Infraestrutura

Quebra de recorde histórico nos Portos do Sudeste aprofunda desafio logístico de integração público-privada

Terminais Privados (TUPs) Alavancam Exportação de Petróleo e Minério de Ferro em 9,1%, Expondo a Urgência de Modernização da Estrutura Pública

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Porto do Açu (RJ) teve um um crescimento de 38,06%, atingindo 17,8 milhões de toneladas. Foto: Vosmar Rosa (MPor)

O setor portuário da Região Sudeste alcançou um marco histórico no terceiro trimestre de 2025, movimentando 186,7 milhões de toneladas entre julho e setembro. Este volume representa um aumento robusto de 9,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior, sublinhando a expansão acelerada da infraestrutura marítima brasileira. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) confirmou os dados, demonstrando que o avanço resultou do impulso decisivo dos Terminais de Uso Privado (TUPs) e do sólido desempenho nas exportações de petróleo e minério de ferro.

O recorde histórico de 186,7 milhões de toneladas no 3º trimestre de 2025 no Sudeste escancara a dicotomia entre a eficiência privada e a letargia pública na logística do Brasil. A predominância dos TUPs, que movimentaram 124,5 milhões de toneladas (+9,1%), contrapõe-se ao avanço modesto de 1,09% dos portos públicos, que somaram 62,2 milhões de toneladas. Este desequilíbrio exige uma ação imediata de política pública para integrar e modernizar a rede nacional.

Os TUPs registraram 124,5 milhões de toneladas movimentadas no trimestre, consolidando a performance do capital privado na logística nacional. Por outro lado, os portos organizados, sob administração pública, somaram 62,2 milhões de toneladas, elevando-se apenas 1,09% no período. Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos, interpreta o recorde como uma prova de gestão eficiente e de integração logística. Ele afirma que o crescimento, impulsionado pelos terminais privados, coloca o Brasil em um novo patamar de competitividade global por meio da modernização e da confiança do investidor.

A Chave do Crescimento Recorde Portos Sudeste: O Eixo Rio de Janeiro

O estado do Rio de Janeiro atuou como o epicentro desse salto logístico. O Terminal de Petróleo (TPET/TOIL), no Porto do Açu (RJ), cresceu 38,06%, atingindo 17,8 milhões de toneladas, o maior aumento percentual da Região Sudeste. Em seguida, o Terminal Aquaviário de Angra dos Reis (RJ) avançou 25,34%, totalizando 18,8 milhões de toneladas. A soma destes dois terminais respondeu pela maioria do aumento na movimentação de granéis líquidos.

Alex Ávila, Secretário Nacional de Portos, destaca que a infraestrutura responde à demanda do país e do mercado internacional. Ele reforça a importância de uma maior integração entre terminais privados e portos públicos. Ávila demonstra que a continuidade do crescimento sustentável e da expansão da competitividade reforça a necessidade de gerar empregos e colocar o Brasil em posição relevante no comércio global. No segmento público, o Porto de Santos (SP) manteve a liderança absoluta com 38,4 milhões de toneladas movimentadas, registrando uma alta de 2,68%. O Porto de Santos foi impulsionado pelo crescimento de 22,54% na cabotagem, especialmente no transporte de contêineres. Já o Porto de Itaguaí (RJ), especializado em minério de ferro, registrou 17,3 milhões de toneladas, com leve retração de 1,4% em comparação ao ano anterior.

O Contraste Público vs. Privado

A performance díspar entre a estrutura privada e a pública revela uma questão estrutural que transcende a mera gestão. O capital privado investe em expansão e agilidade, capitalizando o impulso das commodities brasileiras. Em contraste, a administração pública demonstra uma velocidade de reação mais lenta, limitando o potencial total da economia nacional. Esta situação remete ao clássico dilema de infraestrutura visto no filme Skyfall, onde o novo e o ultramoderno enfrentam a resistência do antigo e do institucionalmente arraigado. A capacidade do Brasil de sustentar este crescimento e traduzi-lo em benefícios sociais amplos depende de uma reforma que maximize a eficiência dos portos públicos. A solução progressista exige o investimento massivo em tecnologia e a adoção de modelos de gestão mais flexíveis, espelhando a agilidade dos TUPs. A integração deve ser técnica e administrativa, transformando a rede portuária em um sistema coeso e verdadeiramente competitivo.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.