Cai quem quer

Jair Bolsonaro não se lembra de seu próprio endereço

Ex-presidente falha ao responder dado básico em audiência de custódia; defesa solicita remição com livros como 1984 e Vidas Secas.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Bolsonaro - Foto: Reprodução

Um ponto chamou atenção na audiência de custódia realizada na quarta-feira (27) com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que passou a cumprir pena de 27 anos de prisão em regime fechado por tentativa de golpe de Estado. Ao ser solicitado a informar dados pessoais básicos, Bolsonaro não conseguiu responder qual era o próprio endereço.

Bolsonaro afirmou não se lembrar do local onde vivia, apesar de permanecer havia meses em prisão domiciliar em Brasília. A pergunta sobre endereço faz parte do protocolo padrão das audiências de custódia, que exigem a checagem de dados como filiação, estado civil e data de nascimento.

No momento da verificação, Bolsonaro respondeu de forma vacilante e disse que não recordava o endereço da residência onde cumpria medida cautelar antes da transferência para o sistema prisional. A informação ficou registrada na ata da audiência.

Remição de Pena por Leitura

Após o procedimento, a defesa de Bolsonaro passou a organizar a documentação necessária para enquadrá-lo nas atividades oferecidas pelo sistema penal, entre elas a remição de pena por leitura. Este mecanismo previsto na legislação brasileira permite a redução de dias da pena mediante a leitura de obras literárias, científicas ou filosóficas.

Cada livro lido deve ser acompanhado de uma resenha escrita e aprovada pela administração prisional, e pode reduzir até quatro dias de pena, respeitado o limite anual previsto em regulamento.

A lista inicial de obras que podem ser disponibilizadas inclui títulos nacionais amplamente adotados nos programas de remição, como “Capitães da Areia“, de Jorge Amado, “O Alienista“, de Machado de Assis, e “Vidas Secas“, de Graciliano Ramos. Constam também obras estrangeiras de domínio público, como “1984” e “A Revolução dos Bichos“, de George Orwell. A seleção final depende de autorização da unidade prisional responsável.

As movimentações referentes à leitura, assim como os registros da audiência, serão anexadas ao processo de execução penal. A administração prisional definirá o calendário de entrega de obras e os prazos de avaliação para Bolsonaro. O acesso a obras como “1984” pode proporcionar ao ex-presidente uma reflexão aprofundada sobre o uso do poder e a manipulação da informação, contextualizando sua própria situação perante as instituições.

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.