África – Adis Abeba – Monróvia – A Etiópia e a Libéria foram os únicos países do continente africano que escaparam à colonização formal, apesar de enfrentarem momentos de influência estrangeira.
A resistência etíope contra a Itália fascista e a criação da Libéria por ex-escravizados libertos dos Estados Unidos explicam parte dessa exceção histórica na África.
Apenas dois países africanos não sofreram colonização direta
Dos mais de 50 países africanos, apenas a Etiópia e a Libéria conseguiram manter-se fora do controle colonial direto das potências europeias. Contudo, isso não significa ausência total de dominação externa.
Historiadores apontam que, mesmo sem colônias formais, influências econômicas e militares afetaram a autonomia desses países. Em alguns períodos, ambos cederam espaços ou aceitaram pactos de submissão geopolítica.
Etiópia: resistência armada e herança milenar
A Etiópia, conhecida antigamente como Abissínia, é uma das nações mais antigas do mundo. Segundo a enciclopédia Britannica, sua longa história inclui diversos episódios de tentativa de invasão.
Em 1895, o país enfrentou a investida da Itália, mas venceu a Batalha de Adwa em 1896, preservando sua soberania.
“Com a vitória de Adwa, a Etiópia impediu o domínio italiano”, destaca o registro histórico.
No entanto, em 1936, o regime de Benito Mussolini lançou nova ofensiva. Durante cinco anos, a Itália ocupou o território e o unificou à Eritreia e à Somália Italiana, formando a chamada África Oriental Italiana.
A independência foi restaurada em 1941, com o fim da ocupação. Apesar do episódio, o período é considerado curto se comparado aos longos séculos de colonização vividos por outros países africanos.
Diversidade linguística como traço cultural da Etiópia
Com mais de 100 milhões de habitantes, a Etiópia reúne dezenas de etnias. Por isso, cerca de 100 línguas diferentes são faladas em todo o território.
Essa diversidade reflete o perfil multicultural do país, que se consolidou como um dos principais polos populacionais do continente africano.
Libéria: ex-escravizados fundam uma nação independente
A Libéria surgiu em 1821, quando norte-americanos fundaram uma colônia para receber negros libertos após a escravidão nos Estados Unidos.
O governo americano queria repatriar os ex-escravizados e investiu recursos para levá-los de volta à África.
Apesar do domínio de americanos no início, muitos estudiosos não classificam a Libéria como colônia formal. Isso porque a própria Sociedade Americana de Colonização cedeu o território em 1847, quando o país proclamou a independência.
Libéria e suas raízes ligadas aos descobrimentos
Conhecida no passado como Costa dos Cereais, a Libéria recebeu esse nome por conta da pimenta Melegueta, rara especiaria valorizada desde os tempos das navegações portuguesas.
A história do país, portanto, une a presença de europeus no passado com a criação moderna ligada à diáspora africana e à escravidão.
Entenda: Etiópia e Libéria na história da não colonização africana
- A Etiópia resistiu à colonização, vencendo a Itália em 1896.
- O país enfrentou nova ocupação em 1936, mas reconquistou a soberania em 1941.
- Com grande diversidade étnica, abriga cerca de 100 línguas.
- A Libéria foi criada em 1821 por ex-escravizados vindos dos EUA.
- O país declarou independência em 1847 e não passou por colonização tradicional.
- Historiadores debatem se a influência americana se configura como colonialismo.
- Ambos os países sofreram pressões externas, mas evitaram dominação direta prolongada.