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Randolfe Rodrigues é, neste momento, o senador mais emblemático que há na parada, pois reflete, como uma fotografia três por quatro, os tempos atuais, tempos de despautério. Randolph Frederich Rodrigues Alves não é amapaense, mas conterrâneo de Lula. Nasceu em Garanhuns, Pernambuco. Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Caetés, que até 1964 era distrito de Garanhuns. Randolfe nasceu em 6 de novembro de 1972.

Migrou para Macapá, Amapá, aos oito anos de idade; lá, se graduou em História e em Direito e começou a trabalhar como professor. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e se elegeu deputado estadual, em 1998, reelegendo-se em 2002. Em 2005, filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), de extrema esquerda, dissidente do PT.

Em 2006, não conseguiu eleger-se deputado estadual e, em 2008, foi candidato a vice-prefeito de Macapá, também derrotado. Deu a volta por cima em 2010, quando foi eleito o senador mais votado do Amapá, com 203.259 votos. 

Randolfe já tentou ser presidente da República, pois sonha em tornar o país uma Cuba continental, ou Venezuela. Em 2014, o PSOL escolheu o senador para disputar o cargo, mas Randolfe pensou duas vezes e desistiu, para “construir uma alternativa política contra o retorno das forças conservadoras no estado do Amapá”. 

Em setembro de 2015 deixa o PSOL e se filia à recém-criada Rede Sustentabilidade. Reeleito senador em 2018, é o líder da oposição ao governo Bolsonaro, por quem nutre ódio, pois Bolsonaro o trata com desprezo e o chamou de saltitante.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro editou a Medida Provisória 904/2019, que extingue o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Vias Terrestre – DPVAT. Logo depois Randolfe Rodrigues deu entrada no Supremo Tribunal Federal (STF) com Ação Direta de Inconstitucionalidade, defendendo que a MP era inconstitucional; o Supremo acatou a ação e impediu a extinção do seguro obrigatório. É daí que Randolfe recebeu o apelido de Senador DPVAT.

Mas a razão de Randolfe ser tão emblemático é o vírus chinês. Em 4 de fevereiro passado, ele protocolou um pedido de comissão parlamentar de inquérito para investigar gastos e “omissões” do governo Bolsonaro durante a pandemia de covid-19 no Brasil, e apelou para o Supremo, que, intrometendo-se no Senado, obrigou-o a instalar a CPI, que é, hoje, um espetáculo de horror.

Primeiro que se proibiu, no início da CPI, que se investigasse o único crime cometido na pandemia: o Supremo proibiu o governo federal de administrar a pandemia ordenando que Bolsonaro apenas repassasse para governadores e prefeitos alguns bilhões de reais. Não deu outra, meteram a mão na grana e o resultado foi centenas de milhares de mortos pelo vírus chinês.

A CPI é uma tentativa de imputarem a Bolsonaro essas mortes, mas até os ratos mesmos que frequentam a Praça dos Três Poderes sabem que Bolsonaro, apesar da pandemia, tornou o Brasil um dos cinco países com melhor desempenho no combate ao vírus chinês, até com crescimento do PIB. 

A acusação contra Bolsonaro nem diz respeito a ele, mas aos médicos. Acusam o presidente de estimular a prescrição de medicamentos contra o vírus chinês, o que é de responsabilidade exclusiva dos médicos. Omar queria inclusive criminalizar os médicos, mas voltou atrás, o que é uma prova contra a própria acusação da CPI.

A CPI é triste. Presidente: Omar Aziz (PSD-AM), ex-governador do Amazonas; na época, sua esposa e três irmãos dele foram presos, acusados de desviaram algumas centenas de milhões de reais da saúde do Amazonas. Relator: Renan Calheiros (MDB-AL), pai do governador alagoano, Renan Filho (MDB), e unha e carne com Lula. Dispensa apresentação. Sua folha corrida é extensa. Vice-presidente: Randolfe Rodrigues. Randolfe fala fino e dá chilique com facilidade. É um show à parte.

Membros: Eduardo Braga (MDB-AM), outro ex-governador do Amazonas, chegadíssimo a Lula e a Omar. Assim como Omar, chamou o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de mentiroso.

Tasso Jereissati (PSDB-CE). Governador do Ceará por três vezes e no segundo mandato no Senado, faz oposição a Bolsonaro.

Otto Alencar (PSD-BA), chegado a Lula.

Humberto Costa (PT-PE). Voz de taquara rachada; fala gritando. Para ele, Bolsonaro calado já é culpado.

Eduardo Girão (Podemos-CE). Trabalha pela investigação de governadores e prefeitos pela comissão.

Marcos Rogério (DEM-RO). É dele a voz que faz Omar Aziz, que parece o mapinguari, falar com menos grosseria; cala Renan e deixa Randolfe histérico. Também trabalha pela investigação de governadores na CPI.

Ciro Nogueira (PP-PI), um dos líderes do Centrão no Congresso. Trabalha pela investigação dos repasses federais a governadores e prefeitos. 

Jorginho Mello (PL-SC) é crítico sobre medidas restritivas como forma de enfrentamento à pandemia e defende o tratamento precoce contra o vírus chinês e a campanha de vacinação realizada pelo governo federal.

Enquanto Randolph Frederich Rodrigues Alves tenta abater Bolsonaro (fazê-lo cair), o presidente enviou o Exército para terminar de pavimentar a única rodovia federal no Amapá, a BR-156, que vem sendo construída há 80 anos.

– Ninguém me tira daqui; só Deus! – disse Bolsonaro, referindo-se ao seu mandato. Um homem como ele não fala da boca para fora

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