O pensamento anticolonial de Vladimir Lênin

Obra da Autonomia Literária reúne formulações do líder bolchevique sobre imperialismo e autodeterminação, fundamentais para as lutas anticoloniais do século XX. Seus escritos seguem como referência para transformar as estruturas de poder global. Sorteamos dois exemplares

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Lênin e manifestação, por Isaak Brodsky; 1919 | Fonte: Wikimedia Commons

Por Outras Palavras – O dia 21 de janeiro marca o falecimento de uma das personalidades mais importantes do século XX, o líder bolchevique Vladimir Ilyich Ulyanov, eternizado em seu pseudônimo: Lenin. Este ano, completam-se 101 anos desde que o aguerrido militante nos deixou.

Para além de suas formulações sobre economia, partido de vanguarda, a função do jornal como organizador coletivo, entre outros acalorados debates de uma Rússia em ebulição, há um elemento no pensamento leninista que é absolutamente central: a questão anticolonial.

Lênin sempre ressaltou a importância da atuação dos povos não europeus na política internacional, demonstrando como a luta de classes nas nações periféricas é um elemento fundamental para a vitória do proletariado e o avanço rumo ao socialismo.

A obra Lênin anticolonial: as lutas dos povos colonizados contra o imperialismo, lançada em 2023 pela Autonomia Literária, no centenário de morte do autor, reúne 42 de seus escritos acerca do tema.

São análises multifacetadas que abordam filosofia, política, economia e sociologia, por meio de denúncias em artigos de jornal, cartas, discursos, e diretivas do partido e do Komintern. Além disso, muitos dos textos reunidos são inéditos no Brasil.

Como coloca Jones Manoel no prefácio da edição: “Ao seu tempo, o bolchevique nadava contra a corrente, defendendo que as desigualdades inscritas na divisão social do trabalho não eram explicadas por elementos raciais e biológicos [rebatendo o científico, muito em voga à época], mas sim pelas relações de produção e dinâmica de poder no sistema interestatal.”

Nos escritos, a dialética colonizador-colonizado é abordada de maneira complexa em suas dimensões econômicas, políticas e ideológicas. A questão de como o chauvinismo nacional é explorado e manipulado pela classe dominante também ganha destaque nas análises.

Para Lênin, as nações colonizadas necessitam então lutar pela libertação nacional – sem perder o horizonte socialista – para, enfim, operar transformações radicais nas estruturas de poder. Seguindo essa lógica, só assim seria possível combater o colonialismo, inclusive a nível cultural e subjetivo.

Seu livro Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo (1917), demonstra sua clara consciência do aspecto devastador da colonização e da dependência econômica a que as colônias estavam submetidas – para além das constantes violências. É assombroso como as formulações dessa obra se demonstram válidas e pertinentes até os dias de hoje.

Muitos são os exemplos da influência de Lênin para as lutas anticoloniais do século XX, e ainda maiores os seus esforços para concretizar uma política antiimperialista, como o glorioso Congresso de Baku. Obviamente, sua teoria não dá conta do enorme desafio de responder a todas as questões do tempo presente. Entretanto, não é negando sua contribuição que encontraremos o caminho, muito pelo contrário.

Cartaz soviético (1932) mostrando os trabalhadores do mundo levantando-se contra o capitalismo e o colonialismo, destruindo bancos à medida que avançam: “Os povos oprimidos das colónias levantar-se-ão sob a bandeira da revolução proletária na luta contra o imperialismo”. Artista: I. B. Rabichev. | Fonte: Propagandopolis
Cartaz soviético (1932) mostrando os trabalhadores do mundo levantando-se contra o capitalismo e o colonialismo, destruindo bancos à medida que avançam: “Os povos oprimidos das colónias levantar-se-ão sob a bandeira da revolução proletária na luta contra o imperialismo”. Artista: I. B. Rabichev. | Fonte: Propagandopolis

Publicado originalmente em Outras Palavras

Raíssa Araújo Pacheco

Redatora do Outros Quinhentos. Formada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Assessorou movimentos sociais e entidades envolvidas na pauta de moradia e direito à cidade.

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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.