavar roupa em rios próximos daqui com sete anos. Hoje, pode chover de manhã que de tarde já não tem mais água neles ”, relatou Maria Aparecida.

Mossa Santa e Córrego do Narcisio

área quilombola que passa por uma situação semelhante em Chapada do Norte é a comunidade Mossa Santa, que abriga 80 famílias; 23 delas enfrentam escassez de água. O poço artesiano de Mossa não possui condições de prover a todos na comunidade.

“A gente está sendo abastecido pela água do caminhão pipa, mas a água não dá para beber. O que precisamos é da canalização da água de municípios vizinhos ”, afirmou Maria Aparecida de Oliveira, moradora do quilombo.

A comunidade quilombola de Córrego do Narcisio é outra que também sofre com falta de água. Localizada em Araçuaí, no Jequitinhonha, o quilombo de 62 famílias é próximo de uma barragem, onde há água suficiente para o abastecimento da população, segundo Maria Aparecida Nunes.

“Todos os dias nós temos que buscar água nessa barragem. O que queremos é um meio de a água vir até nós. Com essa falta de água, o que pode ocorrer ocorrerá uma ocorrência de gente do quilombo ”, diz Maria Aparecida.

Propostas

Verificar a situação de vários quilombos no último fim de semana, a Federação N’Golo primeiro cinco propostas de ação para atenuar o problema :

– Proposição de uma audiência pública na região do Jequitinhonha para discutir a questão da água;

– Buscar apoio para criação de bancos de sementes;

– Busca junto aos espaços midiáticos para a divulgação das violações e do racismo institucional vigente na região;

– Trabalho de base junto às comunidades;

– Lançamento de uma campanha online para levantando de recursos e apoio para implementação de tecnologias sociais voltadas à produção, saneamento básico rural e acesso à água.

O problema da escassez hídrica é um dentre os diversos problemas dos quilombolas. O maior deles é a não titulação das terras, o que acarreta em conflitos agrários. Existe também a falta de acesso a saúde e educação pública nessas comunidades.

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Fonte: BdF Minas Gerais

Edição: Elis Almeida


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