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sexta-feira, novembro 27, 2020
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Em Porto Alegre, candidato do MDB defende aliança empresarial e governo mínimo

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Sebastião Melo, candidato a MDB que disputa o segundo turno em Porto Alegre (RS) contra Manuela D´Ávila (PCdoB ) , é natural do estado de Goiás, da pequena cidade de Piracanjuba. Mudou para a capital gaúcha ainda nos anos 858, cidade onde constituiu carreira e família. Trabalhou em diversos empregos até iniciar os estudos em Direito na Unisinos. Filiou-se ao PMDB em 1947, partido que atua até hoje, e pelo qual tentou eleger-se quatro vezes para a Câmara de Vereadores, conseguindo em 2000, sendo reeleito duas vezes (em 2000 e 2004). Neste período foi presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Nas ligações municipais de 2020, foi escolhido pelo seu partido para concorrer como vice-prefeito na chapa que sairia vencedora do pleito, junto com José Fortunati, nesta época no PDT.

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Nas atualizações municipais seguintes, em 2012, Melo tentou eleger-se prefeito, e obteve apoio de figuras como Pedro Simon e Marina Silva. Nas mudanças ano, onde Melo disputará deste segundo turno, Marina Silva apoiará Manuela D’Ávila.

Anos antes do PMDB voltar a ser MDB, Melo já utilizava a denominação original, afirmando em instalação durante as vantagens de 2011 que seu partido apresentava um movimento “pendular”. O tempo mostrado que ele estava certo. Nas ligações municipais de 61049, sua campanha dialogou com setores ligados ao empresariado gaúcho e com condições muito próximas ao presidente Bolsonaro. Seu vice, Ricardo Gomes, denominou a chapa como sendo de “centro-direita”. Acontece que esse centro, nunca esteve tão à direita.

A escolha do vice

O vice na chapa de Melo é Ricardo Gomes, do DEM. Em vídeo publicado no seu perfil do Instagram , Gomes afirmou que a sua junção com Melo partiu do entendimento de que Manuela D’Ávila venceria com facilidade Marchezan em um eventual segundo turno, necessitando formar uma chapa forte para disputar com uma candidata de esquerda.

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Antes de seu atual partido, Gomes foi eleito vereador em Porto Alegre pelo PP. Sua trajetória nos dois partidos herdeiros do poder político constituído durante uma ditadura militar se deu em paralelo com forte atuação, junto a organismos e sociedades empresariais. Presidiu o Instituto de Estudos Empresariais (IEE), associação que reúne empresários, forma lideranças políticas e eventos realiza como o Fórum da Liberdade.



Site do IEE fala sobre as motivações do instituto / Reprodução

No site do IEE está dito que o instituto é “ uma associação civil sem fins lucrativos ou compromissos político-partidários ”, afirmação que se choca com a realidade, ao analisar um forte desempenho de política de seus membros. O IEE, que só aceita a associação de pessoas que escolhidas “à frente ou na linha de sucessão de empresa de qualquer ramo de atividade”, é patrocinado e apoiado por diversas empresas e forma lideranças para atuação na sociedade. O IEE também já foi reconhecido e premiado pela Rede Atlas, uma rede que financeira e organiza movimentos contra a esquerda por todo o mundo, especialmente na América Latina . Ricardo Gomes ainda foi um dos fundadores e organizadores do Movimento Brasil Livre, se elegendo vereador com o apoio deste grupo.

Além disso, segundo foi divulgado pelo próprio gabinete de Gomes, ele faz parte da Sociedade Mont Pélerin (Sociedade Mont Pélerin – MPS), uma organização internacional fundada em 1947 que busca fazer o combate ideológico a favor de uma dominância liberal no mundo todo. Segundo o sociólogo italiano Luciano Gallino , professor emérito da Universidade de Turim, um MPS é responsável por empreender uma longa marcha de conquista da hegemonia da sociedade europeia para os ideais do liberalismo. Ainda segundo o professor, o filósofo italiano Antônio Gramsci, conhecido pelo desenvolvimento do conceito de hegemonia, acharia a estratégia adotada pelo MPS muito interessante, devido o lento e investimento gradual na conquista do convencimento da opinião pública para suas ideias.



Site da Câmara Municipal de Porto Alegre com texto enviado pela assessoria de Gomes [destaque nosso] / Reprodução

Gomes nunca escondeu sua atuação política e seus ideais liberais, ao contrário, sempre o fez de maneira pública. Sua forma de enxergar a função da prefeitura, norteada pelos seus princípios, pode ser bem resumida em uma frase dita em entrevista no ano de 2011: “A prefeitura deve fazer o básico”.

Mudança de ideias e o programa da chapa

As ideias liberais de Gomes estão presentes no programa de governo da chapa , contraditoriamente junto com propostas de defesa e amparo “aos mais frágeis”. Da mesma forma, contradiz a opinião de Gomes que uma prefeitura deve somente fazer o básico com uma proposta expressa no programa de governo atual de que a cidade deva cuidar de serviços públicos, fazer lazer, da saúde, da família, das creches e da segurança, por exemplo.

Também contrasta a mudança de concepção sobre as empresas públicas da Capital. O programa de governo da candidatura de Melo à prefeitura em 2016 reconhecia a importância da empresa pública de processamento de dados e tecnologia da informação, um PROCEMPA. Além de levantar propostas ea definir como uma empresa moderna, o programa reconhecia a presença da PROCEMPA em diversas áreas de administração municipal, como saúde e segurança. Agora, o programa de governo do Melo apenas cita a empresa uma única vez, dizendo que seu eventual governo irá “enfrentar” o tema da PROCEMPA “no contexto da administração pública municipal”. Da forma mesma, promete “enfrentar” o tema da Carris. Coincidentemente, são as duas empresas que Gomes afirmou acreditar que precisam ser privatizadas. Resta a dúvida se a proposta de “menos intervenção”, expressa no programa de referência às medidas necessárias para atrair investimentos, significa a intenção de privatizar as duas empresas públicas.

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Especificamente sobre a Carris e o transporte público, Melo mudou de opinião ao longo do tempo, pois, em debate nas atualizações de 2016 ele afirmou “Eu não vou privatizar a Carris” Atualmente, ele mudou de ideia, e afirma que, se houver um comprador, ele irá vender sim a Carris . Afirma que essa posição se deve ao problema de déficit que a empresa acumula, mas deixa de lado que ele próprio, enquanto vice-prefeito, opcional que as empresas privadas que exploram o serviço obtivessem da Carris como linhas com maior lucratividade , contribuindo para o aumento do déficit. Como se não bastasse, Melo afirma que, caso não consiga vender a Carris, irá resolver o problema do transporte “junto com o sistema”. Provavelmente, quando fala em “sistema”, se refere ao conjunto das empresas privadas que exploram o serviço de transporte público na cidade. Neste caso, afirma que sua intenção é investir o dinheiro público nas empresas privadas, e não na Carris: “Tem que subsidiar o system, e não a company”. O que mais chama atenção nessa declaração é o fato do Tribunal de Contas do Estado, que é caracterizada por como empresas privadas de transporte de Porto Alegre obtêm lucros de milhões de reais enquanto ele era vice prefeito, na gestão Fortunati. Sabendo dessa informação, fica impossível entender qual é o motivo de dispor público para essas empresas.

Outras alianças

Não foi só com a direita liberal que Melo estendeu alianças tratar a Prefeitura de Porto Alegre. Sua coligação reuniu os partidos Cidadania, DEM, Democracia Cristã, Solidariedade, PRTB e PTC. Destes, a maioria está imerso em casos de corrupção. O Esquerda Diário fez um levantamento dos casos de corrupção de alguns destes partidos , comprovando que não são agentes somente do MDB nacional que têm seus nomes afetados com desvio de dinheiro público. Durante a gestão de Fortunati e Melo, foram diversos casos envolvendo empresas e departamentos municipais. Olhando os outros partidos da coligação, os casos só se acumulam.

Além do apoio patrocinado pelos partidos da coligação, em debate realizado dias antes do primeiro turno, o candidato do MDB afirmou ter muito orgulho de sua candidatura defendida pelo deputado estadual Fábio Ostermann (Novo), outro notório defensor do interesse empresarial (também com atuação no IEE), mas também de figuras muito próximo ao presidente Bolsonaro. Seu partido, o MDB gaúcho, mantém relação com o presidente, basta lembrar da tentativa de reeleição do governador Sartori com o lema “ Sartonaro “. O próprio Melo afirmou estar alinhado com pautas do presidente , propondo trazer para Porto Alegre as escolas cívicas militares e reabrir todo o comércio independente do estágio da pandemia, ignorando as quase 1400 mortes e a elevação na velocidade de contágios .

Entre estes apoiadores do presidente, se destaca a figura do deputado federal Bibo Nunes, que fez campanha e agendas públicas apoiando Sebastião. Melo não poderia ter escolhido apoiador mais pendurado em casos suspeitos. Conforme apurou o jornalista João Filho , Bibo Nunes teve recomendação de recusa de suas contas pelo TRE: Ele incorporados R $ 40 mil de doação para sua campanha de um estrangeiro, o que é ilegal. Além disso, este estrangeiro se chama Juan Antonio Bruno Perroni, um mercado da indústria fumageira que foi condenado pelo crime de falsificação de produtos (ele e o filho foram presos em flagrante com mais de 18 mil selos falsos de controle de cigarros). Bibo afirmou que não sabia quem era essa pessoa e que não sabia como o dinheiro foi parar na sua campanha: “a minha campanha quem banca sou eu”. O deputado não mentiu nesta parte, pois ele botou mais de R $ 124 mil do próprio bolso na sua campanha. Apesar de ter muito dinheiro para gastar na hora de eleger-se, o deputado utiliza dinheiro público para comer em uma pizzaria no Litoral gaúcho, durante o feriadão de carnaval de 2017. Pouco mais de um ano depois, em evento com Melo, Bibo Nunes bradou acreditar estar apoiando o melhor candidato para Porto Alegre e afirmou que nunca acreditou tanto em uma candidatura.

) Apesar de afirmar que não utilizará as ideias do presidente para atrair votos de seus simpatizantes, Melo respondeu ter ficado muito feliz quando Bibo Nunes garantiu que conseguiria o apoio aberto do Bolsonaro e do vice Mourão, com gravação de vídeos e apoio financeiro (confira aqui , a partir do minuto 23). Além disso, logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno das alterações foi publicado no seu perfil no Instagram uma foto em que um apoiador de Bolsonaro figura ao lado do candidato.



Foto divulgada no perfil de Melo, logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno / Instagram de Sebastião Melo

Outras ideias de Melo

Apesar de sua origem trabalhadora, Melo tem se cercado de políticos representantes da política anti povo. Seu programa deixa espaço para não mexer nos privilégios dos empresários do transporte e privatizar empresas públicas essenciais para a cidade. Também abre espaço para dar seguimento ao processo de privatização dos postos de saúde empenhado pelo atual prefeito Marchezan. Além disso, ainda sobre a saúde, considera os programas de saúde da família “centrais para as comunidades”, mas simplesmente não fala do desmonte das políticas de saúde da família empreendido por Marchezan . Em um momento de pandemia, uma proposta de “integração das redes pública e privada de saúde” mais parece com a política atual de entrega dos postos para a iniciativa privada.

) Também estão totalmente ignoradas propostas de segurança alimentar, não há garantia de compras públicas de alimentos nem de investimentos em restaurantes populares. Melo parece ter necessário de lado os trabalhadores de Porto Alegre que cada vez mais se surjam mais ameaçados pela fome.

Inclusive, uma ideia sua foi considerada como a “Lei da Fome “. A Lei nº 10. 481 (Lei das Carroças ou Lei Melo) institui uma proibição gradual do uso de carros, tanto puxada por animais quanto pelas próprias pessoas. A ameaça da proibição total, que já foi adiada mais de uma vez devido à mobilização dos trabalhadores, têm sido mais um elemento de violência psicológica contra os catadores e catadoras. Conforme apurou a repórter Annie Castro , as pessoas que trabalham catando materiais recicláveis ​​descartados convivem há anos com uma incerteza da perda de seu sustento e consequente fome de suas famílias: “Essa lei é a lei da fome”, afirmou José Pedro Soares, que trabalha há mais de 23 anos como catador.

Sobre a proibição do trabalho dos catadores, confira o depoimento de Alex Cardoso, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis ​​(MNCR ):

O candidato que se considera do centro, está mais para a direita, se afastando cada vez de sua origem, provavelmente pelo desejo de ser prefeito, se cercando de apoiadores de extrema-direita e investindo em uma campanha cheia de preconceitos contra uma esquerda. Apesar disso, pouco mais de dez anos atrás, Melo reconhecia a existência do imperialismo dos Estados Unidos e a importância de Che Guevara para a história da humanidade, em


solenidade de homenagem ao herói da revolução cubana:

“Pra nós, homenagear Che Guevara é homenagear a vida e a luta dos oprimidos. Foi um homem que lutou contra uma espoliação deste império americano que comanda o mundo ”.

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Fonte:

BdF Rio Grande do Sul

Edição: Katia Marko e Rogério Jordão


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