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22 outubro, 2021

Incêndio na Chapada dos Veadeiros já atinge área correspondente a oito mil campos de futebol

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O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, norte de Goiás, concentra uma das maiores áreas contínuas de cerrado preservado do país, mas vive, atualmente, um dos piores momentos desde a sua criação, em 1961.

Acossada por incêndios criminosos, de um lado, e por pressões legislativas que buscam reduzir o seu tamanho, do outro, a Chapada é um dos últimos redutos do cerrado brasileiro, bioma que perdeu cerca de 50% de sua cobertura vegetal desde os anos 1970. Mais que o dobro do desmatamento na Amazônia, por exemplo, que perdeu 20% da floresta original ao longo do mesmo período.

Considerado Patrimônio Natural Mundial pela Unesco desde 2001, o parque tem mais de 1,2 mil nascentes de água e desempenha um papel central na proteção de dezenas espécies da flora e da fauna do cerrado que estão ameaçadas de extinção.

Incêndios criminosos

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Desde o último domingo (12), um incêndio florestal no local conhecido como Vale da Lua, uma famosa atração turística que fica na borda da área do parque, ganhou grandes proporções e já se espalha para áreas a mais de 20 quilômetros (km) de distância, segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO).

Na atualização mais recente, na tarde desta terça-feira (14), a corporação informou que as chamas consumiram, até agora, uma área de oito mil hectares, o equivalente a oito mil campos de futebol, e ainda não foi controlado. 




Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros / ICMBio/Divulgação

“As chamas se espalharam primeiro pela Área de Proteção Ambiental (APA) Pouso Alto, que fica na zona de amortecimento do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Na tarde de domingo, cerca de 100 turistas chegaram a ficar ilhados no Vale da Lua e precisaram ser resgatados. O Vale da Lua foi fechado no dia do incêndio e a Cachoeira dos Segredos fechou hoje.

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros continua funcionando, assim como o Parque Estadual”, disse o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, em publicação nas redes sociais. Uma força-tarefa com mais de 150 profissionais atua no local desde o fim de semana.

O efetivo inclui 65 bombeiros militares de Goiás, especialistas em combate a incêndio, 75 servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), nove brigadistas do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo/Ibama), além de dezenas de voluntários da região. Dois aviões e um helicóptero também estão sendo usados para combater as chamas. 

Embora não haja uma investigação concluída sobre este incêndio, os profissionais que atuam na área dão como certo que o fogo deve ter sido provocado.

“Porque começou perto do trajeto do passeio e sempre quando está perto da trilha, a gente suspeita que seja criminoso mesmo, ou bituca de cigarro, ou pessoa mal-intencionada mesmo”, disse Cícero Iago Eneias da Silva, um dos brigadistas envolvidos no combate ao incêndio, em entrevista à TV Globo exibida no Jornal Nacional nesta segunda-feira (13).

Histórico de ameaças

Não terá sido a primeira vez que a Chapada dos Veadeiros sofre com incêndios criminosos. O episódio mais trágico da história do parque é recente, ocorreu em 2017. Foi justamente no ano que a unidade de conservação foi ampliada para os atuais 240 mil hectares. Uma série de incêndios criminosos, que começaram às margens da rodovia GO-118, que liga Brasília ao Tocantins, passando pela Chapada, se espalharam rapidamente destruindo mais de 66 mil hectares de cerrado, quase 30% da área do parque. 

Durante duas semanas, centenas de bombeiros, brigadistas e voluntários fizeram um trabalho monumental para controlar o fogo. Na época, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) concluiu que o incêndio fora, de fato, criminoso. 

Interesses fundiários

Criado em 1961 com 625 mil hectares, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros sofreu sucessivas reduções de tamanho, até chegar a 65 mil hectares, cerca de 10% da área original.

Em 2001, a ampliação para 240 mil hectares chegou a ser decretada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por falhas no processo e pela não realização de audiências públicas, previstas na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), que entrou em vigor em 2000. Só em 2017 ela conseguiu ser finalmente concretizada. 

: Leia também: Brasil é o 4º país mais perigoso do mundo para ambientalistas

Agora, no entanto, um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que tramita na Câmara dos Deputados pretende reverter essa ampliação. A proposta foi apresentada pelo deputado delegado Waldir (PSL/GO), aliado do presidente Jair Bolsonaro, para suspender o processo de extensão do parque de 2017.

O que estaria por trás dos incêndios criminosos e da tentativa de reduzir o tamanho do parque são justamente os interesses fundiários que foram contrariados com a expansão da área preservada. É o que apontam ambientalistas ouvidos pelo Brasil de Fato.

“Está tudo entrelaçado com a política ambiental do atual do governo. Uma das pessoas que coordenou botar fogo no parque em 2017 era um apoiador do Bolsonaro. Tem interesse dos ruralistas da região, dos grandes proprietários de terras”, afirma Ivan Anjo Diniz, ambientalista que vive em Alto Paraíso.  

Procurado pela reportagem para explicar a iniciativa do PDL, o deputado Waldir afirmou que produtores rurais foram retirados da área do parque, no processo de ampliação, e não teriam recebido as indenizações.   

“A ideia é muito simples. O governo federal, na época do Michel Temer na presidência, e do Marconi Perillo no governo do estado, fizeram a ampliação do parque, desapropriaram as áreas, tiraram os produtores rurais e não pagaram as indenizações”, disse.  

“Fazer parque nas costas dos outros é fácil. Os produtores estão passando necessidade. São produtores rurais, mais 500 famílias”, acrescentou.

Diretor-geral da Associação de Amigos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (AVE), o gestor ambiental Julio Itacaramby contesta frontalmente o argumento do deputado.

“A alegação do deputado não procede. Foi feito um estudo técnico contratado especificamente pra analisar a situação fundiária da área ampliada, com imagens de satélite e sobrevoos, e ficou constatado que existiam menos de dez edificações em toda a área expandida, sendo que parte delas estava abandonada”, explica. 

: Leia mais: Incêndios florestais causam hospitalização de 47 mil brasileiros por ano

Itacaramby relata que apenas duas pessoas interessadas ingressaram na Justiça, desde a ampliação do parque, para reivindicar posse da área. Em ambos os casos, o pedido foi negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Trata-se de uma área com densidade demográfica baixíssima porque não tem aptidão pra nenhum tipo de atividade agropecuária, até porque são terrenos de topografia acidentada”, acrescenta. 

Ainda segundo o gestor ambiental, há um movimento no país de desmonte da política ambiental baseada na preservação.

“É um movimento generalizado no Brasil para desmontar a política ambiental, diminuindo as unidades de conservação”, aponta Julio Itacaramby. 

Para o ambientalista Ivan Anjo Diniz, há um perigo real sobre o cerrado a partir dessas investidas contra a Chapada dos Veadeiros. 

“É a maior reserva do cerrado brasileiro que ainda existe. Reduzir isso é decretar o maior bolsão do cerrado à morte no futuro. Pra gente, é muito preocupante essa questão”, observa.

Fonte: BdF Distrito Federal

Edição: Márcia Silva


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