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Nesta 24a edição, a Mostra de Cinema de Tiradentes contou com uma seleção de 81 curtas-metragens para compor as diferentes sessões que anualmente atraem os fãs da sétima arte interessados em conhecer os rumos e tendências do formato na produção brasileira. Uma delas é a Mostra Formação, dedicada inteiramente aos filmes realizados em escolas e faculdades, que evidenciam a potência e a efervescência criativa dos jovens realizadores brasileiros, que mesmo em tempos e condições tão adversas conseguem propor experimentos e narrativas inventivas.

Convidamos dois realizadores – um professor de escola pública no Rio de Janeiro e uma universitária mineira para comentar sobre os desafios da produção em ambiente estudantil e a experiência da exibição de suas produções no maior evento dedicado ao cinema brasileiro contemporâneo.

Cinema Universitário

O curta “Ela viu aranhas”, de Larissa Muniz, oferece os pontos de vistas de várias mulheres que ocupam o mesmo apartamento. Elas falam sobre vida, paixões, dificuldades, e celebram sua existência.

O filme foi realizado como projeto de conclusão do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Larissa afirma que por ser um trabalho acadêmico, foi feito totalmente sem recursos, com a equipe trabalhando de forma voluntária e com equipamentos emprestados. “Por ser meu primeiro filme, o desafio inicial foi arquitetar toda a produção. Não me graduei na área, cursei a Escola Livre de Cinema, em BH e nunca tinha realizado um filme nos moldes de produção tradicionais, com set, equipe completa e tudo mais”.

A jovem diretora destaca a relevância do espaço universitário para quem está iniciando sua trajetória. “Sabia que precisava recorrer a essas estruturas para conseguir fazer o filme. A parte mais complicada quando estamos começando é que ninguém conhece nosso trabalho. Isso exige muita vontade, energia e confiança para fazer a coisa toda desenrolar. O legal da universidade é que tem muita gente querendo aprender, disposta a fazer os filmes na experimentação, sendo também um ótimo espaço para formar parcerias e desenvolver projetos”.

Finalizado em 2020, o curta recebeu vários “nãos” até chegar ao tão sonhado “sim” da Mostra  Tiradentes. “É uma grande oportunidade poder exibi-lo neste evento que tem uma importância imensa para o cinema brasileiro e para minha formação. Ser selecionada para Tiradentes é um ‘selo’ que o filme recebe, que pode abrir mais possibilidades de distribuição, reconhecimento e visibilidade. Para quem, assim como eu, está fazendo seus primeiros experimentos com cinema é fundamental”, comemora a cineasta.

A relação da diretora estreante com o evento começou em 2018, pouco depois de iniciar os estudos em cinema. No ano seguinte, integrou o Júri Jovem, que elege o melhor longa-metragem da Mostra Olhos Livres. E em 2020, cobriu o evento pela Revista Rocinante. Agora em 2021, além de ter seu curta selecionado para a Mostra Formação, continua a fazer coberturas pelo recém-formado ‘Coletivo Zanza de Crítica e estudos de Cinema’. “A Mostra Tiradentes desafia muito meu olhar porque são muitos filmes com propostas de linguagem bastante diferentes. Enquanto crítica, realizadora e espectadora, fico sempre tentando entender como essas obras me afetam e o que elas estão indicando sobre o cinema brasileiro contemporâneo”.

Cinema na Escola

Da Escola Municipal Adalgisa Nery, no Rio de Janeiro, vem a produção “Para Todes”, dos diretores-estudantes Victor Hugo, Samara Garcia e equipe. O filme é um curioso experimento de cinema direto, que põe adolescentes numa discussão sobre a cultura machista do futebol, que existe mesmo no ambiente escolar.

O curta é um dos frutos do projeto “CineEscola”, criado pelo professor Ygor Lioi junto com os cineastas Nathalia Sarro e André da Costa Pinto, na escola localizada na zona oeste da capital fluminense. Ygor explica que o projeto possui três pilares: o empoderamento da juventude através do audiovisual, a capacitação por meio de oficinas e a visibilidade. “A primeira ação que fizemos  foi levar 100 alunos e alunas a um cinema que ficava 90 km de distância da escola e do bairro deles. A partir disso, temos feito um trabalho conjunto pensando em democratizar o acesso à produção cinematográfica e mostrar essas memórias e vozes subalternas para o mundo”

Segundo o professor e orientador do projeto do filme “Para Todes”, é impossível mensurar a alegria de estar na Mostra Tiradentes. “Estar numa das mais tradicionais mostras do Brasil é fundamental para abrir portas no próprio processo de democratização do cinema quando pensamos em produções no ensino básico e ajuda a reverberar as narrativas produzidas pelos estudantes.”

Confira abaixo a relação dos filmes feitos que integram a Mostra Formação da 24ª Mostra de Cinema de Tiradentes:

  • “Pátria”, de Lívia Costa e Sunny Maia
  • “Caminhos na noite”, de Douglas Oliviera
  • “O filho do homem”, de Filipe Rodrigues
  • “Ela viu aranhas”, de Larissa Muniz
  • “Vander”, de Bárbara Carmo
  • “Noções de casa”, de Giulia Maria Reis
  • “Comboio pra lua”, de Rebeca Francoff
  • “Para Todes”, de Victor Hugo, Samara Garcia e equipe
  • “A verdade sai de seu poço para envergonhar a humanidade”, de Matheus Strelow

A Mostra Formação conta ainda com dois bate-papos com os realizadores dos curtas, mediado pela curadora Tatiana Carvalho Costa. Todos os filmes podem ser vistos gratuitamente, até amanhã, dia 30 de janeiro, pelo site oficial do evento www.mostratiradentes.com.br. Os debates estão disponíveis no site oficial do evento e também no Canal do Youtube da Universo Produção.

SOBRE A 24MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

PLATAFORMA DE LANÇAMENTO DO CINEMA BRASILEIRO

Maior evento dedicado ao cinema brasileiro contemporâneo em formação, reflexão, exibição e difusão realizado no país. Apresenta, exibe e debate, em edições anuais, o que há de mais inovador e promissor na produção audiovisual brasileira, em pré-estreias mundiais e nacionais – uma trajetória rica e abrangente que ocupa lugar de destaque no centro da história do audiovisual e no circuito de festivais realizados no Brasil.

Trata-se de um programa audiovisual que reúne as manifestações da arte numa programação cultural abrangente, oferecida gratuitamente ao público, que prevê a exibição de mais de 100 filmes brasileiros, promove homenagem, oficinas, debates, mostrinha de cinema, exposições, shows musicais, performance audiovisual, encontros e diálogos audiovisuais e atrações artísticas.

TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.

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