Durante o ato inter-religioso realizado neste sábado (25), na Catedral da Sé, em São Paulo, em memória dos 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, a presidenta do Supremo Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, fez um pronunciamento histórico.
Em vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais, a magistrada pediu perdão em nome da Justiça Militar da União pelas violações cometidas durante a ditadura militar (1964–1985).
“Estou presente a este ato para, na qualidade de presidente da Justiça Militar da União, pedir perdão a todos que tombaram e sofreram lutando pela liberdade. Pedir perdão pelos erros e omissões judiciais cometidos durante a ditadura”, declarou Maria Elizabeth Rocha, sob aplausos.
⚖️ Reconhecimento público das violações do regime
No discurso, a ministra reconheceu a responsabilidade institucional da Justiça Militar em decisões que legitimaram abusos do regime. Ela citou nominalmente Vladimir Herzog, Rubens Paiva, Miriam Leitão e José Genoino, entre outros perseguidos políticos.
O gesto foi descrito por historiadores e juristas como um marco na história do Judiciário brasileiro, simbolizando uma reparação moral e institucional às vítimas e suas famílias.
🕯️ Herzog, símbolo da resistência e da verdade
O jornalista Vladimir Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura, foi assassinado em 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-Codi de São Paulo, após se apresentar voluntariamente para depor.
O regime militar tentou encobrir o crime com uma falsa versão de suicídio, mas investigações posteriores confirmaram que Herzog foi torturado e morto por agentes do Estado.
O caso tornou-se símbolo da luta por justiça, liberdade e memória, e foi reconhecido internacionalmente como violação grave de direitos humanos.
👩⚖️ Ministra inclui parente entre as vítimas
O pedido de perdão ganhou ainda mais força ao incluir um membro da própria família da ministra. Maria Elizabeth mencionou Paulo Ribeiro Bastos, seu cunhado, filho de general e militante do MR-8, capturado e torturado pelo regime, cujo corpo foi lançado ao mar.
Em entrevista ao jornalista Helcio Zolini, em janeiro de 2025, a ministra revelou que sua família também foi vítima da repressão. O nome de Bastos consta entre os 434 mortos e desaparecidos políticos reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade.
🇧🇷 Emoção e repercussão nacional
O pronunciamento da presidenta do STM foi recebido com fortes aplausos e comoção por autoridades, familiares de vítimas e representantes de diferentes religiões.
Juristas, jornalistas e entidades de direitos humanos classificaram o gesto como um pedido de perdão histórico e inédito, reconhecendo oficialmente as injustiças cometidas pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar.
“O perdão institucional é um passo essencial para que o país avance na cultura da verdade e da memória”, afirmou um representante da Comissão de Anistia, presente ao ato.

