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Estreia hoje, na TV Globo, a série ‘Todas as Mulheres do Mundo’, original Globoplay, que faz uma homenagem à obra do autor, dramaturgo e diretor Domingos Oliveira. A releitura, adaptada aos dias de hoje, traz reflexões filosóficas sobre a vida, o amor e a morte com um humor inteligente e refinado, características marcantes do universo de Domingos. No elenco fixo estão Emilio Dantas, Sophie Charlotte, Martha Nowill e Matheus Nachtergaele. E a série conta ainda com muitas participações ao longo dos episódios, como Fernanda Torres, Felipe Camargo, Maria Ribeiro, Fábio Assunção, Maria Mariana, Lilia Cabral, Priscilla Rozenbaum entre outros.  

A série traz a cada episódio uma nova história de amor vivida por Paulo (Emílio Dantas), um arquiteto morador de Copacabana que se apaixona por mulheres livres, inteligentes e autênticas. Nesta jornada da paixão, o público será apresentado primeiro a Maria Alice (Sophie Charlotte), cuja história com o arquiteto permeia toda a série. A cada episódio o público conhece uma nova paixão de Paulo: Adriana, Elisa, Laura, Martinha, Renata, Pâmela, Gilda, Sara, Natália, Pink. O envolvimento dele por essas mulheres é sempre correspondido. Mesmo assim, todas o deixam para trás. O que permanece é o amor que ele sente por Maria Alice. 

O primeiro episódio, que vai ao ar nesta terça, apresenta Paulo e sua paixão à primeira vista por Maria Alice (Sophie Charlotte), que chega em seu apartamento para a festa de Natal. A jovem bailarina, que está noiva de Leopoldo (Ricardo Gelli), acha graça da gentileza exagerada do anfitrião. Com o tempo, compreende a verdade do sentimento do arquiteto por ela e acaba se envolvendo com ele. A história também mostra a grande amizade de Paulo com Cabral (Matheus Nachtergaele) e Laura (Martha Nowill). É para eles que o arquiteto faz confidências sobre sua vida e suas aventuras amorosas, assim como busca consolo para suas frustrações. 

Jorge Furtado e Janaína Fischer se debruçaram na obra de Domingos para escrever os episódios de ‘Todas as Mulheres do Mundo’, que leva o nome do filme de 1966 que tinha como protagonistas Paulo José e Leila Diniz. Os autores se basearam em diversos textos do autor, que morreu em 2019, para criarem as histórias da série. Alguns personagens foram retirados das linhas de Domingos, e outros foram criados a partir do universo dele. 

O fato de a série, lançada em 2020 no Globoplay, estar agora na TV aberta é motivo de comemoração para os integrantes do elenco. “Fiquei feliz quando descobri que ‘Todas as Mulheres do Mundo’ estaria na grade da TV aberta, porque é uma série feita com muito afeto, algo que estamos precisando nesses tempos”, convida Emilio Dantas. Matheus Nachtergaele acredita que é uma oportunidade de o grande público ter contato com a obra de Domingos: “A série estreando na TV aberta é uma alegria. Domingos Oliveira foi um grande cineasta e dramaturgo. Um homem que fez filmes e peças de teatro interessantíssimas, como diretor e autor, para um público de certa maneira restrito”. “Saber que Domingos Oliveira vai entrar com todo seu humor, inteligência e afetividade na casa das pessoas, dá uma alegria no peito”, faz coro com os colegas a atriz Martha Nowill. 

Domingos Oliveira 

Reconhecido e referenciado por sua atuação como cineasta, diretor de teatro, roteirista, dramaturgo e ator, Domingos Oliveira era um homem à frente do seu tempo e se consagrou com uma vasta produção no cinema em quase 60 anos de carreira. Engenheiro de formação, Domingos nunca trabalhou na área. Se envolveu no teatro amador, campo pelo qual se apaixonou e onde começou a escrever e produzir. Quando lançou seu primeiro longa-metragem, “Todas as Mulheres do Mundo” (1966), já havia escrito dezenas de peças de teatro e dirigido diversos filmes nacionais. “Domingos era um poeta da paixão. Era apaixonado pelo amor, pela vida e pela arte, e apresentava sua visão de mundo, sua originalidade, em tudo que produzia”, relata Jorge Furtado, que assina o roteiro da série com Janaína Fischer.  

Segundo o autor, o projeto da série tomou forma dois anos antes da morte do dramaturgo. A obra ganhou histórias e personagens inéditos e contou com a valiosa contribuição do próprio Domingos, que ainda em vida leu roteiros e fez sugestões ao que foi escrito pelos autores. “Domingos e eu trocamos muito sobre os personagens. Nos episódios, há vários trechos originais e poesias inéditas dele”, explica Jorge Furtado. Sete textos originais do dramaturgo foram usados como referência: “Todas as Mulheres do Mundo”; “Amores”; “Separações”; “Os Inseparáveis”; “A Primeira Valsa”; “BR 716”; e “Largando o Escritório”. 

Diretora artística da série, Patricia Pedrosa destaca a importância da obra de Domingos para a dramaturgia brasileira e conta os desafios de manter a essência de seu universo ao trazer a narrativa para os dias atuais. “O filme ‘Todas as Mulheres do Mundo’ foi muito importante para a época. Domingos conseguiu conduzir essa narrativa de uma forma muito naturalista em um período em que Glauber Rocha (cineasta 1939 – 1981), Nelson Pereira dos Santos (cineasta 1928 – 2008), por exemplo, faziam filmes mais políticos. E veio o Domingos fazendo essa dramaturgia mais leve, mais solar, e ao mesmo tempo, um retrato muito fiel da sociedade e das pessoas daquela época. Na série, tentamos pegar a essência do que o Domingos fez em sua obra, adaptando e transportando-a para o agora. Fizemos esse trabalho com todos os personagens, em todos os episódios, trazendo-o para mais perto do que vivemos hoje, fazendo essa transposição”, explica.  

A presença de Domingos também se reflete no elenco. Fazem parte do casting atores que trabalharam ou conviveram com Domingos Oliveira, como a filha, Maria Mariana, a produtora cultural Renata Paschoal, com quem o dramaturgo trabalhou por 15 anos, as atrizes Maria Ribeiro e Fernanda Torres e a viúva Priscilla Rozenbaum. Sophie Charlotte, a Maria Alice da série, foi grande amiga de Domingos. “Esse projeto tem um significado especial para mim. É a minha declaração de amor ao Domingos Oliveira, meu mestre! Acho que nesse momento tão difícil é importante lembrar do valor do amor nas nossas vidas. Cada encontro amoroso, cada momento de alegria, de paixão deve ser celebrado. A série fala disso também”, conta a atriz. 

Comunicação Globo

Rio de Janeiro, 02 de fevereiro de 2021

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