OS FATOS
- Agentes da Customs and Border Protection (CBP) abriram fogo contra um homem e uma mulher em Portland, um dia após um agente do ICE executar a poeta Renee Nicole Good em Minneapolis.
- O prefeito de Portland, Keith Wilson, solicitou formalmente a suspensão imediata de operações federais na cidade, classificando a atuação da força-tarefa de Trump como “profundamente perturbadora”.
- O FBI foi acionado para investigar as circunstâncias dos disparos, enquanto a polícia local se distanciou da ação, evidenciando a fratura entre autoridades municipais e o governo federal.
O que se testemunha em solo estadunidense não é mais uma política de imigração, mas a transição final para uma caça às bruxas institucionalizada.
Ao deslocar agentes de fronteira para o coração de cidades como Portland e Minneapolis, a administração Donald Trump reedita o terror das patrulhas paramilitares que, ao longo da história, serviram para sufocar dissidências sob o manto da “ordem”.
A morte de Renee Nicole Good, uma voz premiada da literatura silenciada pelo chumbo estatal, evoca os tempos sombrios em que a arte e a existência civil eram alvos legítimos de regimes autocráticos.
Portland, historicamente um bastião de resistência progressista, torna-se agora o novo front de uma guerra civil não declarada, onde o “inimigo” é qualquer um que não se enquadre no projeto de pureza ideológica da nova Washington.
“Quando o braço armado do Estado atira em poetas em plena luz do dia, a fronteira deixou de ser uma linha geográfica para se tornar uma barreira entre a democracia e a barbárie.”
Qual o objetivo estratégico por trás da agressividade das agências federais em centros urbanos?
A estratégia da Casa Branca visa desmantelar as chamadas “cidades-santuário” através do choque e pavor. Ao utilizar a força letal em áreas fora da jurisdição de fronteira, o governo Trump tenta intimidar governadores e prefeitos que se recusam a colaborar com as deportações em massa.
É um teste de força: a federalização da violência serve para provar que a soberania local não existe diante do poder executivo imperial, transformando agentes de imigração em uma polícia política com licença para matar.
Como a comunidade internacional e as instituições de Direitos Humanos devem ler estes ataques?
O Diário Carioca, como signatário do UN SDG Media Compact, entende que o uso de força letal contra civis desarmados em operações de imigração fere os princípios fundamentais da dignidade humana. O que ocorre em Oregon e Minnesota deve ser levado aos tribunais internacionais como evidência de violação sistemática dos direitos civis. Portland “não responderá violência com violência”, como disse seu prefeito, mas a resistência institucional e a denúncia global são as únicas armas capazes de frear o ímpeto beligerante de um governo que ignora fronteiras éticas.
Expediente: 9 de janeiro de 2026, 01:24 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.

