Lula critica ataques à democracia e cita julgamento de Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta terça-feira (23) na 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Em sua fala, o petista condenou ações de “falsos patriotas” no Brasil, criticou retaliações do governo Donald Trump e afirmou que a democracia e a soberania nacional são inegociáveis.
“Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”, disse Lula, ao mencionar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão pelo crime de golpe de Estado.
Recados diretos a Trump
Lula rebateu as recentes tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros e classificou como “inaceitável” a agressão contra a independência do Judiciário. O presidente também afirmou que não há pacificação com impunidade, em alusão à condenação de Bolsonaro e à pressão internacional.
Na véspera, Trump havia feito elogios a Lula após um breve encontro nos bastidores da ONU, afirmando ter tido uma “excelente química” com o brasileiro.
Defesa do meio ambiente e da Amazônia
No discurso, Lula reforçou compromissos climáticos e anunciou que a COP30, em Belém, será a “COP da verdade”. Ele afirmou que o Brasil já reduziu o desmatamento na Amazônia pela metade nos últimos dois anos e prometeu erradicar a destruição da floresta com políticas de inclusão social.
O presidente ainda defendeu a criação de um Conselho Climático vinculado à Assembleia Geral da ONU, além de um Fundo Florestas Tropicais para Sempre para remunerar países que preservam seus biomas.
Críticas a guerras e defesa do multilateralismo
Lula condenou a guerra em Gaza, classificando-a como genocídio, e pediu negociações de paz para a Ucrânia. Ele defendeu uma reforma da ONU e da OMC, maior protagonismo do Sul Global e a necessidade de colocar o combate à fome no centro da agenda internacional.
“Bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática. O único combate em que todos podem vencer é a guerra contra a fome e a pobreza”, afirmou.
