Atitude Honrosa

STM pede perdão histórico às vítimas da ditadura

26 de outubro de 2025
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Primeira mulher a ocupar a presidência do Superior Tribunal Militar, Elizabeth Rocha pediu perdão pelos erros e omissões judiciais durante o período da ditadura: 'perdão a todos os que tombaram e sofreram lutando pela liberdade'. Foto: Cadu Gomes / VPR
Primeira mulher a ocupar a presidência do Superior Tribunal Militar, Elizabeth Rocha pediu perdão pelos erros e omissões judiciais durante o período da ditadura: 'perdão a todos os que tombaram e sofreram lutando pela liberdade'. Foto: Cadu Gomes / VPR

Durante o ato inter-religioso realizado neste sábado (25), na Catedral da Sé, em São Paulo, em memória dos 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, a presidenta do Supremo Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, fez um pronunciamento histórico.

Em vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais, a magistrada pediu perdão em nome da Justiça Militar da União pelas violações cometidas durante a ditadura militar (1964–1985).

“Estou presente a este ato para, na qualidade de presidente da Justiça Militar da União, pedir perdão a todos que tombaram e sofreram lutando pela liberdade. Pedir perdão pelos erros e omissões judiciais cometidos durante a ditadura”, declarou Maria Elizabeth Rocha, sob aplausos.


⚖️ Reconhecimento público das violações do regime

No discurso, a ministra reconheceu a responsabilidade institucional da Justiça Militar em decisões que legitimaram abusos do regime. Ela citou nominalmente Vladimir Herzog, Rubens Paiva, Miriam Leitão e José Genoino, entre outros perseguidos políticos.

O gesto foi descrito por historiadores e juristas como um marco na história do Judiciário brasileiro, simbolizando uma reparação moral e institucional às vítimas e suas famílias.


🕯️ Herzog, símbolo da resistência e da verdade

O jornalista Vladimir Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura, foi assassinado em 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-Codi de São Paulo, após se apresentar voluntariamente para depor.

O regime militar tentou encobrir o crime com uma falsa versão de suicídio, mas investigações posteriores confirmaram que Herzog foi torturado e morto por agentes do Estado.

O caso tornou-se símbolo da luta por justiça, liberdade e memória, e foi reconhecido internacionalmente como violação grave de direitos humanos.


👩‍⚖️ Ministra inclui parente entre as vítimas

O pedido de perdão ganhou ainda mais força ao incluir um membro da própria família da ministra. Maria Elizabeth mencionou Paulo Ribeiro Bastos, seu cunhado, filho de general e militante do MR-8, capturado e torturado pelo regime, cujo corpo foi lançado ao mar.

Em entrevista ao jornalista Helcio Zolini, em janeiro de 2025, a ministra revelou que sua família também foi vítima da repressão. O nome de Bastos consta entre os 434 mortos e desaparecidos políticos reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade.


🇧🇷 Emoção e repercussão nacional

O pronunciamento da presidenta do STM foi recebido com fortes aplausos e comoção por autoridades, familiares de vítimas e representantes de diferentes religiões.

Juristas, jornalistas e entidades de direitos humanos classificaram o gesto como um pedido de perdão histórico e inédito, reconhecendo oficialmente as injustiças cometidas pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar.

“O perdão institucional é um passo essencial para que o país avance na cultura da verdade e da memória”, afirmou um representante da Comissão de Anistia, presente ao ato.


JR Vital

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações.