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No intervalo entre os anos de 2017 e 2018, cerca de 72,4% da população brasileira vivia em famílias que disseram ter tido algum grau de dificuldade para custear as despesas mensais. É o que mostra a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Desse contingente, 58,3% estavam em núcleos que manifestaram ter “dificuldade”, enquanto 14,1% disseram apresentar “muita dificuldade”, 26,5% tinham “facilidade” e somente 1,1% eram de famílias com “muita facilidade” para arcar com as contas até o final do mês.

Quando se considera o universo de brasileiros de famílias com pessoa de referência preta ou parda, o IBGE identificou que 9,7% tinham muita dificuldade e 34,7% apresentavam dificuldade para administrar as despesas do mês, chegando a um total de 44,4% da população pertencentes a núcleos com algum grau de dificuldade financeira e chefiados por pessoas pretas ou pardas.

No comparativo com a situação de pessoas brancas, nas famílias lideradas por alguém com esse perfil, 4,2% apresentaram muita dificuldade e 22,8% tinham dificuldade, configurando um contingente de 27% da população do país com alguma dificuldade para arcar com as despesas mensais.

O IBGE também pesquisou a situação dos brasileiros no comparativo entre os sexos e observou que o percentual da população ligada a núcleos que disseram ter muita dificuldade praticamente não oscilou entre os grupos, sendo de 7% tanto quando a família era liderada por homem quanto nos casos em que a pessoa de referência era uma mulher.

Os pesquisadores perceberam, no entanto, que há diferença considerável entre esses grupos quando se trata daqueles que passam o mês com “facilidade” para custear as contas: as famílias conduzidas por homens com esse perfil representam 17,5% da população, enquanto aquelas com essa avaliação e que são chefiadas por mulheres se concentram em 9%.

O apanhado mostra ainda que, no biênio 2017-2018, um total de 46,2% da população brasileira pertencia a núcleos familiares com atraso no pagamento de pelo menos uma conta mensal por causa de dificuldades orçamentárias.

Os especialistas identificaram que 37,5% da população atrasaram contas de água, eletricidade ou gás, enquanto 26,6% tiveram atraso em compromissos relacionados a bens e serviços e 7,8% viveram o problema no que se refere a aluguel ou prestação do imóvel.

O intervalo de tempo pesquisado (2017-2018) pelo IBGE se insere no contexto do governo Temer (2016-2018), período em que o Brasil viveu uma agudização da crise socioeconômica que se arrastava desde 2015.

Edição: Leandro Melito


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