Sem Perdão

Indulto natalino de Lula exclui golpistas e impede perdão a Jair Bolsonaro

Minuta do decreto, que segue para assinatura presidencial, exclui expressamente condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, inviabilizando qualquer brecha jurídica para beneficiar envolvidos no 8 de janeiro.

JR Vital - Diário Carioca
Por
JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
- Editor e analista geopolítico
Lula prepara decreto de indulto natalino que veta perdão a condenados por crimes contra a democracia, como os réus do 8 de janeiro, inviabilizando benefício a Jair Bolsonaro

O Governo Lula prepara um decreto de indulto natalino que inviabiliza qualquer possibilidade de perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos demais condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito.

O texto, já aprovado pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), elimina qualquer brecha para beneficiar os envolvidos nos ataques golpistas, incluindo os sentenciados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo 8 de janeiro. A análise é da repórter Carolina Brígido, do Estadão.

A minuta ainda precisa da aprovação do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e da assinatura final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tendência no governo é manter integralmente as restrições propostas pelo CNPCP. O objetivo é garantir que o decreto não abra espaço para concessões políticas ou jurídicas aos golpistas.

Proibição atinge líderes e colaboradores

O texto proíbe o indulto para condenados pelos atos de 8 de janeiro e por outros crimes contra a democracia. A restrição também impede colaboradores premiados, como o tenente-coronel Mauro Cid, de receber o benefício.

A norma abrange, ainda, líderes de facções criminosas, presos em unidades de segurança máxima, condenados por abuso de autoridade e crimes contra a administração pública, como peculato e corrupção. Torturadores, terroristas e racistas também não poderão ser perdoados pelo decreto.

Benefícios priorizam vulneráveis

Assim como em anos anteriores, o governo deve priorizar grupos vulneráveis para a concessão do indulto. A lista inclui idosos, gestantes, mães de crianças e adolescentes, pessoas com deficiência e presos com doenças graves. A análise é sempre feita a partir da avaliação individual de cada caso.

Segundo a política criminal do governo, o objetivo é favorecer perfis de baixa periculosidade e com maior vulnerabilidade social.

Anistia política é considerada enterrada

Além do indulto presidencial, existem outras formas de perdão previstas em lei, como a concessão pelo Judiciário ou a anistia legislativa. Contudo, em julgamentos recentes, o ministro Alexandre de Moraes reforçou que crimes contra a democracia não podem ser objeto de nenhum desses três mecanismos.

No cenário político atual, a anistia é considerada enterrada. Com Bolsonaro preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e sua influência política reduzida, o tema perdeu força no Congresso. Hoje, a única mudança possível na situação do ex-presidente seria uma transferência para a Penitenciária da Papuda.

- Publicidade -
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
Seguir:
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.