O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender uma mudança de eixo na política de segurança pública brasileira, com prioridade para inteligência, investigação e coordenação institucional no enfrentamento ao crime organizado.
As declarações foram feitas durante evento que marcou alterações nas regras para obtenção da carteira de motorista.
Diante de parlamentares e autoridades, Lula fez uma crítica direta a operações policiais de grande escala e alta letalidade, citando a ação realizada no Rio de Janeiro no início de novembro, que resultou em 121 mortos, entre eles quatro policiais.
“Tem gente que acha que é tudo resolvido matando. Eu não acho. Temos que investir em inteligência. A gente não precisa de genocídio para enfrentar o banditismo”, afirmou o presidente, em um dos trechos mais contundentes do discurso.
Apoio à PEC da Segurança Pública
No mesmo evento, Lula pediu apoio do Congresso à PEC da Segurança Pública, que classificou como fundamental para enfrentar “o maior problema do Brasil atualmente”. Em debate no Legislativo, a proposta busca reorganizar a atuação das forças de segurança, ampliar a coordenação federativa e direcionar recursos para ações estruturantes.
Segundo o presidente, respostas baseadas apenas no confronto armado não produzem efeitos duradouros. A estratégia defendida pelo governo prioriza inteligência, tecnologia, investigação financeira e cooperação entre órgãos, com foco na desarticulação das organizações criminosas.
Conversa com Trump e cooperação internacional
O tema também esteve no centro da conversa telefônica entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última terça-feira (2). De acordo com o petista, o diálogo foi “extraordinário” e abriu caminho para cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional.
“Um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, maior devedor desse país, mora em Miami. Então, se quiser ajudar, vamos ajudar prendendo logo esse aí”, disse Lula, ao destacar o uso do território norte-americano para movimentações financeiras ilícitas.
A Casa Branca avaliou a conversa de forma positiva e afirmou que o contato cria condições para “diálogos e acordos muito bons no futuro”.
Haddad trata de parceria com os EUA
A articulação internacional foi reforçada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que se reuniu na quinta-feira (4) com o diplomata norte-americano Gabriel Escobar. Segundo Haddad, os Estados Unidos demonstraram interesse em um acordo com o Brasil voltado ao combate ao crime organizado e aos fluxos financeiros ilegais.
A iniciativa ganhou tração após a Operação Poço de Lobato, que investiga evasão de divisas, sonegação e lavagem de dinheiro envolvendo o Grupo Refit. O governo aponta indícios de que criminosos têm recorrido a Delaware, estado conhecido por sua legislação societária permissiva, para ocultar recursos ilícitos.
Estratégia baseada em inteligência
Ao criticar explicitamente operações de alto impacto e defender novos instrumentos legais e diplomáticos, Lula busca sinalizar a reorientação da política de segurança do governo. A defesa da PEC da Segurança Pública e o esforço por parcerias internacionais integram a estratégia de reduzir a violência letal e atingir o núcleo financeiro e logístico das facções.




