A atriz Fernanda Montenegro fez uma reclamação sobre os salários na “Globo”, afirmando que, na década de 1970, a emissora não oferecia uma boa remuneração por seus trabalhos. Segundo a atriz, os salários eram “infames”.
O tema foi abordado no programa Tributo, que homenageia Fernanda e foi ao ar na noite de quinta-feira (17), além de estar disponível na íntegra no “Globoplay”.
Durante a sua fala, a artista relembrou seu percurso profissional e o período em que se dedicou principalmente ao teatro, com poucas aparições na televisão. Fernanda destacou que, entre 1970 e 1981, recusou convites da “Globo” devido à baixa remuneração.
“Tinha convites da Globo, mas eram sempre salários infames”, afirmou. Ela complementou: “Nós não podemos pôr a nossa vida na televisão. Não. Nós temos que comandar nossa vida, mesmo que seja modestamente, e é o teatro”, completou.
A atriz refletiu sobre como a “Globo” promovia a ideia de que quem era bom estava na emissora, enquanto ela e seu marido, Fernando Torres, se dedicavam ao teatro.
“A gente se achava muito bom e não estava na Globo. Que ótimo, nós dois sejamos talvez os únicos bons que não estavam na Globo”, afirmou.
Entrada na Globo
Fernanda e Fernando Torres haviam trabalhado em teleteatros e telenovelas nas décadas de 1950 e 1960 em outras emissoras, como “Tupi”, “Excelsior”, “TV Rio” e “Record”. O autor Manoel Carlos foi quem os convidou para atuar na Globo. “Em 1981, Manoel Carlos chamou Fernando e a mim para uma novela dele na Globo”, contou Fernanda.
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Em uma entrevista de 2002, exibida no Tributo, a atriz relembrou a negociação com Manoel Carlos para o papel principal na novela Baila Comigo (1981). “Ele disse: ‘Então eu quero você no papel principal’. Eu disse: ‘Tudo bem’. Vim, acertei salário, bom, porque um autor brigou”, relatou.
Fernanda também deu conselhos sobre como conseguir uma melhor remuneração na Globo. “Se um autor quer [você no papel]… Se entrar assim [de mãos abanando, sem um convite de autor], é zero”, destacou.
No entanto, as mudanças no projeto levaram Manoel Carlos a dar o papel principal a Lílian Lemmertz. Fernanda ficou com um papel coadjuvante, mas a remuneração foi ajustada. “Ele disse: ‘Vão mexer no meu salário?’. Ele disse: ‘Não’. Ah, então tudo bem”, relembrou.
Após essa experiência, a Globo começou a remunerar bem Fernanda, que participou de diversas novelas, séries e especiais, como Guerra dos Sexos (1983), Belíssima (2005) e O Outro Lado do Paraíso (2017).