Brasília – O Ministério dos Direitos Humanos lançou um levantamento que identifica 49 locais usados para tortura e repressão política durante a ditadura militar no Brasil. A publicação foi divulgada durante a semana que marca os 61 anos do golpe de 1964.
O estudo, intitulado “Lugares de Memória da Ditadura Militar”, mapeia locais em todas as regiões do país. Os dados integram a plataforma do Observatório Nacional dos Direitos Humanos, dentro da seção Memória e Verdade, voltada à preservação histórica e ao fortalecimento da democracia.
Mapeamento dos centros de repressão
A pesquisa aponta que os espaços identificados abrigaram tortura, desaparecimentos forçados e outras formas de violência estatal contra opositores da ditadura. São 17 locais no Sudeste, 15 no Nordeste, 7 no Sul, 6 no Norte e 4 no Centro-Oeste.
São Paulo (7), Pernambuco (6) e Rio de Janeiro (5) lideram o número de locais reconhecidos. O estudo destaca quartéis, prisões, hospitais, universidades, parques e até cemitérios como espaços onde ocorreram violações de direitos humanos.
Destaques regionais
Entre os principais locais mapeados:
- Dops de São Paulo (SP) – Funcionou como um dos principais centros de repressão. Hoje abriga o Memorial da Resistência.
- Casa da Morte, em Petrópolis (RJ) – Serviu como centro clandestino de tortura. Cerca de 20 presos políticos passaram pelo local. Apenas Inês Etienne Romeu, ex-integrante da VAR-Palmares, sobreviveu. O espaço se tornará um memorial.
- Antiga sede do Dops em Recife (PE) – Foi ponto central da repressão no Nordeste. Opositores eram presos, interrogados e torturados no local.
- Rio Paraná, em Foz do Iguaçu (PR) – Cenário de desaparecimentos e transferências ilegais de presos políticos, ligados à Operação Condor.
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Iniciativa busca preservar a memória e valorizar a democracia
A coordenadora-geral de Políticas de Memória e Verdade, Paula Franco, destacou que os locais reconhecidos revelam não apenas atos de violência, mas também resistência.
“São locais que guardam memórias sensíveis, de feitos traumáticos e violentos, mas também de experiências resistentes”, afirmou.
Saiba mais sobre os centros de repressão na ditadura
Entenda os principais pontos do mapeamento divulgado pelo governo:
- Objetivo: Fortalecer a democracia e a memória histórica por meio do reconhecimento de locais de repressão.
- Locais mapeados: 49 no total, distribuídos pelas cinco regiões do país.
- Estados com mais registros: São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro.
- Exemplos emblemáticos: Dops-SP, Casa da Morte em Petrópolis, Dops-Recife e Rio Paraná.
- Foco da ação: Preservar e transformar esses espaços em pontos de memória coletiva.