Brasília, 24 de julho de 2025 — O Congresso Nacional impôs nova derrota ao bolsonarismo ao barrar a tentativa de levar adiante um pacote legislativo contra o Supremo Tribunal Federal, revelando o esvaziamento político do ex-presidente e seu núcleo mais radical.
Rejeição escancarada à ofensiva extremista
A proposta bolsonarista, elaborada como reação às medidas judiciais contra Jair Bolsonaro — incluindo o uso de tornozeleira eletrônica —, foi ignorada até por integrantes do próprio Partido Liberal. Com três eixos centrais — anistia aos golpistas do 8 de janeiro, redução do foro privilegiado e mudanças na Lei do Impeachment —, o plano naufragou antes mesmo de chegar ao plenário.
“Não sei quem está levando isso a sério além de Bolsonaro e das figuras que são retrato dele”, ironizou Isnaldo Bulhões (MDB-AL), líder do bloco majoritário na Câmara. A fala ilustra o constrangimento generalizado diante da insistência do bolsonarismo em manter uma agenda golpista em pleno recesso parlamentar.
Nem o PL quer: racha escancara isolamento
A ala mais radical tentou suspender o recesso para votar a pauta, mas foi barrada por Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente. Para Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP), a proposta beira o absurdo: “Deputado que trabalha não pode ir a Brasília a qualquer momento para atender live de influencer”, disparou.
O líder do Republicanos, Gilberto Abramo (MG), também selou o isolamento da ofensiva: “Temos que agir com cautela”.
Homenagens bloqueadas e anistia congelada
Durante o recesso, bolsonaristas tentaram emplacar comissões para homenagear o ex-presidente, mas as iniciativas foram vetadas por Motta sob argumento de falta de pluralidade. Já o requerimento de urgência para o projeto de anistia está engavetado desde abril, mesmo com apoio formal suficiente.
Medidas aprovadas no passado pela CCJ sob comando da bolsonarista Caroline de Toni (PL-SC) nunca avançaram ao plenário. A estagnação mostra que mesmo conquistas simbólicas do bolsonarismo não resistem ao filtro das lideranças do Congresso.
Senado ignora Flávio e protege Corte
No Senado, Davi Alcolumbre resiste a pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF, incluindo o apresentado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra Alexandre de Moraes. Nem mesmo uma versão enxuta da anistia, articulada com Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e senadores de centro, chegou a ser protocolada.
A antecipação do retorno de Alcolumbre a Brasília não sinaliza apoio ao bolsonarismo, mas a tentativa de evitar rupturas maiores no Senado diante das pressões da extrema direita.
Eduardo Bolsonaro acuado nos EUA
Outro dilema é a situação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que permanece nos Estados Unidos para evitar uma possível prisão no Brasil. Investigado por envolvimento em atos antidemocráticos e por articulações golpistas, o filho do ex-presidente se tornou símbolo do impasse da extrema direita: retomar a agenda ou preservar os mandatos.
Congresso isolando o bolsonarismo, mas não dócil ao Planalto
Apesar do isolamento dos radicais, o governo Lula também não terá trégua no retorno dos trabalhos legislativos. A derrubada do aumento do IOF e o veto ao projeto de ampliação do número de deputados alimentaram uma tensão duradoura entre Executivo e Legislativo.
“Hugo Motta está distante das demandas extremas. Isso é bom senso. Outras pautas da direita foram respeitadas e votadas. O governo vai continuar tendo vida difícil porque optou pelo enfrentamento”, avaliou Mário Heringer (PDT-MG).
Perguntas e Respostas
Por que o Congresso rejeitou o pacote bolsonarista contra o STF?
As propostas foram consideradas extremistas, descoladas da realidade política atual e mal avaliadas até por aliados do PL.
O pacote previa o quê exatamente?
Anistia aos golpistas do 8 de janeiro, mudança no foro privilegiado e alteração da Lei do Impeachment contra ministros do STF.
Eduardo Bolsonaro está foragido?
Formalmente, não. Mas permanece nos EUA e evita retornar ao Brasil por receio de prisão, já que é investigado por ataques ao STF.
Houve reação do Senado?
Sim. Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco barraram tentativas de votação de impeachment contra ministros do STF e congelaram a pauta de anistia.
O governo Lula sai fortalecido com o recuo bolsonarista?
Não necessariamente. Apesar da derrota da extrema direita, o Executivo enfrenta resistência no Congresso em outras pautas.
