Israel Criminoso

Israel deixou brasileiros sem água e comida após sequestrar flotilha humanitária rumo a Gaza

Deputada Luizianne Lins e outros ativistas denunciam violações após interceptação ilegal em águas internacionais.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por...
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Criada em 2010, Flotilha Global da Liberdade esperava levar ajuda humanitária à Gaza - Reprodução/Redes Sociais/Gaza Freedom Flotilha

Treze brasileiros, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), estão detidos em Israel após a interceptação violenta de uma flotilha humanitária que navegava rumo à Faixa de Gaza. O grupo, composto por oito homens e cinco mulheres, denuncia que ficou sem água e comida nas primeiras horas de prisão, logo após a abordagem feita pela Marinha israelense em águas internacionais do Mediterrâneo.

Segundo relatos da missão, os ativistas foram levados para o presídio de Ketziot, no deserto do Neguev, a 30 km da fronteira com o Egito. Parte dos detidos iniciou greve de fome, em protesto contra as condições de encarceramento e em solidariedade ao povo palestino, que enfrenta escassez de alimentos, falta de água potável, doenças e bombardeios constantes.

Ativista Tiago Ávila está entre os capturados. Foto: Freedom Flotilha Coalition/Instagram - Freedom Flotilha Coalition/Instagram
Ativista Tiago Ávila está entre os capturados. Foto: Freedom Flotilha Coalition/Instagram – Freedom Flotilha Coalition/Instagram

Abordagem militar e acusações de crime de guerra

A interceptação ocorreu entre os dias 1º e 2 de outubro. Testemunhas relatam que a Marinha israelense usou armamento pesado contra embarcações da flotilha, incluindo o veleiro Grande Blu. Não houve resistência por parte dos cerca de 500 integrantes da missão, vindos de mais de 40 países.

A ação é considerada ilegal por entidades de direitos humanos, já que ocorreu fora do território israelense. O Movimento Global a Gaza, organizador da Flotilha Global Sumud, classificou a operação como “sequestro ilegal” e violação direta do direito internacional humanitário.

“Interceptar embarcações humanitárias em águas internacionais é um crime de guerra. Negar acesso à assessoria jurídica e ocultar o paradeiro dos detidos agrava ainda mais esse crime”, afirmou o movimento em comunicado.

Ao todo, a missão reunia cerca de 50 embarcações com 443 voluntários de 47 países. Entre os brasileiros confirmados, além da deputada Luizianne, estão a vereadora Mariana Conti (PSOL-SP), o ativista Thiago Ávila e outros nomes da sociedade civil.


Itamaraty cobra explicações

O Itamaraty informou que acompanha o caso de perto e cobra garantias mínimas, como acesso à água, alimentação adequada e respeito às normas internacionais. Diplomatas brasileiros visitaram os detidos nesta sexta-feira (3), em encontro que durou mais de oito horas.

Em nota, o governo brasileiro “deplorou a ação militar de Israel”, destacando que a operação violou o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais e colocou em risco a vida de manifestantes pacíficos.

O comunicado também exige o fim imediato das restrições israelenses à entrada de ajuda humanitária em Gaza, lembrando que, como potência ocupante, Israel tem responsabilidades legais diante do direito internacional humanitário.

Luizianne Lins - © Divulgação/Global Sumud Flotilla
Luizianne Lins – © Divulgação/Global Sumud Flotilla

Pressão internacional e solidariedade

Entidades de direitos humanos e governos estrangeiros acompanham o caso, reforçando que a detenção viola normas básicas da Convenção de Viena e pode configurar vilipêndio contra missões humanitárias.

Enquanto isso, famílias dos ativistas no Brasil cobram respostas rápidas do governo federal. “É inaceitável que brasileiros em missão de paz sejam tratados como criminosos de guerra, quando, na verdade, defendem a vida e o direito à dignidade do povo palestino”, afirmou a assessoria da deputada Luizianne.

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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações.