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Foto Julia Rugai


Nesta terça-feira (3/8), o #Provoca vai ao ar, a partir das 22h, pela centésima vez na TV Cultura. Marcelo Tas recebe Preto Zezé, presidente da CUFA (Central Única das Favelas). Na conversa, entre os assuntos, Preto Zezé fala sobre racismo, o trabalho da CUFA na pandemia, como as comunidades foram atingidas e o papel das favelas na economia brasileira.

“Eu descobri que era preto com 15 anos”, conta o ativista. Preto Zezé relembra que, ao ouvir a música Negro Limitado, do Racionais MCsenxergou sua realidade. Ao lembrar da letra da música, diz: “Uma raquetada que eu levei. (…) Eu estava ainda achando que era um ‘marrom bombom’, que racismo não existe, tentando fugir disso porque não é uma coisa muito fácil você abrir uma porta dessas dores, não”.

Sobre a atuação da CUFA na pandemia, Preto Zezé afirma: “É preciso dizer que muita gente conheceu a CUFA agora, a gente já existe há mais de 20 anos“. Ele também conta que durante este período tiveram que fazer o que as empresas chamam de reconversão da matriz produtiva. “A gente fez a nossa do ponto de vista da atuação. Porque a gente atuava com uma coisa que era rival do Covid-19. Que é o que? A mobilização, juntar gente, é aglomeração. Então, paramos tudo dos nossos projetos. As nossas sedes viraram grandes centros de distribuição e logística. Os nossos voluntários constituíram uma frente que está na rua. Enquanto ao OMS falava ‘fique em casa’, nós estávamos na rua direto“, acrescenta.

Na edição, ele conta que conseguiu transformar raiva em indignação, pois a raiva é uma coisa momentânea e descontrolada, e que o rap “de certa formou ajudou a organizar a revolta e a politizar o ódio. E aí, quando você politiza o ódio, sai da agenda de ódio, somente uma reação, para indignação. A indignação é permanente”. O líder da CUFA ainda fala que se você politiza o ódio, ele é transformado em ação prática e explica: “Uma ação prática é você mudar a estrutura. Vou dar um exemplo, agora. Você vê o caso de racismo no Brasil, o ódio fazendo ele tocar fogo nos racistas. Eu quero tocar fogo no racismo“.

Ainda falando sobre racismo, Preto Zezé debate sobre a questão do racismo velado. “Gente, se é velado com uma pessoa negra morta a cada 23 minutos, todos os indicadores sociais negativos para a população negra mesmo ela produzindo 1.70 na economia, se a gente estar excluído da sociedade é algo velado eu fico perguntando: ‘o que seria explícito?’”, finaliza.Ao ser questionado por Tas quanto aos dados sobre favelas brasileiras, que mostram que há 13 milhões de pessoas movimentando 120 bilhões de reais, destaca: “É um país chamado favela, né? Que muitas vezes quando é retratado publicamente, há um estigma sobre território, remete sempre a miséria, a tragédia, a desgraça. Não se percebe que é de lá que sai a inovação”. Preto Zezé ainda comenta que as pessoas produzem a riqueza, mas não se apropriam disso e que o esforço da CUFA é apresentar um país ao outro.100 edições de #Provoca#Provoca desta terça-feira (3/8) contabiliza a centésima edição. Em uma reformulação da atração eternizada por Antônio Abujamra, Marcelo Tas revisita o formato de entrevistas do programa que é firmado em três pilares básicos: entrevistas, filosofia e interação. Nas 100 edições, Tas recebeu convidados como Jô Soares, Ailton Krenak, Rita Lobo, Erika Hilton, Denise Fraga, Frejat, Paolla Carosella, Renato Meirelles, Ronnie Von, Tabata Amaral, Silvero Pereira, Djonga, Monja Coen, Marisa Orth, Luiz Henrique Mandetta e outros.

Redação do Diário Carioca

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