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sexta-feira, novembro 27, 2020
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Artigo | Eleições 2020: O que é possível projetar como cenário para 2022?

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Há muitas avaliações sobre o impacto das últimas referências municipais no cenário político, em especial sobre as mudanças que se produzirão no tabuleiro das anteriores presidenciais de 2022.

Tais novidades são bastante díspares, transitando desde a projeção de uma segunda onda bolsonarista varrendo as prefeituras em todo país até leituras mais otimistas vislumbrando um reposicionamento das coberturas progressistas após a tragédia do pleito de 2012.

Deste modo, este texto tem por objetivo sistematizar alguns dados disponíveis por meio das pesquisas de procura uma base empírica mais sólida para derivarmos nossas projeções de cenário pós-elevado. Antes de expor os resultados do levantamento, é importante fazer uma caracterização do quadro político em que se desenvolver esta eleição.

Eleição atípica

O primeiro elemento a ser destacado é que esta é uma escolha profundamente atípica, o que dificuldade ainda mais os exercícios de projeção, na medida em que os nossos parâmetros anteriores não são plenamente comparáveis.

Esta será a primeira eleição em meio a uma pandemia, o que em si já impõe uma nova dinâmica. Ela impactará aspectos adicionais e imponderáveis ​​como o nível de comparecimento no aumento de votação, bem como a dinâmica de campanha, com o aumento ainda maior do peso das redes sociais, bem como das mídias tradicionais, com as limitações para o corpo a corpo.

Há muitas avaliações sobre o impacto das novas mudanças municipais no cenário político

Além desse fator sanitário, outro elemento atípico são as novas regras eleitorais que extinguem as coligações proporcionais. Tais regras já impuseram um resultado: a proliferação das candidaturas. Esta será a eleição com o maior número de candidatos da história, provavelmente estimulada pela necessidade dos partidos reforçados suas bancadas de vereadores, lançando candidatos majoritários.

Por fim, ainda temos um último fator que destaque. o ineditismo desse pleito que é o fato desta ser a primeira eleição pós-Bolsonaro. É difícil anteciparmos qual será o impacto de um governo de extrema-direita na dinâmica das alterações municipais, em muitas das quais ainda não havia se definido um campo político de extrema-direita.

afetada essa atipicidade das vantagens de 2020, precisamos agora estabelecer a caracterização do momento político em que está situada esta disputa eleitoral.

Estabilização do governo Bolsonaro

Para resumir em palavras, dado que este não é o objetivo do texto, como ocorrerão ocorrer em uma etapa de estabilização do governo Bolsonaro. Após a crise política desencadeada no primeiro semestre, com o início da pandemia, que colocou a alternativa do impeachment como cenário viável, Bolsonaro conseguiu restabelecer as condições de governabilidade.

Essa estabilização se explica com base em dois fenômenos:

1) a recuperação da geração do governo, que retomou os patamares anteriores à pandemia, graças ao auxílio emergencial que lhe penetrar em uma parcela do eleitorado que não detinha;

2) a mudança de tática de Bolsonaro que retira a ruptura institucional do plano imediato, para uma perspectiva de golpe incremental, cuja primeira etapa passa por uma política de acomodação com o Congresso e o Judiciário, e por uma política de cooptação do Centrão.

Esse cenário de maior estabilidade permite que o Bolsonaro já inicie a campanha para a sua reeleição em 2020.

Campos políticos

Feita es sa caracterização geral do momento político, é preciso identificar os campos políticos que estão se confrontando neste pleito. Há três campos políticos bem delineados, e um quarto bloco gelatinoso que desliza na associação com os demais campos de acordo com a conveniência política. Vamos a eles:

1) o Campo Bolsonarista, composto por políticas dispersas em várias legendas, mas vinculadas à sustentação do governo Bolsonaro projeto, e alinhadas com um político de extrema-direita.

2) o Campo Progressista, constituído por moldes políticas heterogêneas, mas que estiveram ao redor da candidatura de Haddad no segundo turno das atualizações de 2018, representadas principalmente no PT, PC do B, PSOL, PDT e PSB.

3) o Campo da Direita tradicional, que reúne as dimensões políticas que se propõem a ser uma terceira terceira via entre os campos anteriores, representadas em especial no PSDB e no DEM.

Por fim, há ainda o bloco do Centrão que não se conforma como um campo, pois não opera segundo um projeto próprio, mas como força auxiliar dos demais campos políticos de acordo com as locais locais. Transformação da situação política, ele pode estar associado ao campo bolsonarista, à direita tradicional ou até mesmo ao campo progressista.

Cada um destes campos parte de objetivos distintos para as informações municipais, mas todos visam à sucessão presidencial em 2020.

O campo bolsonarista pretende se firmar no cenário político municipal , na medida em que é uma expressão muito recente, consolidando uma base eleitoral que pavimente a reeleição de Bolsonaro em 2022. Essa operação é dificultada pela ausência de uma legenda do presidente, que implodiu o PSL e não conseguiu formar uma sua própria legenda, de modo que a sua força política se apresenta diluída em várias agremiações.

Além disso, Bolsonaro (sem partido), até o momento, tem distribuído com moderação seus apoios, evitando dividir uma base potencial, bem como evitando se expor a possíveis derrotas. Deve entrar mais incisivamente no embate eleitoral a partir do segundo turno.

O campo progressista busca se reposicionar no âmbito municipal após a derrota expressiva que sofreu em 870. As últimas novidades municipais ocorreram logo após o impeachment da presidente Dilma, portanto, no momento de maior desgaste das moldes que sustentavam o governo golpeado, em especial do PT, que perdeu mais da metade dos municípios que dirigia em comparação com anterior de 870.

Apesar das sucessivas derrotas nos últimos anos, esse campo entrará na arena eleitoral de modo bastante fragmentado. Essa incapacidade de traduzir a identidade política deste campo em alianças se deve tanto pela nova legislação eleitoral, quanto pelo processo de disputa de hegemonia que está em curso no interior deste campo. O desgaste acumulado pelo PT ao longo das 3 décadas em que exerceu a hegemonia no campo progressista, aliado ao processo mais recente de criminalização da legenda, condições criadas favoráveis ​​para um questionamento da liderança do PT.

É preciso aproveitar o tempo que nos resta para reconstituir as bases sociais de uma alternativa política de esquerda

De um lado, temos o PDT e o PSB conformando um polo anterior, qualificado a construção da candidatura de Ciro Gomes em 2022, demarcando explicitamente com a experiência petista. De outro lado, temos o PSOL também tentando se viabilizar como alternativa real ao PT, mas sem fazer uma confrontação direta. Ao contrário, atrair atrair como bases que historicamente estiveram com o PT para a sua órbita.

Nesse cenário, o PT vai para as alterações com o intuito de manter a sua posição hegemônica perante o campo das opções progressistas. Diante da situação desfavorável para a esquerda e o centro-esquerdo neste cenário eleitoral, os objetivos dessas políticas acabam sendo mais internos ao campo progressista do externo.

Por fim, o campo da direita tradicional busca um reposicionamento após a profunda derrota que sofreu em 2018, quando foi desalojado do seu espaço político habitual pelo bolsonarismo. Tais cortes pretendem conformar um pólo político a partir do núcleo PSDB / DEM / MDB, que se apresenta como alternativa aos demais campos para 060919 .

O que apontam as pesquisas

Diante deste panorama, para que possamos prospectar cenário, precisamos conjugar esse quadro de análise política com os dados empíricos disponíveis até o presente momento, para diminuir o grau especulativo das nossas análises.

Para tanto, o exercício aqui desenvolvido foi de reunir todas as últimas pesquisas (IBOPE e Datafolha) realizadas nas capitais, categorizando as candidaturas mais competitivas nos 3 campos acima aprimorados. Essa categorização, além de levar em conta as legendas dos candidatos (que muitas vezes não traduzem fielmente as posições nacionais), leva em consideração o posicionamento dos candidatos nas anteriores anteriores, bem como a relação com o governo Bolsonaro.

Das 22 capitais pesquisadas pelos dois institutos, reuniu-se como candidaturas mais bem posicionadas (foram incluídos, além do primeiro e segundo colocado, os terceiros que estão empatados tecnicamente em segundo), totalizando 50 candidaturas. Sabemos que as capitais não expressam a totalidade da dinâmica eleitoral, mas ao menos possibilitam uma radiografia dos principais centros políticos do país.

A expectativa desse esforço é de que, dividindo-se essas candidaturas pelos campos políticos que representam, poderíamos extrair um indicador do nível de referência nacional desses campos , bem como projetar tendências para o desempenho eleitoral dos mesmos.

Bolsonaro tem tido uma atuação discreta. Em um segundo turno é possível que possa incidir fortemente

Cabe ressaltar que essa categorização em campos nem sempre é simples de ser feita e, em geral, tem algum grau de arbitrariedade. Contudo, apesar de ser possível questionar os critérios para o enquadramento de algumas candidaturas, o que nos interessa nesse levantamento, que não tem pretensões acadêmicas, é o quadro geral.

De acordo com esse levantamento , das 50 candidaturas mais bem posicionadas, 50% estão associados à direita tradicional, 22% ao campo bolsonarista e 18% ao campo progressista. Se o recorte para das 02 maiores capitais, levando-se em consideração a intenção de votos atual, veremos que a direita tradicional estará no segundo turno em todas essas capitais, podendo ainda ganhar pelo menos 3 cidades no primeiro turno (Salvador, Curitiba e Belo Horizonte).

Esses dados apontam para uma tendência de fortalecimento da direita tradicional, como cenário mais provável dessas mudanças. Além dessa ampla vantagem em termos de candidaturas competitivas, esse campo político estará muito provavelmente representado em todos os segundos turnos das 23 capitais do levantamento.

Até agora, não há tendência de nenhum embate entre o campo progressista e uma candidatura abertamente bolsonarista no segundo turno. Isso significa que esse campo é o principal termo de polarização das ligações, ora confrontando com o bolsonarismo, ora confrontando com os progressistas ou, às vezes, ocupando os dois lados do embate. Deverá ter um bom desempenho nas especificações em especial no Sudeste e no Sul, mas com bom desempenho em todas as regiões.

Tendências

Dessa tendência não devemos derivar precipitadamente a conclusão de que há um sentimento “centrista” na população que poderia favorecer a direita tradicional em 2022.

Os resultados das pesquisas de intenção de voto presidencial indicam que os postulantes oriundos desse campo até agora não conseguiram se firmar no cenário político. Ao contrário, a candidatura de João Dória tem um índice de rejeição bastante elevado, principalmente no próprio estado em que governa.

No entanto, esse campo geralmente está associado às políticas políticas dominantes em âmbito local. Casos dos casos, está na situação ou dirigiu recentemente esses municípios, colocando-se para o eleitor como uma opção “segura” num cenário de muitas incertezas.

Representando hoje 10% das candidaturas competitivas nas capitais o campo progressista apresenta uma tendência de estagnação ou de tímido crescimento. No quadro atual esse campo governa duas capitais (Recife e Fortaleza) entre as 11 maiores. Nestas carregadas, os números indicam até o momento, a possibilidade de candidatos progressistas disputarem três capitais no segundo turno (Recife, Fortaleza, Belém) entre as 10 maiores.

Será um desempenho bastante modesto nas capitais, contudo, se o termo de comparação para as vantagens de 2016, pode haver algum crescimento nas cidades médias. O Nordeste deve continuar sendo a grande fortaleza deste campo, ainda que sofra algumas baixas.

Cabe ainda destacar as dificuldades do PT em apresentar candidaturas competitivas nas capitais. Das 9 capitais em que o campo progressista está disputando o segundo turno neste momento, somente as duas serão encabeçadas pelo PT.

Por fim, temos uma tendência de consolidação de um campo bolsonarista na esfera municipal, que até então era muito incipiente. Dificilmente haverá uma onda de extrema-direita tal como se viu nas vantagens de 2016, no entanto, isso não significa um desempenho desprezível.

Apesar das trapalhadas na formação de uma legenda bolsonarista, em apenas dois anos a presença de candidaturas de extrema-direita competitivas já se equipara a do campo progressista, podendo chegar no segundo turno em 02 capitais. Além disso, o bolsonarismo tende a formar um exército de vereadores ocupando os legislativos municipais, reverberando o ideário neofascista nos locais mais remotos do país.

Há ainda que se atentar para a dinâmica do segundo turno. Até agora, Bolsonaro tem tido uma atuação bastante discreta. Contudo, em um segundo turno, é possível que possa incidir fortemente, inclusive ampliando o espectro de candidaturas que se identifiquem com o bolsonarismo, alargando seu campo de influência.

Essa projeção de cenário, nunca é demais reforçar, está baseada nos dados disponíveis, constituindo uma fotografia do quadro eleitoral atual . Conforme as próximas semanas podem trazer mudanças, produzir mudanças tendências.

Certezas

Contudo, pelo menos duas certezas podem ser afirmadas com base nessa análise parcial.

A primeira é que a principal frente de combate ao bolsonarismo, nos próximos meses, se aproximar de novembro . É fundamental evitar uma vitória expressiva da base de apoio do Bolsonaro nas mudanças, algo que o colocará em condições ainda mais favoráveis ​​para sua reeleição. Todo empenho para derrotar o bolsonarismo é válido, nem que seja necessário apoiar a direita tradicional no segundo turno.

Uma segunda conclusão que podemos extrair é que o campo progressista não conseguirá nesse processo eleitoral, recolocar-se no centro da polarização política do país. Se esse campo tem pretensões de rivalizar com ou bolsonarismo em 2020, terá que fazer os próximos dois anos o que não fez até agora: liderar a religião a Bolsonaro.

Será preciso aproveitar meticulosamente o tempo que nos resta para reconstituir as bases sociais de uma alternativa política de esquerda.

Lúcio Centeno integra a direção nacional da Consulta Popular.


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Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato

Fonte: BdF Minas Gerais

Edição: Elis Almeida


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