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Mesclar uma parte de história com a memória afetiva e a experiência de quem viveu tudo isso na pele, é uma das propostas da montagem Pasmado, da Associação Cultural Peneira, que chega ao Teatro Café Pequeno, no Leblon, para uma curta temporada. O grupo Peneira está finalizando o Programa de Aceleração Social Impulso 2022/2023, idealizado pelo Instituto Ekloos em parceria com o instituto Oi Futuro, quetem como objetivo fomentar e fortalecer negócios de impacto sociocultural, organizações da sociedade civil e/ou grupos da área da cultura e economia criativa do Estado do Rio de Janeiro.

O espetáculo estreou em dezembro de 2022 em cinco lajes da Vila Aliança, Zona Oeste do Rio de Janeiro, efaz parte da pesquisa de repertório da Peneira, que atua articulando atividades culturais na cidade. A peça conta a história dos irmãos João e Zezé que moram no Morro do Pasmado, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. A década é 1960, ápice da política de remoções de favelas cariocas, onde mais de 176 mil pessoas foram deslocadas para conjuntos habitacionais construídos na Zona Oeste da cidade. A ação, denominada “Aliança para o Progresso”, foi um projeto político executado pelos governos do Brasil e dos Estados Unidos durante a presidência de John F. Kennedy.

Muitas comunidades surgiram, algumas foram incendiadas e parte de seus líderes desapareceram. Após o falecimento da mãe, os irmãos herdam “Jurema”, um móvel que acreditam ser muito valioso. João foi contratado recentemente como contínuo em um prédio público no Rio. Zezé tira seu sustento atuando como boleira em uma padaria no Pasmado. Com a notícia de um projeto de remoção dos moradores do Morro, a relação entre os irmãos é colocada à prova. A dinâmica entre a narrativa e os atores é permeada por casos ocorridos no processo de remoções do Rio de Janeiro em diversos momentos de sua história.

Ao final de algumas sessões do espetáculo serão realizados bate-papos com o intuito de ampliar as discussões e atravessamentos relacionados às remoções. Seguem os convidados abaixo:

03/02 – Anderson Quack – Carioca da Cidade de Deus Universitário da Sociologia na UFF pai de três meninos, cineasta, Diretor Artístico, produtor cultural e integrante do grupo Awurê.

04/02 – Dona Celina e Dona Zica – Mulheres removidas do Morro do Pasmado. Moradoras e realizadoras de ações comunitárias na Vila Aliança

10/02 – Lucas Faulhaber – Arquiteto e Urbanista, Mestre em Planejamento Urbano e Regional. Autor do livro SMH 2016: remoções no Rio de Janeiro olímpico. Atua como assessor técnico e militante junto ao movimento popular de moradia e vice-presidente do CAU/RJ.

A Peneira estrutura-se como uma trama articulada na cidade do Rio de Janeiro e tem como foco desenvolver formas inovadoras de compartilhar conhecimento e potencializar criações artísticas e culturais, valorizando a memória e saberes daqueles que constroem a metrópole cotidianamente, fabulando outras territorialidades. O texto original da peça foi escrito por Luiz Fernando Pinto, nascido e criado na comunidade da Zona Oeste, a partir de um intenso processo de pesquisa. Após conversar por horas com a sua avó, a mineira Maria das Graças Marques Pereira, que saiu de sua terra natal para buscar uma vida com mais possibilidades no Rio de Janeiro, ele ouviu outros moradores para conhecer as experiências vividas durante o período da remoção. A partir da apuração de um rico material com depoimentos de moradores, fotografias, recortes de jornal e documentos da época, o espetáculo discute as relações entre as pessoas e seu território.

Dentre os espetáculos do grupo Peneira, destacam-se “Sorte ou Revés”, “Urucuia Grande Sertão”, “O Provinciano Incurável” e “Yaperi_aquilo que flutua”, além de projetos como o “Sarau do Escritório” e o “Cine Vila”.

Serviço:
Espetáculo “Pasmado”
Local: Teatro Café Pequeno (Av. Ataulfo de Paiva 269, Leblon, Rio de Janeiro)
Datas: 3, 4, 5, 10, 11 e 12 de fevereiro
Sexta e sábado, às 20h; e domingo, às 19h
Ingresso: R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 (meia)
Ingresso antecipado: Sympla
Duração: 70 minutos

Ficha Técnica: 
Direção: Priscila Bittencourt e Luiz Fernando Pinto | Texto original: Luiz Fernando Pinto | Adaptação e fabulação do texto: Luiz Fernando Pinto, Priscila Bittencourt, Kamilla Neves e Anderson Barreto | Elenco e personagens: Zezé: Kamilla Neves e João: Anderson Barreto | Assistente produção: Hendel Souza e Ivinni Gabriele | Figurino e cenário: Tiago Ribeiro | Luz: Raimundo Pedro | Trilha: Orlando Scarpa | Fotografia e vídeo: Leonardo Lopes | Design: Douglas Nunes | Realização: Peneira

Sobre o Instituto Ekloos
Maior aceleradora social do país, ao longo de 15 anos de atuação já capacitou mais de 6 mil empreendedores e acelerou mais de 600 ONGs e negócios, impactando mais de 3 milhões de crianças, jovens e adultos. Por ano, o Instituto Ekloos impacta mais de 100 mil pessoas através dos projetos que são acelerados.

Com Programas de Aceleração baseados em metodologias próprias e diferenciadas, trabalha com iniciativas sociais de forma a profissionalizar a gestão, apoiar o desenvolvimento sustentável e estimular a inovação, possibilitando o aumento do impacto social que cada organização gera em seu território de atuação

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Equipe de jornalistas do Jornal DC - Diário Carioca

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