Sangue nos EUA

A Doutrina do Gatilho: Agentes de Trump espalham terror em Portland após execução em Minneapolis

Em um intervalo de 24 horas, forças federais de imigração deixam rastro de civis baleados e uma poeta morta; Oregon entra em rota de colisão com a Casa Branca enquanto prefeitos tentam barrar a milícia de Donald Trump.

JR Vital - Diário Carioca
Por
JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
- Editor e analista geopolítico
Donald Trump - Foto: Joyce N. Boghosian/Oficial Casa Branca

OS FATOS

  • Agentes da Customs and Border Protection (CBP) abriram fogo contra um homem e uma mulher em Portland, um dia após um agente do ICE executar a poeta Renee Nicole Good em Minneapolis.
  • O prefeito de Portland, Keith Wilson, solicitou formalmente a suspensão imediata de operações federais na cidade, classificando a atuação da força-tarefa de Trump como “profundamente perturbadora”.
  • O FBI foi acionado para investigar as circunstâncias dos disparos, enquanto a polícia local se distanciou da ação, evidenciando a fratura entre autoridades municipais e o governo federal.

O que se testemunha em solo estadunidense não é mais uma política de imigração, mas a transição final para uma caça às bruxas institucionalizada.

Ao deslocar agentes de fronteira para o coração de cidades como Portland e Minneapolis, a administração Donald Trump reedita o terror das patrulhas paramilitares que, ao longo da história, serviram para sufocar dissidências sob o manto da “ordem”.

A morte de Renee Nicole Good, uma voz premiada da literatura silenciada pelo chumbo estatal, evoca os tempos sombrios em que a arte e a existência civil eram alvos legítimos de regimes autocráticos.

Portland, historicamente um bastião de resistência progressista, torna-se agora o novo front de uma guerra civil não declarada, onde o “inimigo” é qualquer um que não se enquadre no projeto de pureza ideológica da nova Washington.

“Quando o braço armado do Estado atira em poetas em plena luz do dia, a fronteira deixou de ser uma linha geográfica para se tornar uma barreira entre a democracia e a barbárie.”

Qual o objetivo estratégico por trás da agressividade das agências federais em centros urbanos?

A estratégia da Casa Branca visa desmantelar as chamadas “cidades-santuário” através do choque e pavor. Ao utilizar a força letal em áreas fora da jurisdição de fronteira, o governo Trump tenta intimidar governadores e prefeitos que se recusam a colaborar com as deportações em massa.

É um teste de força: a federalização da violência serve para provar que a soberania local não existe diante do poder executivo imperial, transformando agentes de imigração em uma polícia política com licença para matar.

Como a comunidade internacional e as instituições de Direitos Humanos devem ler estes ataques?

O Diário Carioca, como signatário do UN SDG Media Compact, entende que o uso de força letal contra civis desarmados em operações de imigração fere os princípios fundamentais da dignidade humana. O que ocorre em Oregon e Minnesota deve ser levado aos tribunais internacionais como evidência de violação sistemática dos direitos civis. Portland “não responderá violência com violência”, como disse seu prefeito, mas a resistência institucional e a denúncia global são as únicas armas capazes de frear o ímpeto beligerante de um governo que ignora fronteiras éticas.

Expediente: 9 de janeiro de 2026, 01:24 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.

- Publicidade -
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
Seguir:
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.