Governo Lula identifica 49 centros de tortura na ditadura; Cinco são no Rio de Janeiro

Nova publicação, divulgada na semana em que o golpe de 1964 completa 61 anos, reúne e documenta lugares de memória da repressão no país, demonstrando a importância da preservação da trajetória brasileira rumo à democracia
3 de abril de 2025
Leia em 2 minutos
A "Casa da Morte" foi um centro clandestino de tortura e assassinatos criado pelos órgãos de repressão da ditadura civil-militar brasileira - Foto: Reprodução/Facebook
A "Casa da Morte" foi um centro clandestino de tortura e assassinatos criado pelos órgãos de repressão da ditadura civil-militar brasileira - Foto: Reprodução/Facebook

Brasília – O Ministério dos Direitos Humanos lançou um levantamento que identifica 49 locais usados para tortura e repressão política durante a ditadura militar no Brasil. A publicação foi divulgada durante a semana que marca os 61 anos do golpe de 1964.

O estudo, intitulado “Lugares de Memória da Ditadura Militar”, mapeia locais em todas as regiões do país. Os dados integram a plataforma do Observatório Nacional dos Direitos Humanos, dentro da seção Memória e Verdade, voltada à preservação histórica e ao fortalecimento da democracia.


Mapeamento dos centros de repressão

A pesquisa aponta que os espaços identificados abrigaram tortura, desaparecimentos forçados e outras formas de violência estatal contra opositores da ditadura. São 17 locais no Sudeste, 15 no Nordeste, 7 no Sul, 6 no Norte e 4 no Centro-Oeste.

São Paulo (7), Pernambuco (6) e Rio de Janeiro (5) lideram o número de locais reconhecidos. O estudo destaca quartéis, prisões, hospitais, universidades, parques e até cemitérios como espaços onde ocorreram violações de direitos humanos.


Destaques regionais

Entre os principais locais mapeados:

  • Dops de São Paulo (SP) – Funcionou como um dos principais centros de repressão. Hoje abriga o Memorial da Resistência.
  • Casa da Morte, em Petrópolis (RJ) – Serviu como centro clandestino de tortura. Cerca de 20 presos políticos passaram pelo local. Apenas Inês Etienne Romeu, ex-integrante da VAR-Palmares, sobreviveu. O espaço se tornará um memorial.
  • Antiga sede do Dops em Recife (PE) – Foi ponto central da repressão no Nordeste. Opositores eram presos, interrogados e torturados no local.
  • Rio Paraná, em Foz do Iguaçu (PR) – Cenário de desaparecimentos e transferências ilegais de presos políticos, ligados à Operação Condor.

LEIA TAMBÉM


Iniciativa busca preservar a memória e valorizar a democracia

A coordenadora-geral de Políticas de Memória e Verdade, Paula Franco, destacou que os locais reconhecidos revelam não apenas atos de violência, mas também resistência.

“São locais que guardam memórias sensíveis, de feitos traumáticos e violentos, mas também de experiências resistentes”, afirmou.


Saiba mais sobre os centros de repressão na ditadura

Entenda os principais pontos do mapeamento divulgado pelo governo:

  • Objetivo: Fortalecer a democracia e a memória histórica por meio do reconhecimento de locais de repressão.
  • Locais mapeados: 49 no total, distribuídos pelas cinco regiões do país.
  • Estados com mais registros: São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro.
  • Exemplos emblemáticos: Dops-SP, Casa da Morte em Petrópolis, Dops-Recife e Rio Paraná.
  • Foco da ação: Preservar e transformar esses espaços em pontos de memória coletiva.

Mais Lidas

Colunas

Newsletter

Banner

Leia Também

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Estado pede desculpas pela negligência com ossadas de Perus

Governo brasileiro reconhece falhas na identificação…
© Joedson Alves/Agencia Brasil

Sindicatos repudiam ataques virtuais a jornalistas que cobriram atos golpistas

Gabriela Biló e Thaísa Oliveira são…