Há pouco mais de uma semana de anunciar restrições de atividades noturnas, o presidente argentino Alberto Fernández fez um novo anúncio na noite de quarta-feira (14).

Após reunião com o chefe de gabinete Santiago Cafiero e a ministra de Saúde Carla Vizzotti, Fernández comunicou a decisão de restringir saídas entre 20h e 6h da manhã; o fechamento de comércios às 19h (atividades gastronômicas poderão funcionar apenas na modalidade de entrega após esse horário); e a suspensão de atividades recreativas, sociais, esportivas e religiosas em lugares fechados; além do retorno à modalidade virtual das aulas.

“O avanço da pandemia está exigindo cada vez um pouco mais de nós”, afirmou Fernández.

“O que tentamos na semana passada foi pouco. No mês passado, acumulamos 45.498 casos de contágios. Na semana que acaba de terminar, acumulamos 122.468 casos, e tudo indica que, nesta semana que corre, vamos superar essa cifra. Multiplicamos mais que por dois a quantidade de contágios em apenas um mês”, enfatizou o presidente.

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Na manhã desta quinta, o presidente Jair Bolsonaro publicou um tweet em referência ao anúncio, sugerindo autoritarismo nas medidas do país vizinho.

Em resposta à declaração do presidente brasileiro, Fernández ressaltou que a Constituição da República Argentina não prevê estado de sítio, ou toque de recolher, em um contexto de crise sanitária.

Também esclareceu que não serão as Forças Armadas a realizar o controle nas ruas durante a vigência da restrição, que tem duração prevista até 30 de abril.

“Não declarei estado de sítio nem penso fazê-lo. As Forças Armadas tampouco existem para fazer segurança interior, mas para atuar em catástrofes brindando apoio à população. Ele deveria ler a Constituição argentina”, apontou Fernández em entrevista à Radio 10.

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O embate que o presidente argentino deverá enfrentar agora será com a cidade de Buenos Aires, governada pela oposição sob comando de Horacio Larreta (PRO) em relação ao fechamento das escolas.

O direitista reivindica a autonomia das jurisdições, algo reforçado também pelo Twitter pelo ex-presidente Mauricio Macri, do mesmo partido.

 

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