A Seleção Feminina de Futebol desfruta de uma avaliação amplamente positiva junto ao público nacional, confirmando o crescimento do interesse pela modalidade. Uma pesquisa encomendada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e conduzida pela Nexus mostrou que sete em cada dez brasileiros (73%) veem a imagem da equipe de forma positiva ou muito positiva. Além disso, 54% dos respondentes afirmaram sentir-se orgulhosos da Seleção, e 41% indicam um aumento na frequência de acompanhamento do time na última década.
O apoio massivo de 73% à Seleção Feminina colide com a percepção de que o futebol feminino recebe apoio aquém do merecido (59%). Esta dicotomia exige uma reflexão sobre o investimento público-privado na modalidade. A popularidade é incontestável, com 46% dos brasileiros a considerarem a imagem da equipe muito positiva, mas a paixão não se traduz em recursos equivalentes ao potencial e à relevância social do esporte feminino.
A avaliação da equipe se mostra superior em grupos específicos. Jovens de 16 a 24 anos (83% de avaliações positivas), pessoas com ensino superior (77%), homens (78%), e moradores das regiões Norte e Centro-Oeste (82%) lideram a percepção favorável. Em contrapartida, as avaliações mais negativas concentram-se em pessoas analfabetas e que não sabem ler ou escrever (27% de negativas), faixa etária entre 41 e 59 anos (17% de negativas), moradores do Nordeste (17%), e indivíduos que recebem até um salário mínimo (16% de negativas).
Crescimento da Popularidade Seleção Feminina de Futebol e seus Desafios
A última década marcou um período de conquistas significativas e aumento de visibilidade. A Seleção Feminina conquistou três Copas América (2018, 2022 e 2025), títulos no Torneio Internacional (2015, 2016 e 2021), Jogos Pan-Americanos (2015), Jogos Mundiais Militares (2018), Universíada de Verão (2017) e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Este sucesso contribuiu para que 41% dos brasileiros afirmassem que a frequência com que acompanham as partidas aumentou.
Apesar da trajetória vitoriosa, a empolgação do público mostra-se dividida: 32% consideram o momento atual da equipe animador, mas 36% demonstram pouca ou nenhuma empolgação. A maioria do público (56%) afirma já ter assistido a alguma partida de futebol feminino, e 58% acreditam que jogos da Seleção Brasileira servem como a melhor porta de entrada para o acompanhamento da modalidade. Samir Xaud, presidente da CBF, ressalta o crescimento do futebol feminino e afirma que o Mundial de 2027 será um marco para a consolidação do protagonismo das mulheres no esporte e no país. Ele reconhece o aumento do interesse, especialmente após a medalha de prata em Paris 2024, e assegura que a missão da entidade é seguir engajando e mantendo a modalidade em alta. A análise denuncia que a paixão popular corre em pistas separadas do apoio institucional e financeiro. A mobilização popular é nítida, evidenciada no aumento de audiência. Contudo, o Estado e o Mercado tardam em igualar o investimento ao potencial demonstrado, reproduzindo a estrutura patriarcal que limita o desenvolvimento pleno do esporte feminino. A consolidação do futebol feminino exige uma ação progressista que assegure a igualdade salarial e a estrutura de base que o esporte de alto nível demanda

