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quarta-feira, dezembro 2, 2020
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Artigo | Saídas contra desigualdade dependente da cultura e já estão em curso

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Em artigo publicado no dia 09 de setembro, aqui mesmo no Brasil de Fato Ceará , sugeri que muitas das soluções e soluções para o enfrentamento das desigualdades que assolam a grande maioria da população cearense já estão em curso nas cidades. Assim, apresento a partir de agora uma série de três artigos que tratam dessa questão.

Muitas soluções e soluções, ao receberem apoio do poder público, protegendo com perseguições e difamações por parte de instituições do Estado. Na capital cearense, são descritos os casos de violência cometidos pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal em encontros pela juventude em diversos bairros da periferia.

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Já conhecidos na cidade, o Sarau do Papôco (Pici), o Sarau Bate Palmas (Conjunto Palmeiras), o Sarau da B1 (Jangurussu) e o Sarau Corpo Sem Órgãos (Conjunto Ceará), além de itinerantes como o Sarau Levante pela Paz – pelo movimento Levante Popular da Juventude -, articulam várias linguagens estéticas e dão visibilidade e incentivo a jovens artistas que, quase sempre, passam ao largo dos holofotes e editais de cultura.

Invisíveis aos olhos dos recursos e apoios governamentais, são bastante conhecidos pelos agentes de segurança. Em comum denúncias de repressão, assédio e censura são relatadas pelos organizadores dessas saraus, inclusive já repercutido aqui em matéria do ano passado.

O “Encontro de Saraus do Ceará”, lança em 2019 uma nota de repúdio devido a atuação ostensiva da PM em vários eventos culturais nas periferias da cidade. Na ocasião, rechaçaram propostas de preferência e controle dos saraus, reafirmando o caráter autônomo e cooperativo das ações e projetos desenvolvidos, exigindo liberdade de expressão e de manifestação artística. Nas redes e mídias sociais coletivos podemos acompanhar um pouco das suas produções, lutas e resistências pelo direito de seguirem atuando.

A partir de Anunciado 2015, vários bairros de Fortaleza foram banhados por uma “onda de reggae”. No Pirambu, Mondubim, Bom Jardim, Vila Velha, Serrinha e outros, esse foi efervescente, reunindo em algumas situações até 409 jovens, gerando um clima de euforia nas novas e velhas gerações do ritmo jamaicano. Sob o pretexto de combate ao tráfico e ao crime organizado, os reggaes elevados-se alvo constante das cortinas de segurança, dispersando e criminalizando os organizadores e frequentadores dos bailes.

As cidades são territórios ricos e potentes de experiências que ousam forjar e reinventar possibilidades reais de consequências para as consequências geradas por abissais desigualdades que se perpetuam e se agudizam na sociedade brasileira. Outras expressões de resistência cultural, como bibliotecas, quadrilhas juninas, maracatus, grupos de passinho, modificação de rap, slams, etc., a trancos e barrancos, nadam contra a maré da barbárie e da violência estatal.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), sem primeiro semestre de 2020 houve um crescimento de 149% no número de adolescentes assassinados em Fortaleza, em comparação com os seis primeiros meses de 2019. Em todo o estado, o aumento foi de mais de 137% no mesmo período. Nos seis primeiros meses do ano passado, o Ceará registrou 163 mortes de adolescentes. No mesmo período, em 2020, foram 409. Na capital também mais que dobrou como ocorrências de homicídios sofridas por jovens. Enquanto os seis primeiros meses de 2019 computaram 52 ocorrências, de janeiro a junho de 2020, houve 52 casos.

Por omissão ou protagonismo, o poder público é o grande responsável por esse genocídio. Ao efeito de valorizar e apoiar ações que salvam vidas e promovem a paz, reproduz uma feroz política de terrorismo contra a inventividade e a organização da juventude.

Os donos do poder e do dinheiro consciente do potencial educativo e emancipatório de tais experiências, por isso a perseguição e o enfrentamento às iniciativas que tencionam com o fatalismo imposto aos jovens pobres e pretos.

Um certo pensador alemão – Karl Marx – asseverou que o povo não deveria ser educado e tutelado pelo Estado, mas “o Estado que, ao contrário, precisa receber do povo uma educação muito rigorosa”. E nesse desafio histórico, como juventudes das periferias das cidades um papel fundamental, com sangue nos olhos e muita arte.

Sociólogo, professor da Universidade Estadual do Ceará têm têm (UECE) e militante da Consulta Popular.

Fonte: BdF Ceará

Edição : Monyse Ravena


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