terça-feira, janeiro 20, 2026
25 C
Rio de Janeiro
InícioCarnavalArticulação política redefine apoio de R$ 10 mi à Mangueira
Folia

Articulação política redefine apoio de R$ 10 mi à Mangueira

A articulação política entre Marcelo Freixo e Davi Alcolumbre resultou em um aporte de R$ 10 milhões do governo do Amapá à Mangueira para o Carnaval de 2026, operação que se tornou um dos maiores investimentos culturais do estado em 2025 e reacendeu o debate sobre o papel de recursos públicos em enredos que projetam identidades regionais no país.


Pontos-Chave

  • Valor: R$ 10 milhões — terceiro maior termo de fomento do Amapá em 2025.
  • Articulação: Aproximação iniciada por Freixo; incentivo político de Alcolumbre.
  • Enredo: Homenagem à Amazônia negra e a Mestre Sacaca.
  • Pagamentos: R$ 6 milhões já liberados até outubro.
  • Justificativa oficial: Fomento cultural e fortalecimento do turismo.

O repasse de R$ 10 milhões firmado pelo governo do Amapá com a Mangueira para o Carnaval de 2026 consolidou-se como uma das alianças políticas mais comentadas do ano. A costura foi impulsionada pela relação entre o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que aproximaram a gestão estadual da Verde e Rosa em uma iniciativa que combina diplomacia cultural, visibilidade nacional e estratégia territorial.

Assinado em abril pela secretária de Cultura do Amapá, Clícia Vieira, irmã do governador Clécio Luís, o termo de fomento elevou o estado ao centro das atenções no universo do samba. Segundo a gestora, o interesse da Mangueira surgiu após diálogo entre Freixo e Alcolumbre, momento em que ambos destacaram a potência cultural do estado e a pertinência de um enredo inspirado na “Amazônia negra”. Freixo confirmou a interlocução, mas foi categórico ao afirmar que não participou de discussões financeiras. Alcolumbre, por sua vez, declarou ter atuado apenas como incentivador do projeto.

A movimentação ganhou forma administrativa ainda no primeiro semestre: de acordo com o Portal da Transparência, R$ 6 milhões — dos R$ 10 milhões previstos — já haviam sido pagos até outubro. O recurso financia o enredo “Amapá, terra das águas e da liberdade: a Amazônia negra brasileira”, centrado na trajetória de Mestre Sacaca, curandeiro e folclorista celebrado por seu vínculo com saberes tradicionais e pela defesa da cultura amazônica.

- Advertisement -

Articulação política e impacto na projeção nacional do Amapá

O governo estadual afirma que a Mangueira foi a única escola interessada em desenvolver um enredo sobre o Amapá e que a homenagem gera retorno estratégico. Na nota oficial, a gestão defende que iniciativas como esta fortalecem o turismo, ampliam a visibilidade cultural do estado e valorizam personagens regionais historicamente negligenciados. O argumento se ancora na ideia de que o carnaval do Rio — maior vitrine cultural do país — é terreno fértil para difusão simbólica e política.

Alcolumbre reforçou que não houve liberação de verbas por parte do Senado e destacou que é frequentemente procurado para tratar de temas envolvendo seu estado natal. Disse, ainda, que se orgulha de ter estimulado o enredo, enxergando nele uma oportunidade de desenvolvimento econômico e consolidação da imagem do Amapá.

Já a Embratur, dirigida por Freixo, não tem qualquer vínculo financeiro com o desfile. A instituição, no entanto, já havia patrocinado o Camarote Verde e Rosa em 2025, com um repasse de R$ 200 mil — ação prevista dentro das estratégias de promoção turística do Brasil. A sugestão do enredo, segundo a própria Embratur, surgiu em conversa entre Freixo e Alcolumbre sobre potencialidades culturais da Amazônia Negra amapaense.

Precedentes e o debate sobre uso de recursos públicos no Carnaval

O caso amapaense não é isolado. Em 2024, Maceió destinou R$ 8 milhões para que a Beija-Flor homenageasse a capital alagoana — episódio que chegou a gerar representação no Tribunal de Contas. Em 2025, o Pará também ganhou protagonismo no enredo da Grande Rio, com recursos obtidos por meio de incentivos fiscais e participação de empresas privadas. Esses precedentes mostram que governos locais vêm utilizando o Carnaval como ferramenta de promoção territorial, numa interseção crescente entre política, cultura e economia.

A assessoria de Alcolumbre reiterou em nota que não houve repasse de verbas de sua alçada e que o incentivo ao projeto visa ampliar a visibilidade do Amapá, fortalecer o turismo e impulsionar a economia cultural do estado.

JR Vital
JR Vitalhttps://diariocarioca.com/
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.
Parimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_online

Mais Notícias

Em Alta:

Mais Lidas