A crise bolsonarismo se aprofunda no Brasil com derrotas sucessivas, divisões internas e o enfraquecimento da influência do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2025, com Bolsonaro inelegível, preso em prisão domiciliar e juridicamente condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe, seu filho Eduardo se destaca de forma conflituosa, desafiando aliados e o próprio patriarca, enquanto a gestão Lula amplia sua aprovação e consolida autoridade política.
“Cada derrota do bolsonarismo é um presente para a consolidação do governo Lula e a retomada da democracia no país.”
O bolsonarismo enfrenta sua pior fase desde a eleição de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em janeiro de 2019. A combinação de condenações judiciais, prisão domiciliar, inelegibilidade e um cenário político fragmentado mergulhou o movimento em profunda crise política e institucional. O próprio ex-presidente, que já dominou a narrativa conservadora e mobilizou massas, está distante fisicamente e politicamente, sua imagem desgastada e seus filhos e aliados divididos no comando do que restou do grupo.
No epicentro dessa crise está Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do ex-presidente, que vem protagonizando uma articulação política conflituosa. Eduardo desafia publicamente aliados do bolsonarismo e o próprio pai, sinalizando a intenção de concorrer à Presidência em 2026 sem a autorização de Jair Bolsonaro, que atualmente está em prisão domiciliar em sua mansão no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. A disputa interna fragiliza ainda mais a direita, que vê suas chances eleitorais se reduzirem na ausência de unidade.
O cenário é agravado por derrotas políticas recentes que reverberam como um tsunami para o bolsonarismo: Eduardo sofreu a abertura de processo de cassação por quebra de decoro, denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) por coação e teve sua tentativa frustrada de assumir a liderança da minoria na Câmara em meio a articulações para manter seu mandato. Paralelamente, o apoio norte-americano, reprodução tradicional do bolsonarismo, foi substituído por acenos do presidente Donald Trump a Lula, enfraquecendo ainda mais a linha de frente da direita no Congresso.
Do ponto de vista jurídico, a condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma organização criminosa responsável pela tentativa de golpe de Estado em 2022 marca um ponto sem retorno para a imagem do grupo. Os militares aliados também foram condenados, e o impacto disso reverberou negativamente em toda a base bolsonarista. A influência do “ex-capitão” está cercada por dúvidas e ceticismo até mesmo dentro do próprio partido, o PL, cuja direção já advertiu que uma candidatura dissidente de Eduardo pode “ajudá-lo a morrer politicamente” — um comentário que o deputado rebateu como calúnia.
Para analistas políticos, como o cientista político da FGV Eduardo Grin, a crise bolsonarista deriva de erros de estratégia e má avaliação dos cenários institucionais e econômicos. O bolsonarismo apostou num apoio externo, nos Estados Unidos, enquanto seu discurso radical afastou segmentos importantes e colaborou com a polarização que, ironicamente, fortaleceu a esquerda. O governo Lula, por sua vez, capitaliza essa falha política ao incorporar discursos de soberania nacional e combate à corrupção, que ecoam entre a população descontenta com o rumo atribuído à direita.
Nas ruas, o bolsonarismo também amarga rejeição. Manifestações a favor da PEC da Blindagem e da anistia para parlamentares investigados foram amplamente criticadas nas redes sociais, com pesquisas apontando que 57,3% dos brasileiros rejeitam uma anistia geral. O contraste entre a grande bandeira do Brasil estendida pelos protestos de esquerda e a bandeira dos Estados Unidos exibida em manifestações bolsonaristas ilustra o distanciamento do grupo dos anseios populares. O senador Randolfe Rodrigues avalia que as recentes mobilizações denunciando blindagem e anistia simbolizam o sepultamento político dessas pautas e um vibrante despertar social contra a impunidade.
Cronologia resumida das derrotas (agosto-setembro 2025):
- 4/8: Prisão domiciliar de Jair Bolsonaro por decisão do STF.
- 11/9: Condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses por golpe de Estado.
- 21/9: Manifestações massivas contrárias à PEC da Blindagem e anistia.
- 22/9: Denúncias da PGR contra Eduardo Bolsonaro por coação.
- 23/9: Acenos políticos de Trump a Lula; Eduardo sofre derrotas institucionais.
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A conjuntura atual indica que o bolsonarismo, marcado por disputas internas, crises jurídicas e rejeição social, enfrenta iminente esvaziamento. As portas para a direita tradicional, historicamente vinculadas ao Centrão e outros grupos pragmáticos, se fecham cada vez mais para figuras como Eduardo Bolsonaro, considerado politicamente condenado caso radicalize seu discurso.
Neste enfrentamento exposto, o bolsonarismo perde terreno e viu a esquerda resgatar símbolos nacionais e consolidar seu projeto político, focado em pautas sociais e econômicas que dialogam com a maioria da população brasileira. O saldo é uma virada significativa no cenário político nacional, onde o bolsonarismo talvez atinja seu ponto mais baixo em 2025, diante da ascensão de um governo Lula fortalecido.

