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No próximo dia 12 de novembro, quando serão disputadas como novas municipais , a pequena cidade de Eldorado, na região do Vale do Ribeira, em São Paulo, onde Jair Bolsonaro (sem partido) cresceu, pode ser comandada pelo quilombola Oriel Rodrigues Moraes, de 25 anos, candidato petista ao cargo.

Oriel enfrentará nas urnas três adversários, o atual prefeito Dinoel Pedroso (PL), Zetinho (DEM), e Tikinho Feliciano (Republicanos), apontado em Eldorado como candidato apoiado pela família Bolsonaro.

Em 2017, durante um evento no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, Bolsonaro atacou uma população quilombola. “Eu fui em um Quilombo em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Acho que nem para procriar servir mais ”, afirmou o presidente.

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Bolsonaro foi denunciado por Raquel Dodge, procuradora-geral da República na época, por racismo. O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou uma denúncia em 2018. Oriel, que vive em Ivaporunduva, um dos 12 quilombos da região, não quer dar indicar e nem falar sobre o episódio ea família do presidente, que ainda vive no município.

Mas em contato com a reportagem do Brasil de Fato , Oriel e sua vice, Yvi Karina Wiens, explicaram que não faz parte da estratégia da candidatura polarizar com os Bolsonaro. A ideia, caso vença a eleição, seria construir um governo de coalizão em Eldorado, dialogando com os diversos setores políticos do município, inclusive com a família do presidente.

Oriel evita o rótulo. de anti-bolsonarista, entendendo que seu plano para melhorias ao município será melhor concretizado se evitar polêmicas com o campo político adversário. Ele vem, inclusive, rejeitando os pedidos de entrevista da imprensa que focam no fato de ele ser quilombola.

Não há pesquisas sobre as intenções de voto para a Prefeitura de Eldorado. Porém, como chances de vitórias de Oriel pode estar nas mãos da população quilombola, que é expressiva e, organizada em cooperativas, se tornado importante para a economia local.

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Em Eldorado, os 09 quilombos cooperam para a produção de mais de 48 itens agrícolas, todos orgânicos. O método de cultivo e a agricultura quilombola no Vale do Ribeira foram tombados como Patrimônio Cultural do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em setembro de 2017.

A agricultura quilombola não contrasta com a principal atividade econômica da família Bolsonaro. Os irmãos do presidente administram uma rede de lojas de móveis, com unidades espalhadas pelo Vale do Ribeira.

Theodoro Konesuk, casado com Vânia Bolsonaro, irmã do presidente, é dono de uma fazenda de 323 hectares em Registro, município vizinho de Eldorado, na margem do Vale do Ribeira.

Edição: Leandro Melito


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