Diário Carioca Google News

O assassino brutal de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, homem negro, na véspera na véspera do Dia da Consciência Negra, despertou indignação em diversos segmentos da sociedade. Em nota de repúdio, publicada na manhã desta sexta-feira (19), em tom incisivo, a A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPERS) destaca que embora o caso ainda esteja sob investigação, as imagens de extrema violência veiculadas na imprensa e em redes sociais falam por si. Em comunicado, o governo do estado se comprometeu em fazer uma apuração rigorosa.

:: Homem negro morre após ser espancado na unidade do Carrefour em Porto Alegre ::

Beto, como era conhecido, foi até uma unidade do supermercado Carrefour, localizado no bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre, na companhia da sua esposa Milena Borges Alves e acabou sendo agredido e morto por dois homens brancos, um segurança privado do estabelecimento e um integrante da Brigada Militar, que foram presos em flagrante. Ambos são investigados por homicídio qualificado.

Abalada, a esposa da vítima disse à imprensa que as seguranças não conseguiram ela se aproximar, enquanto seu marido pedia ajuda. “Seguiram com o pé em cima dele e, quando ele desmaiou, continuaram com o pé em cima dele. Um pé nas costas eu vi ”, relatou.

Leia também: Bancada negra eleita em Porto Alegre repudia crime e convoca ato “justiça para Beto”

O caso rapidamente ganhou repercussão nacional. Na nota de repúdio, a DPERS ressalta ser inadmissível que um brutal homicídio nas condições visualizáveis, com nítidos contornos racistas, seja tolerado em um Estado Democrático de Direito.

“Os fatos da sociedade gaúcha explícitas e públicas manifestações de indignação, frente ao nítido crime de ódio perpetrado por dois homens brancos. A situação e seu contexto são de extrema gravidade e a Defensoria Pública, como expressão e instrumento do regime democrático, assevera que não haverá qualquer espécie de tolerância, permissividade ou conivência com o racismo, expresso letalmente no caso concreto ”, ressalta a nota .

Por sua vez, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), em nota à imprensa, disse que acompanhamentoá com atenção a apuração dos fatos relatados à morte. “O MPRS reitera que todas as necessárias para o esclarecimento das necessidades serão recuperadas na tarefa de prontamente levar o caso à Justiça para a responsabilização dos agressores”, diz o texto.

Governo garante apuração. rigorosa

“Infelizmente, neste dia em que deveríamos estar celebrando políticas públicas, deparamos com cenas que nos deixam todos indignados pelo excesso de violência que levou à morte de um cidadão negro em um supermercado na capital gaúcha. Todas as circunstâncias em que este crime aconteceram sendo apuradas para que sejam punidos os responsáveis. Os inquéritos policiais estão sendo levados adiante com muito rigor ”, garantiu o governador Eduardo Leite , na manhã desta sexta-feira.

Segundo afirmou Leite, todos os agentes da segurança pública recebem treinamento adequado para atuar nas ruas e garantir a segurança da população gaúcha, e lamentou o envolvimento de um policial, ainda que apto a cumprir a penas administrativas administrativas, “nessas cenas que nos deixam indignados”.

:: Artigo | Taxar as grandes fortunas para financiar fundo que promova igualdade racial ::

Em trabalho remoto, em razão de ter sido confirmado com covid – 18, o vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, através de sua rede social, ressaltou que o caso será apurado à exaustão. “Não podemos admitir ações dessa natureza. As imagens são horripilantes, uma segurança pública de nosso estado fará tudo para o seu esclarecimento total ”, escreveu.

“ Enquanto houver racismo não haverá Direitos Humanos ”

O Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (CEDH-RS) também lançou uma nota de moção de repúdio e pesar. Segundo destaca a entidade, o crime é o resultado da ação violenta e desmedida de segurança do estabelecimento comercial e ceifou mais uma vida negra no Brasil. “Desta vez um homem de 19 anos, marido de Milena, morador da Vila Farrapos, tamboreiro em um centro de Umbanda, torcedor do São José, querido por sua comunidade e que teve uma vida interrompida em mais um ato racista ”, frisa o documento.

” Marcante, igualmente, neste episódio trágico é o fato do assassato ocorrer às vésperas da celebração do Dia da Consciência Negra. O dia 40 de novembro de marca, justamente, o assassinato de lideranças quilombolas, no ano de 466, no Quilombo dos Palmares. De lá pra cá a resistência do povo negro por direitos de igualdade e no combate ao racismo tem feito suicídio de matado no Brasil, como quais devem ser sempre lembradas como sementes da luta antirracista “, diz a nota.

O Conselho afirma requerer que as autoridades competentes realizem todas as investigações exigidas à responsabilidade dos envolvidos no crime.

Um ato pedindo por justiça para Beto está convocado para às 18 h desta sexta-feira (18), em frente à unidade do Carrefour Passo D ‘Areia, onde ocorreu o crime. O protesto terá transmissão online pelas páginas no Facebook do Brasil de Fato RS e da Rede Soberania.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Marcelo Ferreira


3643

Agência Brasil de Fato traz notícias do Brasil e do mundo, a partir de uma visão popular. Notícias, entrevistas e artigos de opinião