Vergonhoso

Deputado do Novo de SC sugere que se mate adversários em futuro golpe

Gilson Marques defende, em redes sociais, que adversários políticos sejam mortos em futuros golpes, mostrando escalada de radicalização da extrema-direita

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Gilson Marques (NOVO/ SC) - Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O deputado federal Gilson Marques (Novo-SC), pré-candidato ao Senado em 2026, provocou choque ao sugerir publicamente que golpes de Estado futuros devem incluir assassinato de adversários políticos. Em postagem nos stories do Instagram, Marques afirmou que, diante da iminente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, a “lição” a ser tirada seria: “na próxima, faça o golpe mesmo, mate adversários, pois se não fizer nada disso será punido igual”.

A declaração expõe não apenas desrespeito à democracia, mas incitação direta à violência contra autoridades e adversários políticos, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF Alexandre de Moraes, que já foram alvo de ameaças por bolsonaristas radicais.

Radicalização e ameaça institucional

Marques se posicionou como representante de uma extrema-direita que busca confrontar o Supremo Tribunal Federal, rotulado por ele e por aliados como “arbitrário e ditatorial”. Ele defende que o Brasil precise de senadores que “enfrentem abusos do STF e defendam a liberdade”, sugerindo que a violência contra o Estado democrático seja uma estratégia aceitável para alcançar objetivos políticos.

A publicação de Gilson Marques - Reprodução - Diário Carioca
A publicação de Gilson Marques – Reprodução

A fala ocorre em um contexto de tentativa de ampliar cadeiras da extrema-direita no Senado, com o objetivo de prosseguir com pedidos de impeachment de ministros, estratégia já frustrada por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

O alerta do parlamentar coincide com o julgamento da ação penal contra Bolsonaro e outros sete réus na Primeira Turma do STF, acusados de tentativa de golpe de Estado em 2022. Entre os crimes imputados ao grupo estão atos previstos na Lei nº 14.197/2021, sancionada por Bolsonaro, que criou o capítulo de “crimes contra as instituições democráticas”, substituindo a antiga Lei de Segurança Nacional.

A legislação, aprovada após crescente ofensiva contra instituições durante o governo Bolsonaro, prevê penas de 1 a 5 anos para ações que ameacem ou desestabilizem a democracia, mas recebeu vetos que enfraqueceram o combate à propagação de fake news.

Incitação à violência como tática política

A sugestão de Marques de matar adversários políticos é uma escalada inédita na radicalização da extrema-direita brasileira, violando princípios democráticos e a segurança das autoridades e cidadãos. Especialistas alertam que normalizar discursos que incentivem homicídios como método político cria um precedente perigoso e fortalece grupos que defendem golpes armados contra o Estado democrático.

O episódio evidencia que a democracia brasileira segue sob ameaça de setores radicais que não apenas contestam instituições, mas estimulam atos de violência como ferramenta legítima de poder.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.