Levantamento divulgado pelo Food for Justice – Power, Politics and Food Inequality in a Bieconomy, da Universidade Livre de Berlim, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de Brasília (UNB), mostra que 13,6% dos brasileiros com mais de 18% passaram ao menos um dia sem refeição, entre os meses de agosto e outubro de 2020.

A pesquisa que foi feita com 2 mil pessoas, entre novembro e dezembro de 2020, mostra que a insegurança alimentar – que atingia 36,7% das famílias brasileiras em 2018 – chegou a 59,4% dos domicílios. Ainda de acordo com o estudo, 6 em cada 10 residências brasileiras tiveram dificuldade para organizar, ao menos, três refeições diárias.

Os pesquisadores perguntaram se, entre os meses de agosto e outubro, algum dos entrevistados havia comido menos nas refeições porque não havia dinheiro para comprar comida, 24,4% afirmaram que sim.

Ao todo, 125 milhões de brasileiros enfrentam alguma forma de insegurança alimentar. Seja a redução no número de refeições ou a redução da quantidade de comida no prato, para garantir que não passaria fome em outro momento.


O retorno do Brasil ao mapa da fome é o escancaramento do projeto neoliberal / Agência Brasil

Entre as famílias que enfrentam insegurança alimentar, 66,8% são chefiadas por pessoas pretas e 73,8% são mulheres. Nesses lares, a renda familiar não passa dos R$ 500, o que reforça a importância do auxílio emergencial. Nas casas que são assistidas pelo auxílio emergencial, 74,1% não tinham certeza se fariam uma refeição no dia.

Nas famílias que enfrentam insegurança alimentar, houve uma queda de 44% no consumo de carne, 40,8% na compra de frutas e 17,8% no uso de ovos nas refeições.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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