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quarta-feira, dezembro 2, 2020
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Artigo | Vamos falar sobre roteiristas negras?

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 <div> <p> <em> Publicado de acordo com no <a href="https://www.facebook.com/recine12/posts/10219277768916270" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Facebook </a> de Renata Martins </em> </p> <p> A história da demissão em massa dos roteiristas negros da sala de desenvolvimento da série de ficção para a Globoplay sobre <a href="https://www.mariellefranco.com.br/quem-e-marielle-franco-vereadora" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> Marielle Franco </a> (1979 - 2018) mexeu muito comigo, sobretudo por saber que muitas salas de roteiros são nocivas e têm adoecido muitas roteiristas negras.  O episódio foi noticiado no sábado (19). </p> <p> Há muitas Histórias de esvaziamento e todas elas são muito parecidas entre si: </p> <p> Primeiro o elogio e a importância de vozes negras.  </p> <p> Depois a exaustão e a indiferença quando não validamos a trama que gostariam.  </p> <p> O descarte é o passo seguinte.  Ele vem acompanhado da desculpa sobre um texto ruim;  falta de preparo, mudança de perfil ou mesmo de conhecimento sobre a escrita de roteiro. </p> <p> E por último: a substituição.  Fazer por alguém que está começando e que não vai se importar em ganhar menos e talvez não perceba que sua função é validar escolhas e não criar.  Além de servir como blindagem para a equipe conquistar o selo antirracista.  </p> <p> <strong> Leia também: </strong> <a href="https://www.brasildefators.com.br/2020/08/07/artigo-o-cultivo-de-referencias-negras-e-a-educacao-antirracista"> O cultivo de referências negras e a educação antirracista </a> </p> <p> Essa estrutura de terror se repete tal qual os atos da narrativa clássica, pois: </p> <p> Sei de roteiristas negras que pediram demissão de projetos grandes e importantes.  Sei de roteirista negra que adoeceu e quase não voltou para o mercado de trabalho.  Sei de roteirista negra que recebia menos que o restante da equipe branca, mesmo exercendo uma mesma função.  Sei de roteirista negra que soube pela boca de outras pessoas que não estaria na sala da segunda temporada do projeto que ela desenvolverá a criar.  </p> <p> Sei de roteiristas negras que ficavam no cantinho - tal qual aquelas fotos de colégios norte americanos - enquanto o restante da equipe decidia os rumos da narrativa.  Ela só era consultada quando eles tinham dúvidas se a trama era ou não racista.  </p> <p> Sei de roteiristas negras que assinaram carta de intenção para editais, mas quando o dinheiro saiu, mesmo que por outras vias, elas não foram convidadas para compor a equipe do projeto.  Sei de roteirista negra que teve seu roteiro exposto por conta de erro de concordância, tendo em vista que quase todos os roteiristas brancos têm gramática precária e quase todos os projetos possuem uma redação final.  </p> <p> Sei de roteirista negra que foi exposta diante dos amigos por errar o cabeçalho de uma cena.  Sei de roteirista negra que virou piada por não saber mexer no <em> rascunho final </em> - e conheço roteiristas brancos que formatam seus roteiros no word até hoje. </p> (atitude) Sei de muitos casos, e por conta disso, essa dos roteiristas negros desse projeto ganha outra dimensão e universalização, ao mesmo tempo em que expõe práticas nocivas de silenciamento presentes nos bastidores.  </p> <p> Solicitar demissão não é só sobre quem pode ou não contar histórias negras, mas sobre quem é autorizado a contá-las desde que o mundo é mundo.  <br> </br> De tudo, me parece que pouco importa a quantidade de roteiristas negros nas salas, já que são vistos apenas como mão-de-obra preta e desprovidos de subjetividades. </p> <p> Nós <em> todes </em>, produtoras, <em> players </em>, emissoras, roteiristas negros ou não, temos muito o que aprender com o processo de desenvolvimento dessa série, porém, uma coisa é certa: <a href="https://www.brasildefato.com.br/minuto-a-minuto/coronavirus-no-brasil" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> 2020 deixará muitas marcas em toda a sociedade </a> pelos motivos que estamos vivenciando, pelas perdas que sofremos, pelo desemprego, pelo descaso político e também pelo tensionamento das vozes negras e insurgentes na construção de um novo e urgente audiovisual nacional. </p> <p> <em> Renata Martins é roteirista colaboradora na empresa Rede Globo, temática como educomunicadora no Instituto Asas e roteirista na TV Cultura.  É diretora e roteirista dos curtas "Aquém da Nuvens" e "Sem Asas" - Vencedor de Melhor Curta de Ficção na 19 º Edição do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e ganhador de Melhor Roteiro no FRAPA 2020 </em>. </p> <p itemprop="editor" rel="editor"> Edição: Rogério Jordão </p> <br> </br> </div> </div>

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