Xadrez Político

Lula Agradece: Crise no bolsonarismo e derrotas políticas 2025

Eduardo Bolsonaro desafia aliados e o pai enquanto Lula consolida liderança com aprovação recorde

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
- Editor e analista geopolítico
Foto: Reprodução

A crise bolsonarismo se aprofunda no Brasil com derrotas sucessivas, divisões internas e o enfraquecimento da influência do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2025, com Bolsonaro inelegível, preso em prisão domiciliar e juridicamente condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe, seu filho Eduardo se destaca de forma conflituosa, desafiando aliados e o próprio patriarca, enquanto a gestão Lula amplia sua aprovação e consolida autoridade política.

“Cada derrota do bolsonarismo é um presente para a consolidação do governo Lula e a retomada da democracia no país.”

O bolsonarismo enfrenta sua pior fase desde a eleição de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em janeiro de 2019. A combinação de condenações judiciais, prisão domiciliar, inelegibilidade e um cenário político fragmentado mergulhou o movimento em profunda crise política e institucional. O próprio ex-presidente, que já dominou a narrativa conservadora e mobilizou massas, está distante fisicamente e politicamente, sua imagem desgastada e seus filhos e aliados divididos no comando do que restou do grupo.

No epicentro dessa crise está Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-presidente, que vem protagonizando uma articulação política conflituosa. Eduardo desafia publicamente aliados do bolsonarismo e o próprio pai, sinalizando a intenção de concorrer à Presidência em 2026 sem a autorização de Jair Bolsonaro, que atualmente está em prisão domiciliar em sua mansão no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. A disputa interna fragiliza ainda mais a direita, que vê suas chances eleitorais se reduzirem na ausência de unidade.

O cenário é agravado por derrotas políticas recentes que reverberam como um tsunami para o bolsonarismo: Eduardo sofreu a abertura de processo de cassação por quebra de decoro, denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) por coação e teve sua tentativa frustrada de assumir a liderança da minoria na Câmara em meio a articulações para manter seu mandato. Paralelamente, o apoio norte-americano, reprodução tradicional do bolsonarismo, foi substituído por acenos do presidente Donald Trump a Lula, enfraquecendo ainda mais a linha de frente da direita no Congresso.

Do ponto de vista jurídico, a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma organização criminosa responsável pela tentativa de golpe de Estado em 2022 marca um ponto sem retorno para a imagem do grupo. Os militares aliados também foram condenados, e o impacto disso reverberou negativamente em toda a base bolsonarista. A influência do “ex-capitão” está cercada por dúvidas e ceticismo até mesmo dentro do próprio partido, o PL, cuja direção já advertiu que uma candidatura dissidente de Eduardo pode “ajudá-lo a morrer politicamente” — um comentário que o deputado rebateu como calúnia.

Para analistas políticos, como o cientista político da FGV Eduardo Grin, a crise bolsonarista deriva de erros de estratégia e má avaliação dos cenários institucionais e econômicos. O bolsonarismo apostou num apoio externo, nos Estados Unidos, enquanto seu discurso radical afastou segmentos importantes e colaborou com a polarização que, ironicamente, fortaleceu a esquerda. O governo Lula, por sua vez, capitaliza essa falha política ao incorporar discursos de soberania nacional e combate à corrupção, que ecoam entre a população descontenta com o rumo atribuído à direita.

Nas ruas, o bolsonarismo também amarga rejeição. Manifestações a favor da PEC da Blindagem e da anistia para parlamentares investigados foram amplamente criticadas nas redes sociais, com pesquisas apontando que 57,3% dos brasileiros rejeitam uma anistia geral. O contraste entre a grande bandeira do Brasil estendida pelos protestos de esquerda e a bandeira dos Estados Unidos exibida em manifestações bolsonaristas ilustra o distanciamento do grupo dos anseios populares. O senador Randolfe Rodrigues avalia que as recentes mobilizações denunciando blindagem e anistia simbolizam o sepultamento político dessas pautas e um vibrante despertar social contra a impunidade.

Cronologia resumida das derrotas (agosto-setembro 2025):

  • 4/8: Prisão domiciliar de Jair Bolsonaro por decisão do STF.
  • 11/9: Condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses por golpe de Estado.
  • 21/9: Manifestações massivas contrárias à PEC da Blindagem e anistia.
  • 22/9: Denúncias da PGR contra Eduardo Bolsonaro por coação.
  • 23/9: Acenos políticos de Trump a Lula; Eduardo sofre derrotas institucionais.

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A conjuntura atual indica que o bolsonarismo, marcado por disputas internas, crises jurídicas e rejeição social, enfrenta iminente esvaziamento. As portas para a direita tradicional, historicamente vinculadas ao Centrão e outros grupos pragmáticos, se fecham cada vez mais para figuras como Eduardo Bolsonaro, considerado politicamente condenado caso radicalize seu discurso.

Neste enfrentamento exposto, o bolsonarismo perde terreno e viu a esquerda resgatar símbolos nacionais e consolidar seu projeto político, focado em pautas sociais e econômicas que dialogam com a maioria da população brasileira. O saldo é uma virada significativa no cenário político nacional, onde o bolsonarismo talvez atinja seu ponto mais baixo em 2025, diante da ascensão de um governo Lula fortalecido.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.