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Parlamento britânico descriminaliza o aborto

Londres, 17 de junho de 2025 — O Parlamento do Reino Unido aprovou nesta terça-feira (17) uma medida histórica que descriminaliza o aborto na Inglaterra e no País de Gales, revogando uma legislação da era vitoriana que há mais de 160 anos impunha penas severas às mulheres que interrompiam a gravidez fora dos limites legais.

A decisão foi tomada por 379 votos a favor e 137 contra, em uma votação livre, sem imposição de diretrizes partidárias. A proposta, incluída como emenda no Crime and Policing Bill, elimina a possibilidade de processar mulheres que realizem aborto, mesmo fora das condições estabelecidas pela legislação atual, que permite a interrupção até a 24ª semana de gestação, mediante autorização de dois médicos.

A norma anterior, datada de 1861, previa até prisão perpétua para quem realizasse ou se submetesse a um aborto fora dos critérios legais. Embora as condenações fossem incomuns, o aumento de investigações nos últimos anos gerou forte pressão sobre o Parlamento britânico, especialmente após a ampliação do acesso ao aborto medicamentoso em casa, permitido até a 10ª semana de gestação.

Mulheres não serão mais criminalizadas

A nova regra coloca fim ao temor de mulheres serem presas, processadas ou punidas por decisões sobre seus próprios corpos. Segundo dados apresentados durante a tramitação, mais de 100 mulheres foram investigadas no Reino Unido nos últimos cinco anos, em casos que envolveram desde partos prematuros até interrupções forçadas por situações de violência doméstica.

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A deputada trabalhista Tonia Antoniazzi, autora da proposta, classificou a antiga legislação como “uma mancha arcaica e misógina” na lei britânica. Ela destacou que as mulheres vítimas de abuso, pobreza ou desespero não poderiam mais ser tratadas como criminosas.

Casos como o de Nicola Packer, que enfrentou julgamento após usar pílulas abortivas na 26ª semana de gestação, e o de Carla Foster, condenada após um aborto realizado aos oito meses, foram citados como exemplos chocantes das consequências da criminalização.

Profissionais de saúde seguem sob regras

Apesar de a descriminalização atingir as mulheres, a legislação mantém punições para profissionais de saúde que realizem procedimentos fora dos parâmetros legais. Continuam proibidos:

  • Abortos após a 24ª semana, salvo exceções médicas previstas;
  • Procedimentos sem a autorização formal exigida;
  • Atos que coloquem em risco a vida da gestante sem critérios técnicos.

Próximos passos: Câmara dos Lordes

O texto agora segue para análise da Câmara dos Lordes, onde ainda pode ser modificado antes da promulgação definitiva. Mesmo com possíveis ajustes, especialistas e organizações consideram a aprovação um marco histórico no avanço dos direitos reprodutivos no Reino Unido.

Reações divididas

Organizações como a British Pregnancy Advisory Service (BPAS) e o Humanists UK celebraram a decisão como o maior avanço desde a aprovação do Abortion Act, em 1967. Para os defensores da medida, trata-se de um passo decisivo para garantir autonomia e dignidade às mulheres.

Por outro lado, parlamentares conservadores expressaram preocupações, alegando que a descriminalização poderia abrir brechas para abortos em estágios mais avançados sem responsabilização. Grupos anti-direitos reprodutivos já se mobilizam para tentar influenciar a votação na Câmara dos Lordes.


O Carioca Esclarece

A lei revogada, de 1861, era uma das legislações mais antigas do mundo ainda em vigor contra o aborto. A mudança não amplia diretamente os prazos legais, mas impede que mulheres sejam presas ou processadas por abortos fora das regras atuais.


FAQ

O aborto foi totalmente liberado no Reino Unido?
Não. O aborto segue permitido até a 24ª semana, com autorização médica. A mudança descriminaliza as mulheres, mas mantém regras e punições para profissionais que desrespeitem os critérios legais.

O que muda na prática?
Mulheres não poderão mais ser processadas criminalmente por abortos, mesmo que fora dos prazos. Isso elimina o risco de prisão e processos judiciais contra gestantes.

A decisão já está valendo?
Ainda não. A medida foi aprovada na Câmara dos Comuns, mas precisa ser analisada pela Câmara dos Lordes antes de entrar em vigor.


JR Vital
JR Vitalhttps://diariocarioca.com/
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.
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