Sem Anistia

Centrão barra ofensiva bolsonarista contra STF

Tentativa de impor agenda radical contra ministros do Supremo é rejeitada por lideranças do Congresso e até por aliados do PL

JR Vital - Diário Carioca
Por
JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por...
- Editor
Deputados bolsonaristas em coletiva após Bolsonaro sofrer medidas cautelares. Foto: Alan Santos/Câmara dos Deputados

Brasília, 24 de julho de 2025 — O Congresso Nacional impôs nova derrota ao bolsonarismo ao barrar a tentativa de levar adiante um pacote legislativo contra o Supremo Tribunal Federal, revelando o esvaziamento político do ex-presidente e seu núcleo mais radical.


Rejeição escancarada à ofensiva extremista

A proposta bolsonarista, elaborada como reação às medidas judiciais contra Jair Bolsonaro — incluindo o uso de tornozeleira eletrônica —, foi ignorada até por integrantes do próprio Partido Liberal. Com três eixos centrais — anistia aos golpistas do 8 de janeiro, redução do foro privilegiado e mudanças na Lei do Impeachment —, o plano naufragou antes mesmo de chegar ao plenário.

“Não sei quem está levando isso a sério além de Bolsonaro e das figuras que são retrato dele”, ironizou Isnaldo Bulhões (MDB-AL), líder do bloco majoritário na Câmara. A fala ilustra o constrangimento generalizado diante da insistência do bolsonarismo em manter uma agenda golpista em pleno recesso parlamentar.

Nem o PL quer: racha escancara isolamento

A ala mais radical tentou suspender o recesso para votar a pauta, mas foi barrada por Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente. Para Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP), a proposta beira o absurdo: “Deputado que trabalha não pode ir a Brasília a qualquer momento para atender live de influencer”, disparou.

O líder do Republicanos, Gilberto Abramo (MG), também selou o isolamento da ofensiva: “Temos que agir com cautela”.

Homenagens bloqueadas e anistia congelada

Durante o recesso, bolsonaristas tentaram emplacar comissões para homenagear o ex-presidente, mas as iniciativas foram vetadas por Motta sob argumento de falta de pluralidade. Já o requerimento de urgência para o projeto de anistia está engavetado desde abril, mesmo com apoio formal suficiente.

Medidas aprovadas no passado pela CCJ sob comando da bolsonarista Caroline de Toni (PL-SC) nunca avançaram ao plenário. A estagnação mostra que mesmo conquistas simbólicas do bolsonarismo não resistem ao filtro das lideranças do Congresso.

Senado ignora Flávio e protege Corte

No Senado, Davi Alcolumbre resiste a pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF, incluindo o apresentado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra Alexandre de Moraes. Nem mesmo uma versão enxuta da anistia, articulada com Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e senadores de centro, chegou a ser protocolada.

A antecipação do retorno de Alcolumbre a Brasília não sinaliza apoio ao bolsonarismo, mas a tentativa de evitar rupturas maiores no Senado diante das pressões da extrema direita.

Eduardo Bolsonaro acuado nos EUA

Outro dilema é a situação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que permanece nos Estados Unidos para evitar uma possível prisão no Brasil. Investigado por envolvimento em atos antidemocráticos e por articulações golpistas, o filho do ex-presidente se tornou símbolo do impasse da extrema direita: retomar a agenda ou preservar os mandatos.

Congresso isolando o bolsonarismo, mas não dócil ao Planalto

Apesar do isolamento dos radicais, o governo Lula também não terá trégua no retorno dos trabalhos legislativos. A derrubada do aumento do IOF e o veto ao projeto de ampliação do número de deputados alimentaram uma tensão duradoura entre Executivo e Legislativo.

“Hugo Motta está distante das demandas extremas. Isso é bom senso. Outras pautas da direita foram respeitadas e votadas. O governo vai continuar tendo vida difícil porque optou pelo enfrentamento”, avaliou Mário Heringer (PDT-MG).


Perguntas e Respostas

Por que o Congresso rejeitou o pacote bolsonarista contra o STF?
As propostas foram consideradas extremistas, descoladas da realidade política atual e mal avaliadas até por aliados do PL.

O pacote previa o quê exatamente?
Anistia aos golpistas do 8 de janeiro, mudança no foro privilegiado e alteração da Lei do Impeachment contra ministros do STF.

Eduardo Bolsonaro está foragido?
Formalmente, não. Mas permanece nos EUA e evita retornar ao Brasil por receio de prisão, já que é investigado por ataques ao STF.

Houve reação do Senado?
Sim. Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco barraram tentativas de votação de impeachment contra ministros do STF e congelaram a pauta de anistia.

O governo Lula sai fortalecido com o recuo bolsonarista?
Não necessariamente. Apesar da derrota da extrema direita, o Executivo enfrenta resistência no Congresso em outras pautas.

- Publicidade -
JR Vital - Diário Carioca
Editor
Seguir:
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações.