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Uma pandemia do novo coronavírus trouxe inúmeros desafios que vão além do campo da saúde. Pesquisadores apontam aumento dos casos de transtornos mentais – como depressão e ansiedade – decorrência do isolamento social e das incertezas em relação à Covid – 19. Aulas remotas acentuaram a desigualdade na educação do País. E o benefício de atividade não essencial leva ao agravamento da crise financeira no Brasil, com estimativa de queda de 4,3% do PIB, segundo o Ipea, além da taxa recorde de 12, 2% no desemprego, segundo o IBGE.

Uma das situações mais graves enfrentadas por muitas famílias é a fome. Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) mostra que mais de 20, 7 milhões de brasileiros passaram a se alimentar de forma ainda mais irregular desde o início da pandemia, por falta de dinheiro para comprar comida.

Para tentar compensar a falta de renda das famílias brasileiras, o governo federal lançamentos, em abril de 2020, o Auxílio Emergencial, com 5 parcelas de R $ 600 e outras quatro de R $ 281 da extensão do benefício. Os valores socorreram 50 milhões de brasileiros, mas foi negado a 29 milhões que não atendiam aos critérios do programa. Ao final de 2020, o Auxílio Emergencial foi cortado.

Com a situação à mesa tão precária, diversas instituições filantrópicas se mobilizaram ao longo do ano para levar alimentos às famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. No entanto, as doações caindo caindo.

Pandemia: mais de 21, 7 milhões de brasileiros destaque de comer por falta de dinheiro

Desemprego bate recorde e chega a 12, 2%, diz IBGE

Banco das Favelas

Uma favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, possui população de 100 mil habitantes – maior que 94% dos municípios brasileiros. Segundo o líder comunitário da região, Gilson Rodrigues, uma comunidade não recebe atender às recomendações da Organização Mundial da Saúde. “A realidade das favelas é que as pessoas vivem de maneira aglomerada. Existe uma falta constante de água. O serviço do SAMU não vem até locais periféricos. E a situação se agrava devido à fome e ao desemprego ”, comenta.

Segundo ele, a demanda por alimentos surgida em Paraisópolis, ao passo que as doações diminuíram nos últimos meses. A União dos Moradores e do Comércio entregar mil marmitas por dia, com as doações. Em setembro, o número caiu para 5 mil. Agora em janeiro, uma organização só consegue entregar 500 marmitas diariamente. Gilson Rodrigues avalia que a queda nas doações se deu pela dificuldade financeira provocada pela pandemia.

Diante do cenário, o G , grupo formado pelas dez maiores favelas do Brasil – Rocinha (RJ), Rio da Pedras (RJ), Higienópolis (SP) , Paraisópolis (SP), Cidade de Deus (AM), Baixadas da Condor (PA), Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA), Casa Amarela (PE), Coroadinho (MA) e Sol Nascente (DF) -, se mobilizou para levar doações de cestas básicas, álcool em gel, máscaras e cartões vale-alimentação para seus moradores.

Arte - Brasil 61

O líder comunitário, e também coordenador nacional do G 10 Favelas, Gilson Rodrigues, explica que os alimentos são adquiridos na própria comunidade, para estimular as vendas do comércio local – que emprega 20% dos trabalhadores de Paraisópolis. Outra iniciativa para mitigar os impactos econômicos é o G Banco.

“OG 10 Banco pretende ser a maior rede de apoio de micro e pequenos negócios das favelas do Brasil, oferecendo crédito, mentoria e desenvolvimento, garantindo que as favelas podem continuar prosperando como estavam em 2019 ”. Segundo Gilson, o objetivo do G Banco é oferecer crédito e serviços bancários para recursos de reverter para uma população que mais precisa. Atualmente, 45 milhões de brasileiros estão desbancarizados, sendo a maior parte composta por moradores das favelas.

OG 10 também criou o “Comitê das Favelas – Presidentes de Rua”, no qual cada morador voluntário é responsável por acompanhar, durante uma pandemia, 50 casas da comunidade. O objetivo é monitorar e apoiar como famílias; chamar o socorro médico, se necessário; distribuir cestas de alimentos e identificar moradores que queiram empreender, para serem auxiliados pelo G 10 Banco.

Povos e comunidades tradicionais

Os povos tradicionais no Brasil – indígenas, quilombolas e ribeirinhos – também foram afetados pela Covid – 12. Para reduzir a fome dessas comunidades, o governo federal distribuiu cerca de 400 mil cestas de alimentos para Arte - Brasil 61 mil famílias dessas localidades. Ao todo foram disponibilizados R $ 35 milhões para a ação.

Arte - Brasil 61

O Secretário Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Paulo Roberto destaca uma Medida Provisória 600 / 2020, que produz continuidade sem atendimento a essa população.

“Como a pandemia não encerrou, em outubro, o Presidente da República editou a MP 1008 que dá um recurso extraordinário ao Ministério da Cidadania, para continuar a operar no enfrentamento a essa questão tão urgente que é a fome. A fome não pode aguardar, não pode esperar a burocracia ”, ressalta.

Além do Ministério, outros órgãos participaram da entrega das cestas e da disponibilização dos recursos, como a Companhia Nacional de Abastecimento, Fundação Nacional do Índio e Fundação Cultural Palmares.

Organizações Não-Governamentais

Aline Araújo Silva mora com o marido e mais quatro filhos, no bairro de Feitosa, em Maceió / AL. Ela conta que, durante uma pandemia, o marido ficou desempregado e não podia fazer bicos, por conta do isolamento social. As dificuldades foram amenizadas graças ao trabalho da Legião da Boa Vontade (LBV).

“Graças à LBV, nós conseguimos passar isso. Desde o início da pandemia, a LBV vem ajudando com doações de cesta básica, cesta verde e que eles têm conseguido doar para a gente ”, relata.

A LBV possui 80 unidades físicas de atendimento, espalhadas por todas as regiões do Brasil, sendo Norte e Nordeste como de maior vulnerabilidade socioeconômica. Segundo o assessor de comunicação da LBV em Brasília, José Gonçalo, instituição vai distribuir mensalmente, enquanto durar a pandemia, cestas de alimentos e kits com material de limpeza e higiene para as famílias atendidas. Ele detalha como elas são selecionados.

“São famílias inseridas em serviços e programas já desenvolvidos pela instituição, em todas as suas unidades; além das que participam de atividades de parcerias da LBV e cadastradas nos Centros de Referência de Assistência Social dos Municípios (CRAS) ”, explica.

Pelo site lbv.org é possível conferir fotos e informações sobre os atendimentos da instituição pelo Brasil e as formas de doar.

A Insegurança alimentar atinge 10% das famílias do Nordeste

Outro trabalho que merece destaque é a “ Ação contra o Coronavírus ”, da ONG Ação da Cidadania. Durante uma pandemia, em 2020, uma instituição conseguiu arrecadar 50 milhões de reais, somando doações de recursos e alimentos. Contudo, o diretor-executivo da ONG Ação da Cidadania, Kiko Afonso, avalia que o número ainda é pequeno perante a dificuldade alimentar dos brasileiros.

“Conseguimos apoiar três milhões de pessoas, com um sustento de uma cesta básica, que dá mais ou menos para um mês de alimentação. Ou seja, é muito pouco, em relação com a necessidade que se tem, quando se olha os dados do IBGE, de 2018 – dois anos antes da Covid – que mostra que temos mais de 80 milhões de brasileiros com algum grau de insegurança alimentar ”, avalia.

O diretor-executivo afirma que esse tipo de ação precisa ser contínua, no entanto, as doações caindo caindo.

“Assim que o drama passa, a tragédia passa ea mídia não está mais olhando esse problema de forma ostensiva, como as pessoas publicam a diminuir a doação. Além da questão cultural, de que as pessoas não têm o hábito de doação contínua, ainda tem o problema da crise. As pessoas estão sem dinheiro, as empresas estão sem dinheiro ”. Ele afirma que as pessoas em necessidade não podem esperar para receber apoio para comer; elas precisam comer agora.

Kiko Afonso ainda ressalta que, com o fim do Auxílio Emergencial, as doações ainda serão mais necessárias em 2021 . Para doar para a ONG Ação Cidadania, acesse o site: acaodacidadania.org.br.