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Os homens que não amam as mulheres. A garota marcada para morrer

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RAY CUNHA, DE BRASÍLIA – Conversando outro dia com um amigo, crítico literário, perguntei-lhe o que ele achava dos livros do americano Dan Brown, autor de O código da Vince, seu livro mais conhecido. Ele me olhou escandalizado.

– Não é literatura! – disse-me, convicto.

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Tudo bem! Os livros clássicos moldaram a literatura, tal como hoje a conhecemos, além de mergulharem na condição humana, o que os tornam atemporais, pois, neles, as palavras são como bisturis de luz. E há também os livros revolucionários, aqueles que oxigenam a literatura, como o fez Ernest Hemingway com O sol também se levanta, em 1926, só para citar um exemplo. Esse livro afetou meio mundo em todo o planeta, especialmente nos Estados Unidos, onde havia um puritanismo do caraca.

Além dos fatores citados, há ainda outra coisa que alça alguns autores a ídolos como os de rock, incensados e bajulados. Quando Hemingway estava no auge da fama, vendendo como poucos e badalando no jet set internacional, havia uma razão para isso: O sol também se levanta, Adeus às armas e Por quem os sinos dobram, livros que retratavam fielmente a época em que foram publicados.

Neste artigo não vou falar de Dan Brown, mas do sueco Stieg Larsson. Da sua trilogia, Millennium: Os homens que não amavam as mulheres, de 2005, A menina que brincava com fogo, de 2006, e A rainha do castelo de ar, de 2007. Os três livros somam pelo menos 1.500 páginas, mas a gente os lê quase de um fôlego, de tão bons, viagem de alguns dias dos mais intensos que já vivi. É literatura policial de ponta. Coisa desses tempos pós-modernos do século 21. 

Larsson não era nenhum Shakespeare, nenhum Faulkner, mas sabia escrever, e, sobretudo, sabia sobre o que estava escrevendo. Nasceu em 15 de agosto de 1954, em Estocolmo, onde viveu boa parte da sua vida, como um dos mais influentes jornalistas suecos. Aliás, o segundo papel mais importante da série Millennium é a de um jornalista, da revista Millennium, que dá, ao longo dos três livros, uma aula de jornalismo. Larsson trabalhou na agência de notícias TT e fundou e dirigiu a revista Expo. Denunciou organizações neofascistas e racistas, pelo que foi ameaçado de morte, e foi coautor de Extremhögern, livro sobre a extrema direita sueca.

Os três livros de ficção de Larsson constituem-se em verdadeira aula para estudantes de jornalismo. Mostra que o repórter, quando segue uma pista, por mais perigosa que seja, deve persistir, se vale a pena, considerando que sua denúncia será das mais relevantes para o bem-estar da democracia, ameaçada inclusive por outros jornalistas, aquela banda podre da profissão, os corruptos, que só têm um objetivo: pôr as garras em alguns maços de dinheiro.

Larsson morreu em 9 de novembro de 2004, aos 50 anos, de ataque cardíaco, ao subir os sete lances de escada da revista Expo, pois o elevador havia quebrado. Mas acabara de escrever e de entregar ao seu editor a série Millennium, publicada nos anos seguintes. Em 2013, a editora Norstedts convidou o escritor sueco David Lagercrantz a assumir a continuação da série, criando mais três volumes: A garota na teia de aranha, de 2015; O homem que buscava sua sombra, de 2017; e A garota marcada para morrer, de 2019, ponto final à saga, estrondoso sucesso de crítica e de público em todo o mundo e que já vendeu mais de 100 milhões de livros.

Assim é com autores como Stieg Larsson e David Lagercrantz, que criaram personagens pós-modernos. Hackers, espiões, mafiosos, intrigas políticas capazes de abalar governos, psicopatas que agem como hienas, mulheres tão extraordinárias que são capazes de humilhar o mais empedernido machão, furtos no mundo das finanças de deixar bilionários de cabelos em pé, manipulação genética e informática de ponta. 

Alguns dos livros foram adaptados para o cinema, que recriou a personagem principal, a hacker Lisbeth Salander. Talvez o melhor qualificativo para Salander seja “apaixonante”. “Maravilhosa” também pega bem. Mas o fato é que ela é uma justiceira definitiva. Como hacker, está acima de gênio: é uma deusa. E é aquele tipo de mulher que somente homens de verdade conseguem se aproximar dela. Machões, principalmente do tipo covarde, que gosta de torturar mulheres, perdem os bagos. 

Há também uma personagem masculina que enobrece a profissão de jornalista, Mikael Blomkvist, diretor da revista Millenium, que detesta o abuso de poder. No final das contas, a saga é uma crítica social à Suécia, com o fim da liberdade individual imposto pela tecnologia e a violência contra as mulheres, que continuam sendo tratadas como boas apenas para sexo.

Os filmes baseados na saga são sucesso de bilheteria e de público na televisão, e já foi até para os quadrinhos. David Lagercrantz declarou à agência France Presse: “Estou convencido de que Lisbeth é imortal e que continuará vivendo de uma forma ou de outra, na televisão, no cinema, ou em outros livros”.

A série foi adaptada para o cinema sueco com a atriz Noomi Rapace no papel de Lisbeth Salander e Michael Nyqvist no papel do jornalista Mikael Blomkvist, após versão hollywoodiana dirigida por David Fincher, na qual Rooney Mara é Lisbeth e Daniel Craig, o melhor James Bond, é Blomkvist, na adaptação do primeiro livro da série, Os homens que não amavam as mulheres

Aos 15 anos, Larsson testemunhou o estupro coletivo de uma jovem e jamais se perdoou por não tê-la ajudado. O nome dela era Lisbeth. Na ficção, Lisbeth Salander é uma hacker brilhante, desajustada social, bissexual, com corpo de menina, que faz justiça à sombra, especialmente quanto aos homens que não amam as mulheres e que atravessam seu caminho, os machões de todos os quilates, dos apenas imbecis aos estupradores e assassinos. Acabamos amando Lisbeth, desejando sua companhia, nem que seja apenas para sentar-se à mesa da cozinha, tomar café e bater papo com ela, mesmo que Salander não fale muito.

Quando Lagercrantz entrou em cena, pegou mais leve, mas nem por isso perdeu o ritmo. Em A garota marcada para morrer põe fim à série, mas, misericordioso, deixa Salander, que tinha tudo para morrer, viva.

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