Brasília — segunda-feira, 18 de agosto de 2025 — O subprocurador-geral Lucas Furtado apresentou nesta segunda-feira uma representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que a Corte analise movimentações financeiras no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A denúncia envolve indícios de rachadinha, funcionários fantasmas e acumulação indevida de cargos públicos.
Segundo o pedido, caso as irregularidades sejam confirmadas, “devem ser punidos os envolvidos com possíveis atos de improbidade administrativa e desvio de dinheiro”. A ação acontece após reportagem do Metrópoles revelar que a chefe de gabinete de Hugo Motta, Ivanadja Velloso Meira Lima, possui procurações com poderes amplos para movimentar salários e recursos de dez (ex-)servidores.
Procuradora com histórico suspeito
Ivanadja Velloso responde a ação de improbidade administrativa relacionada a suposto esquema de rachadinha no gabinete do deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB), aliado político de Hugo Motta. Desde 2011, ela teria autorizado a movimentação de mais de R$ 4,1 milhões de salários de pessoas ligadas ao gabinete.
Entre os dez que concederam procurações, dois ainda ocupam cargos como secretários parlamentares do deputado: Ary Gustavo Xavier Guedes Soares e Jane Costa Gorgônio, reforçando questionamentos sobre a lisura das operações financeiras.
Fundamentos legais
Na representação ao TCU, Furtado aponta “possível violação aos princípios da legalidade, moralidade e eficiência”. O uso de procurações para movimentação de salários sem transparência e com indícios de desvio de finalidade compromete a integridade da gestão pública.
O subprocurador alerta que tais ações “podem configurar atos de improbidade administrativa, nos termos da Lei nº 8.429/1992”, incluindo enriquecimento ilícito, prejuízo ao erário e violação dos princípios da administração pública. Ele recomenda que o TCU sugira à Câmara a melhoria de mecanismos de controle para prevenir irregularidades futuras.
Nova frente de investigação
Além do TCU, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi acionado por Deltan Dallagnol, ex-deputado federal e ex-procurador da Lava Jato. Em notícia-crime enviada em 15 de agosto, Dallagnol solicitou investigação sobre supostas ilegalidades envolvendo Hugo Motta e sua chefe de gabinete, incluindo pedidos de documentos como fichas funcionais, espelhos de ponto e procurações registradas em cartório.
Segundo Dallagnol, “quando verbas remuneratórias são pagas sem a correspondente contraprestação … há desvio da destinação legal da verba (salário)”, configurando potencial crime de desvio.
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