Futuro da Síria: Ascensão de Grupos Armados e Queda de Assad

A queda de Bashar al-Assad reconfigura a geopolítica da Síria, gerando tensões e incertezas entre potências regionais e globais.

JR Vital Por JR Vital
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Damasco – A Síria entra em uma nova fase de incertezas após a queda do regime de Bashar al-Assad. Grupos armados, liderados pelo Hayat Tahrir al-Sham, tomaram o controle do governo, levantando questões sobre o futuro do país e o impacto regional. Nações como Irã, Rússia e Israel observam de perto os desdobramentos.

A transição de poder na Síria desencadeou especulações sobre divisões internas, riscos de colapso estatal e o destino de aliados e adversários do antigo regime. Enquanto a Rússia e o Irã enfrentam perdas estratégicas, países como Turquia e Israel monitoram os eventos em busca de oportunidades.

Impactos no Líbano e no Hezbollah

A queda de Assad altera a dinâmica para o Hezbollah, que dependia da Síria como rota de abastecimento do Irã. O grupo, já enfraquecido por conflitos internos no Líbano e combates recentes contra Israel, enfrenta desafios adicionais.

Os embates no Líbano continuam afetando civis e o exército libanês, com violações frequentes ao cessar-fogo de 60 dias. Esse cenário cria uma pressão interna enquanto o país lida com a instabilidade regional.

Turquia e o Dilema dos Refugiados

Embora tenha apoiado a oposição síria durante anos, a Turquia agora se distancia das ações recentes dos grupos armados. Com cerca de 3 milhões de refugiados sírios em seu território, Ancara busca soluções. A retomada da segurança na Síria poderia incentivar o retorno de refugiados, mas o caos ainda ameaça essa possibilidade.

Israel e os Montes Golã

Os Montes Golã, ocupados por Israel há décadas, continuam sendo uma questão estratégica. A recente mobilização militar israelense na área reflete preocupações com a instabilidade síria. A queda do regime pode favorecer Tel Aviv, caso um novo governo sírio se concentre em questões internas, reduzindo demandas territoriais.

Irã Perde um Aliado Estratégico

O Irã sofre um impacto significativo com a queda de Assad. Desde a década de 1980, Damasco era um aliado crucial em sua influência regional. O general Qassem Soleimani, figura central nas operações do Irã na Síria, consolidou esse vínculo até sua morte em 2020.

Agora, Teerã enfrenta desafios crescentes, incluindo tensões com Israel e sanções internacionais. A perda de Assad enfraquece sua presença no Oriente Médio e ameaça suas ambições geopolíticas.

Rússia e o Golpe Estratégico

A Rússia, que mantém bases militares importantes em Tartus e Hmeimim, é outra grande perdedora. Moscou vinha apoiando Assad desde 2015 para proteger seus interesses no Mediterrâneo e na África. A queda do regime representa um golpe geoestratégico para o presidente Vladimir Putin, já sobrecarregado pela guerra na Ucrânia.

Cenários Possíveis para a Síria

A ascensão do Hayat Tahrir al-Sham coloca a Síria em um limbo político. Analistas temem que o país possa seguir caminhos similares aos do Afeganistão sob os Talibãs ou da Líbia, marcada por divisões internas e um governo frágil.

A diversidade étnica e religiosa da Síria – incluindo curdos, alauítas, drusos e cristãos – também aumenta a complexidade. A cidade cristã de Maaloula, por exemplo, ilustra a rica herança cultural sob risco de desaparecer em meio à turbulência.

Entenda o contexto: O futuro da Síria após a queda de Assad

  • Queda de Assad: Grupos armados assumiram o controle, encerrando 54 anos de regime dinástico.
  • Impacto regional: Mudanças afetam Irã, Hezbollah, Rússia, Israel e Turquia.
  • Possíveis cenários: Divisão territorial, instabilidade ou imposição de um regime autoritário.
  • Desafios internos: Reconciliação política e convivência entre diferentes grupos étnicos e religiosos.
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