Etiópia e Libéria: Os únicos países africanos não colonizados

Influência externa existiu, mas soberania resistiu na Etiópia e na Libéria
5 de abril de 2025
Leia em 2 minutos
África - Encyclopædia Britannica / Wikimedia Commons
África - Encyclopædia Britannica / Wikimedia Commons

África – Adis Abeba – Monróvia – A Etiópia e a Libéria foram os únicos países do continente africano que escaparam à colonização formal, apesar de enfrentarem momentos de influência estrangeira.

A resistência etíope contra a Itália fascista e a criação da Libéria por ex-escravizados libertos dos Estados Unidos explicam parte dessa exceção histórica na África.


Apenas dois países africanos não sofreram colonização direta

Dos mais de 50 países africanos, apenas a Etiópia e a Libéria conseguiram manter-se fora do controle colonial direto das potências europeias. Contudo, isso não significa ausência total de dominação externa.

Historiadores apontam que, mesmo sem colônias formais, influências econômicas e militares afetaram a autonomia desses países. Em alguns períodos, ambos cederam espaços ou aceitaram pactos de submissão geopolítica.


Etiópia: resistência armada e herança milenar

A Etiópia, conhecida antigamente como Abissínia, é uma das nações mais antigas do mundo. Segundo a enciclopédia Britannica, sua longa história inclui diversos episódios de tentativa de invasão.

Em 1895, o país enfrentou a investida da Itália, mas venceu a Batalha de Adwa em 1896, preservando sua soberania.

Com a vitória de Adwa, a Etiópia impediu o domínio italiano”, destaca o registro histórico.

No entanto, em 1936, o regime de Benito Mussolini lançou nova ofensiva. Durante cinco anos, a Itália ocupou o território e o unificou à Eritreia e à Somália Italiana, formando a chamada África Oriental Italiana.

A independência foi restaurada em 1941, com o fim da ocupação. Apesar do episódio, o período é considerado curto se comparado aos longos séculos de colonização vividos por outros países africanos.


Diversidade linguística como traço cultural da Etiópia

Com mais de 100 milhões de habitantes, a Etiópia reúne dezenas de etnias. Por isso, cerca de 100 línguas diferentes são faladas em todo o território.

Essa diversidade reflete o perfil multicultural do país, que se consolidou como um dos principais polos populacionais do continente africano.


Libéria: ex-escravizados fundam uma nação independente

A Libéria surgiu em 1821, quando norte-americanos fundaram uma colônia para receber negros libertos após a escravidão nos Estados Unidos.

O governo americano queria repatriar os ex-escravizados e investiu recursos para levá-los de volta à África.

Apesar do domínio de americanos no início, muitos estudiosos não classificam a Libéria como colônia formal. Isso porque a própria Sociedade Americana de Colonização cedeu o território em 1847, quando o país proclamou a independência.


Libéria e suas raízes ligadas aos descobrimentos

Conhecida no passado como Costa dos Cereais, a Libéria recebeu esse nome por conta da pimenta Melegueta, rara especiaria valorizada desde os tempos das navegações portuguesas.

A história do país, portanto, une a presença de europeus no passado com a criação moderna ligada à diáspora africana e à escravidão.


Entenda: Etiópia e Libéria na história da não colonização africana

  • A Etiópia resistiu à colonização, vencendo a Itália em 1896.
  • O país enfrentou nova ocupação em 1936, mas reconquistou a soberania em 1941.
  • Com grande diversidade étnica, abriga cerca de 100 línguas.
  • A Libéria foi criada em 1821 por ex-escravizados vindos dos EUA.
  • O país declarou independência em 1847 e não passou por colonização tradicional.
  • Historiadores debatem se a influência americana se configura como colonialismo.
  • Ambos os países sofreram pressões externas, mas evitaram dominação direta prolongada.

Mais Lidas

Newsletter

Colunas

Leia Também