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Após 51 anos de funcionamento, o Ambulatório São Judas Tadeu, localizado no bairro Jardim Primavera, no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, fechou as portas. A unidade de saúde realizava, principalmente, atendimentos de fisioterapia e exames clínicos. Ao todo, mais de 500 pacientes eram tratados no local.

A dona de casa Francisca Ribeiro, 85 anos, era uma usuária da unidade de saúde que encerrou as atividades no final do mês de agosto. A idosa teve que parar o tratamento no joelho há três meses.

“Eu fazia fisioterapia no joelho. Tenho artrose e dói muito. Não estou sendo atendida em outro lugar porque fica distante e caro para a gente. Eu fiquei no ambulatório por quase um ano. Era um bom atendimento, os fisioterapeutas eram muito atenciosos. Infelizmente, fechou”, lamenta.

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O encerramento das atividades no Ambulatório São Judas Tadeu gerou insatisfação e indignou usuários e moradores da região que tinham o local como referência para tratamentos de fisioterapia. Segundo a líder comunitária Solange Pereira, 61 anos, a unidade de saúde funcionava a partir de um convênio entre prefeitura e Paróquia São Francisco de Assis. Após uma mudança na direção da igreja o ambulatório foi fechado. 

“O padre que chegou em nossa Paróquia recentemente disse que a saúde não é coisa da igreja, é coisa para a prefeitura. Ele fez uma reunião somente com a diretoria do Ambulatório São Judas e decidiu fechar a unidade na mesma hora. Ele fechou o ambulatório com tudo o que estava dentro sem nem dar satisfação para as pessoas que faziam a fisioterapia lá. Todo mundo que chegou bateu com a cara na porta”, conta.

Os moradores da região estão organizando um abaixo-assinado para denunciar o fechamento do ambulatório e a falta de informação sobre laudos de exames e tratamentos que eram realizados na unidade. Até o momento, 700 pessoas assinaram o manifesto que será encaminhado para a Ação Social da Diocese de Duque de Caxias (ASPAS).

Outro lado

O Brasil de Fato procurou por duas vezes o Frei Paulo Santana, responsável pela Paróquia São Francisco de Assis, em Campos Elíseos, para esclarecimentos sobre o fechamento do ambulatório. O Frei alegou que só falaria sobre o caso presencialmente. Mesmo após a reportagem explicar que a equipe está em regime de trabalho remoto por conta da pandemia, Santana se recusou a dar entrevista pelo telefone a respeito do caso. 

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Já a Prefeitura de Duque de Caxias, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMSDC) e Defesa Civil, informou, por meio de nota, que “no dia 26 de agosto de 2020 a Ação Social da Diocese de Duque de Caxias (ASPAS)/Ambulatório São Judas Tadeu protocolou junto a SMSDC uma solicitação de descredenciamento, referente ao convênio firmado entre as partes. Um processo administrativo está em tramitação, tendo como objeto o descredenciamento”. 

A nota enviada à reportagem explica também que os pacientes atendidos no Ambulatório São Judas Tadeu devem comparecer ao Departamento de Reabilitação da Secretaria Municipal de Saúde, localizado na Alameda James Franco, 03, no bairro Jardim Primavera, para que sejam encaminhados a outras clínicas que possuem credenciamento com esta municipalidade.

O Brasil de Fato procurou também a ASPAS para explicações. Até o fechamento desta reportagem a organização não se manifestou. 

Edição: Mariana Pitasse


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